Lista de Poemas

Da pedra em traços

diga-se da pedra
testemunha do tempo
da matéria
no dizer-se nova
mesmo eterna
arquivo da vida
de-se à lógica
de fazer-se prenha
da história
às vezes, em alvoroço,
arma única do povo
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Pataxó de mim

hã-hã-hãe
pataxó subjetivo
tanjo pelo tempo
a vontade indígena
um jeito de pássaro
voando a vida
arcos das horas
nas flechas dos passos
a saudade é floresta
num imenso compasso
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Ancestre presunção

meus ancestrais
habitam o povo
e tudo de mim
enquanto voo
trazê-los tantos
nesse alvoroço
pesa todos os sonhos
e os fatos avulsos
como ancestrais
rondando a terra
são apenas circunlóquios
dos comandos da matéria
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Muriçocas do Miramar

na Praça das Muriçocas
a alegria consente
que a vida voe tanta
no peito dos viventes
nas asas do povo
numa grande corrente
a avenida é veia aberta
pulsando larga o tempo
e no roldão dos bemóis
plantados do Miramar
o mundo dança nos passos
como um jeito de sonhar
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Do tempo em futura via

até que o tempo,
como espaço, permita
deixar-se apenas detalhe
dos rumos da vida
pássaro
abrace a vontade
de voar todas as léguas
de cada liberdade
cheio de todos
construa urgente
todos os edifícios
daquilo que se sente
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Correntes da saudade

o menino
penteando o riacho
inventava sonhos
boiando nas águas
a paisagem
em trânsito íntimo
jogava pelas margens
pedaços do infinito
hoje
como um alarde
o riacho volta a correr
no colo da saudade
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Da energia vivente

é que nos arroubos da energia
jogados no peito dos viventes
de-se o conluio da matéria
com o tanto de si adredemente
como se fora uma usina
de fabricar assim no tempo
os espaços declarados na oficina
construída no vão do pensamento
e possa desgarrar-se do infinito
como medida ainda que restrita
e derramar-se a pulso pela vida
como vivência sempre consentida
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Da morna tristeza

no meio do frevo
a tristeza se esconde
no riso dos pés
em que o povo se tanje
como fora um abraço
escrito nos homens
derramado no mundo
cantando as avenidas
o frevo amorna a tristeza
atravessado na vida
6

caserna literária

o poeta é soldado
apenas lava
o meio fio verbal
das ruas da alma
sua continência
é a palavra
escondendo em si
o segredo da fala
toda razão de sua vida
é vestir a inata farda
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Infindas passeatas

que o infinito
nos seus segredos
transite a razão
pelos seus becos
passeie o caminho
em seus atalhos
abraçado aos homens
em cada passo
e farto assim
possa estar contrito
em cada palavra
onde seja dito
5

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.