AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
314 584 Visualizações

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

290

Pacto

guardião da vida
dê-se às ruas
engenho voluntário
da matéria em luta
cumprir a senda
de viver-se unânime
nas curvas do tempo
das retas que assume
dar-se todos
quanto argumento
de todos os espaços
postos no tempo
a vida é quase uma ciranda
daquilo que se faz e sente

4

Passagens

entre o tempo e a alma
gravita o desejo
essa ânsia humana
de tardar o cedo
intrínseca razao
em seus enredos
entre a alma e o mundo
transita o sentimento
de quem como humano
ao sentir, inventa-se
trama quanto íntima
virtual instância
de quem comete a vida
como fosse dança

5

Romaria

há sempre um amor
mesmo à deriva
tentando inflar
as veias da vida
pulsa-lo em tudo
quanto desejo
abarcar o mundo
de tanto vivê-lo
habitar o amor
quanto construí-lo
degraus de si e todos
porque senti-lo

8

Amor ainda

o amor militante
sempre construído
absorve futuros
como o infinito
veia humana
veio da vida
construção plástica
arma incontida
assim manifesto
nos créditos vividos
o amor tange o tempo
nas vias do indivíduo

6

Do tanto

com o amor
cumpra-se a medida
dos infinitos desejos
que inventam a vida
sobre o amor
paire a certeza
de todos os infinitos
em que esteja
quando amor
dê-se a verdade
dos infinitos que pesam
no vão da saudade
quanto em lavra
o amor quando tanto
é estrada da alma

6

Construir-se

dos veios da vida
rastreados na alma
jogue-se a memória
nas veias das palavras
é que dar-se ao verbo
como fosse o outro
é a construção das vias
de gerir-se povo
dos veios do tempo
largue-se a ccerteza
que a matéria em si
transborda a natureza
construir-se quando construi-la
é a vontade de sê-la

5

Viga viva

da África que guardo
qual matéria vivente
deflagro os ancestrais
que me consentem
remeto-me às ruas
da memória que sinto
de todas as Áfricas
a que me consinto
nave negra do povo
origem e vaga humana
viga hígida do novo
ancestrais, viga e chama
a África é largo grito
via do futuro na garganta

4

Disparos

a tristeza
envergonhada
deflagra o homem
em suas falas
as que digam da voz
as que sintam a alma
assim deflagrado
dá-se a circunstância
das alegrias guardadas
como esperança
a vontade da vida
é quase uma dança

7

Íntima oficina

o poema
flagra a consciência
ritmo da fala
que consente
picha palavras
paredes da mente
subversiva ação
impunemente
o poeta
oficina interna
exercita em si
a usina de verbos

4

Reminiscência CXXX

a praça
era uma amante
cortejada em verbos
pelo microfone
enquadrar o tempo
nas veias da fala
era sentir na boca
o gosto da alma
a luta
intimamente coletiva
era o exercício
da própria vida
tudo que pulsava o tempo
era a fala e os sentidos

5

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado