Não se enquadre o fato de o homem parecer-se resoluto com qualquer dessemelhança entre sua prática e seu discurso
é que retorne sempre ao tudo o quanto só se foi do nada somadas todas as esperanças do que se gastou nas madrugadas
e, enfim, conte-se pelos dias que restaram no peito dos viventes tudo que se construiu tão amiúde no transcurso de todos seus repentes.
122
Da concretude do eu
Nunca me iludo a ilusão é só um custo de quem discursa uma realidade baldia e avulsa
minha ilusão é só trajeto das razões que o sonho me projeta
é ilusão e quase fato todas as léguas de mim e o gesto dos meus passos,
151
Da panfletária razão da luta
Meu coração frequentemente traça a razão das ruas com a mesma insistência com que os lampiões infringem a noite de todas as escuridões da consciência
e o verbo – persistente – lava as manhãs do peito tão profundamente que constrói todos os andaimes de que os homens se ressentem
é que a luta é um gesto tão urgente que nada do que é futuro deixa de ser da gente.
97
Dos vincos da verdade em laicos gestos
Eis o fato: a verdade é sempre menor que o ato fazê-la é um jeito duvidoso de torna-la exata é como se fora proporção entre o que se sente e o que prolata
é que nos ombros do mundo a verdade é uma balsa que singra nosso peito com ares de astronauta
105
Carta VIII
A rosa que te dei tinha a feição exata das flores que eu trazia lavradas na alma
se ela não resumia nos seus limites de planta algum carinho concreto uma realidade mais tanta é que se perderam no caminho as raízes do meu peito e a veracidade da lembrança
mas assim mesmo fugida do seu teor mais profundo ela guarda um abraço latente que se desfaz no teu riso das correntezas do mundo.
234
Das refregas e seus limites
Ganho de mim todas as disputas ninguém ganha do outro quando se luta
é que combater é sempre uma desculpa de quem enfrenta no outro sua própria culpa
ganhar é só um jeito de medir a luta.
120
Condição e trânsito
Dito eu não me explicito em tudo aquilo com que me insisto minha geografia persiste por estar sempre à mão e em riste e histórias há que não desdigam aquilo que a desoras trago amarrotado nas esquinas da memória
em resumo: me permito a vida é sempre um risco de estar presente no infinito.
203
Constructo
Minha morte a construo com os metros de vida que não uso e sou unânime em tê-la em cada ausência num riso menos vário num desvão da consciência
minha morte é apenas quando não mais eu em minha presença.
148
Das ranhuras de tudo
A vida é uma morte invertida tudo que em uma sobra na outra é mantida
é que não há condição de tê-las divididas tudo que em uma medra na outra é desmedida
a síntese de todas é a própria vida uma morte paulatina quase consentida.
136
De tempo e de vezes
no meio da alma e dos ventos voam meus ancestrais nas palavras do tempo
tudo que havia deles como um mapa indeciso hoje cabe indócil no jeito do meu riso
e é por sê-los e tê-los assim que sempre me admito como uma alma intensa adredemente infinita.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.