Lista de Poemas

do tempo em cena aberta

assim genérica
dada a infinita
a morte guarda um tempo
depois da vida
arquivo recorrente
dos passados que guarde
nas nesgas no futuro
em que será saudade
construir as horas
do tempo vindouro
é a grande condição
de habitar-se futuro
7

Saudade em distopia

a alegria
na saudade
inunda rios
pela face
enchentes do futuro
piracemas do passado
a vida rói o tempo
como um imenso arado
8

Galo do futuro em madrugada

o Galo da Madrugada
no frevo em curso
é só um ensaio
do futuro
ve-lo assim
no alvoroço
é noção de sonha-lo
construindo o novo
quando raiar o dia
do grande vendaval
onde o povo faça da história
o verdadeiro carnaval
6

Frevança I

o frevo
ferve a praça
suor do povo
pela alma
o passo
anda o mundo
dançando o tempo
e o futuro
o canto
é discurso
verbo lançado
a longo curso
9

Do tempo em lembrança armada

devoto do futuro
dou-me ao tempo
em todos os passados
metidos no presente
vivo as madrugadas
como noite recorrente
postura dessas ânsias
de viver o pensamento
embrulho a vida
na alma que tramito
como inteiro sobrevivente
de saudades infinitas
17

Andanças da matéria

consciente de si
a matéria dá-se humana
peripécias de átomos
evolutiva trama
a consciência
furta-se à condição
de ter-se como parte
dessa construção
flui no mundo
dada à pretensa liberdade
de achar-se imaterial
na privada propriedade
8

Baiana alegoria

no cartório dançante
do Farol da Barra
lavre-se a certidão
de todas as Áfricas
naves da rebelião
de todas as almas
que o tambor reconheça
a firma desses viventes
jogando a vida no peito
das bahias da gente
12

Das instâncias da vida

meu versículo
é estar comigo
em todas as instâncias do infinito
as que milite
as em que esteja vitalício
nos rompantes da matéria
mansamente admito
navegar todos os mares
das saudades que habito
as do futuro do povo
as que em mim insisto
62

Do poema em metros

os metros do poema
talvez não admitam
estar conduzidos
na contagem de sílabas
sua metragem
dá-se mais sem medida
nos passos das léguas
que joga pela vida
sua vazão
é apenas arma
de acordar vulcões
no vão da alma
14

Vassourinhas em trânsito

Vassourinhas na rua
é jeito de passeata
tangendo largo o tempo
alinhavado na alma
a música laça a noite
abraçando a madrugada
jogando as horas nos passos
nas ladeiras caminhadas
Olinda disfarça o horizonte
nas ladeiras que transita
costurando o futuro
dos passistas da vida
6

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.