Lista de Poemas

Sofridas andanças

universal
a matéria insiste
em dizer-se farta
quando triste
o sofrimento
vil moeda
dá-se por troco
quando pesa
o homem
universo de si
decreta-se triste
materialmente por aí
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Temporal ardil em manifesto

jogo as manhãs
dentro do peito
nessas noites negras
em que não adormeço
o ardil
é só um desacato
às dores que teimam
seus recados
há um tempo
dentro da gente
que madruga o jeito
do que se sente
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construção I

o amor
é ofício
da matéria pulsante
vasto indício
da construção humana
em exercício
transitá-lo em atos
arruma-lo adredemente
jeito assim de inventar
suas marcas pelo tempo
máquina de amolgar
a forma do que se sente
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rumos

o caminho
é laço
de unir o tempo
à vontade
e rumá-los todos
à liberdade
o muro,
obstáculo,
é só um incentivo
para o salto
6

Descampados

o descampado da alma
é assim como um jeito
de espalhar pelo mundo
a solidão dos desejos
deixá-lo na ventania
que o pensamento drapeja
é como uma sinfonia
de que se perde o enredo
varrê-lo pelo mundo
é construir pelo peito
abraçado com o tempo
os andaimes do desejo
5

Volição em marcha

o ritmo da vontade
quando solta no espaço
traz dentro de si
todos os compassos
os que dependam de todos
os que se tragam nos braços
jogá-los no presente
envoltos no passado
é fundar o futuro
no colo dos fatos
a vontade só consente
em soltar nossos pássaros
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Viés vindouro

Da manhã
tempo gasto
vive a tarde

Da tarde
noite insone
tardam os homens

De todos, avulso,
costurando a madrugada
surge o futuro
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Réguas compassadas

meu compasso
no vão da vontade
é largar-me vário
mesmo unidade
e do dizer-me tanto
restar-me em pouco
quando atravessado
nos caminhos do povo
o poema alinhavado
é só um indício
das razões que tangem
meu ofício
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Degraus à larga

a escada
posta nos passos
vive de degraus
em seu encalço
lúdica,
sobe as descidas,
como se fora trânsito
de vontades indecisas
o homem
em suas medidas
inventa pernas
nos degraus da vida
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Dos risos vindos e vindouros

dentro dos homens
caminham todos
os passos da vida
os andares do povo
nesse edifício
de humana trança
escorre a vontade
como uma clara dança
valsa súbita do mundo
nos veios claros dos dias
alinhavando o futuro
montados na alegria
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.