Lista de Poemas

Das aldeias de mim

nas matas de mim
atravessando os sentidos
continuo militante
de todas tuas tribos
inteiramente indígena
fundo as aldeias
onde a saudade viverá
na correnteza das veias
e deixo-me curumim
nos ombros do tempo
farsa temporal da vida
invenção do pensamento
9

Noturna ilusão

as estrelas
dormindo o espaço
brilham teus olhos
nos meus lapsos
a razão
ensimesmada
dança os sentidos
pela madrugada
a memória, como um dardo,
capta o sonho como fato
enormemente estendida
na fome de meus braços
7

A obra do amor composto

o amor
sempre convoca
toda construção
em que se posta
erguido a prumo
em viés exato
dá-se argamassa
de cada abraço
a régua de si
é o simples compasso
de manter-se único
mesmo quando vário
5

Do amor e seus entes

pássaro
o amor gorjeia
todos os bemóis
de suas veias
barco
navega todos os mares
com a lúdica feição
de seus avatares
vento
transita pelo mundo
com a exata compreensão
de que se basta em tudo
14

Enferma jornada

no hospital
a vida cogita
todas as razões
em que milita
a vontade
acamada
pulsa emoções
sonhando estradas
as veias
em fogoso púlpito
deixam-se vias
do humano uso
10

Cachoeira em trama

a cachoeira
lavando o tempo
despejava as horas
como um lamento
o leito
adormecido
ajeitava a jusante
nos ombros do rio
o menino
sonhando destinos
alinhava seus olhos
nos ombros do infinito
6

Distrato da vida

a dor
não é recado
qualquer prazer
adredemente postergado
a dor é só manifesto
distrato da natureza
discurso descontrolado
dos gritos em que esteja
se, às vezes, entorna
como mar revolto
nada do que navegue
anunciará o novo
10

Retilíneas variações

as retas da vida
estejam curvas
usina vasta dos passos
nas esquinas da luta
tê-las perenes
ruas da mente
desanda a caminhada
nos becos da gente
melhor concebe-las
caminho displicente
das encruzilhadas sutis
a que se consente
7

Lembrança II

a saudade
passado renitente
advoga futuros
no presente
redemoinhos de fatos
nos ombros do tempo
exato circunlóquio
de pensamentos

8

Do ócio infante

os dias
eram tantos
que o tempo dormia
pelos cantos
as tardes
eram nuas
mostravam aventuras
nas faces das ruas
as noites
eram depósito
de guardar a felicidade
no sono tão lógico
7

Comentários (10)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.