Lista de Poemas

Onírica levada

o mundo acorda
no meio do sono
há de deixar-se inteiro
perambular pelo sonho
transeunte da vida
em onírica viagem
o homem consolida
os fatos e as mirangens
sempre cabe pedaços de sonho
nas mãos da realidade
10

Lembrança I

a saudade
passado renitente
advoga futuros
no presente
redemoinhos de fatos
nos ombros do tempo
exato circunlóquio
de pensamentos

7

Kant(ificando)

Kant divisava
imperativos avulsos
farpas disseminadas
projeção dos discursos
ousava traze-los
na quitanda filosófica
assim como bandeira
tremulando concórdias
a vida
por seu âmago lógico
era só um imperativo
da natureza em seu ócio
15

Larguras do espaço

o horizonte
nunca é tanto
que possa esconder
os infinitos que planto
os limites
são um enquanto
nos saltos espalhados
nas profundezas do canto
ao homem cabe a largura
das léguas do que plante
6

Infante velhice

minha infância
foi o paradeiro
onde estive ancião
em jovens medos
a vontade
era o brinquedo
de rumar a vida
como enredo
quando provecto
dei-me ao cedo
em todos os tardes
em que me inscrevo
11

Do amor em ondas

o amor
é um mergulho
quando da-se conta
há um mar em tudo
navega-lo
no barco dos fatos
é construi-lo adrede
em cada abraço
tudo que lhe povoa
é o continente dos atos
21

Galope no raso da tarde

no cavalo
sem rédeas
o menino galopa
as idéias
o vento
abraçando o tempo
espanta o espaço
e o pensamento
a caatinga
bafejando a tarde
encosta no galope
cheia de saudade
6

Marítima paisagem

assim calmo
o mar balança
dança na areia
suas ondas
o tempo
refestelado
joga as horas
pelo espaço
o homem
meio à deriva
pensa suas ondas
abraçado à vida
5

Atitudes

a paz
talvez não caiba
nas tempestades
que vão na alma
dize-las mansas
afrontá-las
artifício própio
desmontá-las
os rios que a gente cria
limpam as margens da alma
10

Da ordem pessoal

usina de mim
a vontade informa
em todos os decretos
minha história
sabe-la mandante
dos atos que devo
é o distrato possível
dos meus medos
joga-la pelo coletivo
é a lógica do enredo
6

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.