Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Olinda
com o povo nos braços
ferve o frevo da vida
no redemoinho dos passos
os bemóis que entoam
no regaço da avenida
é como se fosse um sonho
tangendo o rumo da vida
a procissão fervente
no peito da madrugada
é como se fosse um rio
lavando o eito da alma
no trâmite da vida
dê-se a logística
de remoer os sonhos,
suas premissas
as que venham da vontade
as que já militam
doa o tempo da ânsia
no estar compreendido
entre a intimidade do fato
e as nuances do infinito
quando nasci
ainda inacabado
dei-me à matéria
como artefato
grávida razão
dessa latência
de construir aos poucos
a consciência
hoje, acabado,
dou-me à certeza
de compor a matéria
como natureza
o infinito
meu labirinto
é estar convicto
do que sinto
espaço que traço
no tempo que admito
deixá-lo inteiro curso
dos atos da vontade
é fazê-lo coletivo
em cada liberdade
o infinito é só o palco
daquilo que nos caiba
a lágrima
é riso travestido
se a saudade pulsa
nos ombros do infinito
a lembrança
deita a consciência
no rio dos olhos
na infinda ausência
ainda assim, é riso
um líquido poder lembrar
o jeito do infinito
La Negra
tinha na garganta
todos os tons
da latina trança
laço da revolta
nos passos da dança
compassos do baile
do povo em sua andança
La Negra, navegante,
ainda pulsa,
no peito da América,
os acordes da luta
o cacto
furava o tempo
atiçando o sertão
no pensamento
o sol
cúmplice confesso
assava a manhã
como protesto
o homem
viajante dos sentidos
boiava no sertão
seus infinitos
os pedaços da matéria
que abraça consigo
invento o tempo
as lonjuras do ser
habitam o pensamento
mania da matéria
de ver-se por dentro
nos tratos intimistas
do sentimento
a matéria é um infinito
com ares de pequeno
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.