O sistema lav(r)a a alma do povo como deter(gente) e recupera a pauta de sua cont(r)acorrente
o sistema de(flagra) tudo que não tem de alma
o sistema deforma sua própria forma num implícito desacato à qualquer lógica
o sistema da (a)deus a todas as naves e inventa precipícios pela cidade
o sistema formula a mascara de re(moer) estratégias em suas táticas
o sistema sobre(tudo) é a sinergia em que nada pelo mundo
o sistema tem(e) da verdade a mesma compreensão da sua prática tudo que é verbo pode ser e não ser desde que invada
o sistema louva(-)a(-)deus como um inseto largo que nas entrelinhas da mão teatraliza abraços e queima o coração dos homens aos pedaços
o sistema fuzil(a) a tarde e assassina manhãs com liberdade nada do que não é tempo lhe afasta
o sistema lav(r)a as mentes como uma certidão inconsequente todos os cartórios só decretam a moratoria de gente
o sistema diz-se lúdico aparentemente tudo que se joga são as derrotas de quem sente
o sistema faz do seu fim apocalipse como se não fosse avaro desde o início e se (re)vela faminto em todos os indícios
o sistema nunca se isenta há sempre uma n(g)ota de sangue à sua frente
o sistema estraçalha as horas o trabalho e o mundo como se fora permitido um tempo do avesso de tudo
o sisema é vagabundo nada do que produza é seu mundo
o sistema é, sobretudo, a notícia menor das manchetes do mundo.
168
Das metragens de tudo
Nada, por um triz, é quase tudo na conveniência da gente e na constância do uso
é que não cabe a metragem de matemática distância nos caminhos que a vida decreta a esperança pois o verbo é máscara de inventar circunstâncias quando a razão improcede no medir das constâncias
tudo, por um triz, é quase nada vista a divergência da vida e a intenção das estradas
é que descabe a invenção das humanas atitudes quando a razão procede assim adredemente e tenta construir a vida sem tudo que é de gente.
124
Ode ao calcanhar
Hás de ter a brutalidade e a delicadeza mais incauta com que a vida fere, às vezes, o peito urgente da patria
não por seres balsa que amolgas o desencontro e te tens a tanto curso na pauta dos teus passos na escravatura do teu uso
mas antes por seres pássaro da exatidão dos músculos que teimam a liberdade apesar de tanto custo.
92
Das larguras da vida
Ainda existe em cada traço uma nesga da luta em que me faço é que viver é uma batalha quando se tem a régua do que se cala
a experiência é apenas um armistício entre aquilo que penso e o que me declara lutar é só um indício da unanimidade do tempo e da musculatura da alma.
179
Da guerrilheira feição do tempo
O tempo guerrilheiro teima emboscadas em seus passeios
e tange os homens ao redor da vida nas costas da batalha em que se realiza
o tempo é só um combatente do tamanho da vida.
97
Do confronto temporal da vontade
Na pandemia o tempo esquece de ajeitar um espaço em que vivesse e larga-se no peito como uma preguiça subindo todas as letras da notícia
o mundo carece de tempo para dar-se à vista
128
Das interferências e das ações
da pedra informe-se o gesto bruto de ser bólide
ou, à contraluz, assim esculpida deixe-se estar aviso nas costas da vida.
157
Do infinito e seus alinhamentos
O infinito nem começa nem termina o olho só perscruta suas esquinas.
O cérebro, viajante, é que determina todas as ruas do mundo e o trânsito das vias e as repousa no dizer dos verbos que adredemente alinha.
79
Da comunitária conjunção das horas
Que o manto da paz nos cubra pelas curvas do pensamento e que os verbos se amontoem no alvoroço dos tempos.
Como uma nave desgarrada ressurja a coletiva vontade de construir como pasto a cara da liberdade
e que sejamos comuns nos campos e nas cidades.
92
De ser como aparente não
o que faço não desato para ter-me na notícia do que acho
o que faço é apenas fato de consumir a razão por que me abraço
o que faço não ilude tudo que a aparência me desuse
o que faço é, finalmente, essa parte de mim que me repete e sente com a consciência nas mãos e a alma nos dentes.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.