Lista de Poemas

Ainda o amor

alinhavado a cada hora
costuramos nosso tempo
como um abraço profundo
pelo pensamento
os sentidos
transeuntes da vida
eram os pergaminhos
dessa intensa escrita
hoje cabem como herança
dessa lógica infinita
derrame do amor em ondas
nos mares em que milito
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Construção II

nos ombros do tempo
como hora urgente
inventamos o amor
adredemente
lapidado nas falas
jogado nos ventos
semeando palavras
pelo pensamento
verbos grávidos da vida
plantados na gente
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Infindos comentos

o infinito
não é só espaço,
assim perene,
é também um tempo
como cabê-lo pouco
nas curvas do pensamento?
alinhá-lo ao possível
é vive-lo urgentemente
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Do amor cogente

tua vida
agora infinito
põe-me na liberdade
de todos teus sentidos
íntimo do espaço
dou-me ao privilégio
de navegar teus encantos
nas praças do cérebro
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fluxos da vida

minhas vias
são as veias
e a saudade exata
que o sangue lateja
nas praças da alma
a vida
guardada em tudo
espalha teu sorriso
nas ladeiras que subo
o tempo ainda enfeita
as avenidas do mundo
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Do amor pulsante

o amor pulsa
mesmo avulso
todas as veias
todos os cursos
navega os olhos
inventa o mundo
na identidade lúdica
do discurso
a lembrança joga o tempo
nos espaços de tudo
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Da saudade em dizer sucinto

a saudade
é uma pátria movediça
dói nos vincos da alma
ri dos tempos da vida
enche o peito de tanto
desfaz-se em cachoeiras
nos rios cheios dos olhos
numa exata correnteza
a saudade é quase desejo
que o tempo represa
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Do amor em larga metragem

não me peçam léguas
carrego infinitos
pousados todos no tempo
no compasso dos sentidos
derrama-los em versos
abraça-los na saudade
jeito de derramar o peito
nas lonjuras em que cabe
o amor é um pássaro do tempo
voando a eternidade
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Andanças

dou-me ao tempo
com a certeza exata
que todas tuas horas
agendam minha alma
caminho a tristeza
com nesgas de riso
por saber-te sempre
abraçada comigo
o amor é uma instância
das teimosias do infinito
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Da permanência

o amor
é um grave indício
de que a alma cabe
em todos infinitos
vivê-lo
nas rédeas do riso
grava no peito
todos seus comícios
sofrê-lo
nas curvas da ausência
é trazê-lo ainda sorrindo
pela consciência
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.