o universo é só um distrato da ordem finita de todos os esquadros
tem-se em réguas por desacato àquilo que por léguas dá-se como palmos
e o homem avaro e imediato mede apenas seus sobressaltos
83
Grávida manhã em lauto percurso
se faltarem as manhãs nas alegrias da tarde escalaremos as horas em militar estado e as traremos continentes nos braços da madrugada
manhãs são fragmentos postos à mercê do espaço para que o homem discurse os anoiteceres e as tardes
é assim um parto do tempo em todos seus avatares
121
Da racional feição do caminho
a vida é exato invento quando em porteira aberta do pensamento
é que o pensar é um viver diferente que se esparrama no verbo tão flagrantemente como uma usina tenaz de tudo que se sente
tanger a razão no peito é navegação recorrente
101
Virtuais intentos da crise no composto verso
em crise o poema assiste as ranhuras da vida e as do poeta, inclusive
o eu lírico adormece a fala nas esquinas verbais em que se declara
a vida, o poeta e o eu, todos líricos, inventam a madrugada como um tempo urgente de montarem nas palavras e escoicearem pelo mundo os verbos todos da alma.
105
Da pandemia em oníricas visagens
e as razões baldias soletradas entre os dentes dizem o grito que havia no vão desses viventes como se fora um clarão num céu inconsequente é assim como um riso que chorasse de repente e jogasse pelo mundo uma tristeza contente
é como se uma pedra furasse o sonho da gente nessas dialéticas futuras que enxovalham o presente
69
Dissertação à bandeira do meu partido
nesses ares de pomba nenhuma mansidão é tanta que possa calar o grito que drapejas nas gargantas
não um grito que apenas boie na balsa intensa dos ouvidos mas um clamor que em si confunda a instância mais pública do infinito
nesses ares de lençol estendido pelas avenidas com o vasto sonho das dúvidas e as certezas mais empedernidas
e nos ombros do comício assim flutuas a jangada da vida nos mares que o povo inventa em todas suas contraditas
88
Das guerras em mim e armistícios
das guerras que cometo, assim pacífico, melhor contê-las desarmadas em largos armistícios é que as armas da razão atiram artifícios calados verbos rasantes nas costas dos gritos
das guerras que cometo apenas identifico essa necessidade da paz em que me habito
98
Caminhos, veias e vertentes
ruas são veias do povo um rio de sangue em alvoroço que molha a história e pressente os futuros que caminham nessas vertentes
ruas são destinos urbanos num agrário panorama que traça a terra dos homens nos passos e nos dramas que a vida carrega pelo ombros até que seja chama.
81
Dos galopes da vida em rasa alusão
as rédeas do juízo não as uso é que as selas das palavras montadas a prumo adestram as estradas e todos os rumos
as rédeas da vontade não as invoco é que o desembestar da vida é um galope sólido que tange todas as razões no sentido de nós próprios.
206
O tempo em suas contrações e usos
há dias em que não vou ao futuro deixo-me passado nos presentes que procuro e esse tempo como um abuso torce as horas que crio dos futuros que uso
é assim como um mergulhar nos mares do meu discurso
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.