Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a cachoeira
chorava a terra
desenhando lágrimas
pelas pedras
o menino
chorando o riso
debruçava em si
o infinito
o rio
em pura displicência
abraçava o menino
no colo da corrente
a saudade
é inteiro armistício
essa vontade íntima
de guardar o infinito
trazê-lo abraçado
no largo dos sentidos
a saudade
rio caudaloso
nasce na lembrança
e deságua nos olhos
como fora um mar imenso
que o tempo trouxe
a jangada
brincava de horizonte
penteando o mar
agarrada nas ondas
o sol
debruçado no tempo
desenhava a madrugada
tangida pelo vento
o poema
também insone
jogava no poeta
as velas de seu horizonte
o sonho
desejo ornamentado
borda no sono
íntimos alinhavos
pedaços da vida
ainda apartados
unem no homem
seus bordados
a onírica oficina
em seu trânsito
arruma no peito
a vontade de tanto
o futuro
tempo em curso
dá-se à vontade
como recurso
escondida tração
de atos e discursos
ainda vindouro
avença da esperança
é quase passado
na lembrança
o futuro é só trejeito
da matéria em sua dança
a terra
arranja o futuro
nos saltos que dá
nas costas do mundo
lapso incauto
do humano curso
que a matéria tenta
nos ombros de tudo
a vida caminha em si
os becos do futuro
o tempo
consumo humano
diz da matéria
em seus planos
gastá-lo
em medidas
é não tê-lo largo
pela vida
o tempo
como etário rito
nas estradas do homem
é consolo do infinito
ao estar comigo
assim outro
me definitivo
abraço da matéria
na humana lida
do infinito
os limites do tempo
em que milito
são os pedaços da vida
que infinito
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.