Lista de Poemas

Do amor recorrente


os olhos
tinham lonjuras
infinito jogado
em minhas ruas
a vida
era uma máquina
de arar o amor
nos leirões da alma
tudo era tão sempre
que nunca acaba
6

Da vida em curso

a vida
em seu discurso
é só um plano de mergulho
trampolim da vontade
na piscina do futuro
mesmo transbordante
dá-se ao nado
nas ondas em que possa
trazer-se passada
a vida é só o curso
da própria liberdade
19

Das fugas materiais do ego

a cada dia fujo de mim
no encontro coletivo
gesto da humana sina
em dizer-me indivíduo
trama da matéria
ânsia cognitiva
de jogar-se consciência
no auto ajuste da vida
dizer-me trânsfuga
é achar-me convicto
permanência inata
dos meus infinitos
9

Matutina cena

largas fronteiras
acatam a madrugada
nos privados conchavos
da pátria da alma
os palmos do futuro
postos na vontade
alinhavam o presente
nas pregas do passado
o sol é apenas um infante
nos universos que declara
7

Secular prebenda

do século passado
dou-me ao tempo
horas descampadas
no vão do sempre
traço indivíduo
da coletiva senda
de ater-se meio único
nas andanças da matéria
o século é só uma régua
de medir o humano manifesto
9

Das passadas lidas

o tempo
dói no mundo
horas que larga
nas brechas de tudo
absoluto
dá-se a relativo
nas velocidades do peito
nas graças do infinito
o tempo é sempre recado
às paciências que consiga
invenções humanas
nessa eterna briga
6

Vazante poética

grávido
o poema inventa
um voo de palavras
na consciência
desenhados
os verbos saltam
como pincéis verbais
em humanos quadros
as lonjuras de suas linhas
medem os rumos das palavras
poesia que talvez semeia
nos vãos em que se larga
9

Vívida constância

a vida
é mandato
da eleição genérica
dos fatos
da-la a curso
no viés humano
é votá-la a todos
em cada plano
seu discurso
é só o trâmite
de abraça-la ao futuro
sempre unânime
8

Da totalidade humana

radical
dá-se à diretriz
de radicar do peito
qualquer triz
átimo tanto
da vazão humana
fluam de si
todas as chamas
as que tecem o amor
no ventre do mundo
as que jogam o infinito
nos braços do futuro
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Intermitências temporais

quando
não é um tempo
é só um presente
que some de repente
quando o futuro
já foge da gente
na verdade,
impunemente,
o tempo é só um espaço
do quando se sente
pulsarem os passados
embrulhados no presente
6

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.