Lista de Poemas

Decretos volitivos

o gabarito
é o gesto
todo coração
é um decreto
norma temporal
em manifesto
trazê-lo ao punho
em cada ato
é a forma exata
de sancioná-lo
nas constituições da vida
nas cordilheiras dos abraços
6

Correntezas

no colo do teclado
o poema gravita
entre o verbo, o tempo,
a gramática e a vida
solto no juízo
no vão das letras
joga pelo crânio
todas as capoeiras
o poema
de repente
é só um rio
dentro da gente
11

da feição do fazer

a felicidade
dá-se a meias
músculos da vontade
e o fato que a semeia
dizê-la única
em sua condição
é gesto de não vivê-la
desde a construção
cabe sempre mantê-la
esculpida na esperança
como se fora tração
dos risos que alavanca
7

Pacem in vitro

a paz
prolifera
antes, depois
e sem a guerra
a paz
sempre concreta
é a vontade explícita
da matéria
nesse doar-se
à sua constância
a matéria universaliza
sua circunstância
5

Pública via

a vida
sempre custa
sua bula pública
herança única
de vivê-la lúdica
trazê-la privada
às escusas
é dá-la escondida
ao tremor das ruas
a vida é jogo da razão
em todas suas luas
7

Balada provecta

os beiços do tempo
lambem o espaço
e todas as rugas
em que me acho
os sonhos armazenados
são apenas desacato
de quem maneja a esperança
com a liberdade nos braços
5

Camponesa jornada

a terra
prostada na vida
pinta-se agrária
pelas avenidas
urbana
veste o discurso
da coletiva razão
de todo seu curso
os camponeses
pacientemente a guardam
na constância do tempo
nos latifúndios da alma
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Da fala em circunstância

a fala
diz-se circunstante
que a matéria deu a si
como jusante
senda de navegar o mundo
intensa militante
da-la ao tempo
como verbo itinerante
pressupõe todos os trilhos
das locomotivas do homem
5

Telegrama em dispersão

o telegrama
corria o tempo
como uma notícia
solta nos ventos
o recado
jazia em código
morse como um relâmpago
sem vozes
a vida
sem algoritmos afônicos
navegava o tempo
como correio platônico
7

Sentença em autos privados

tramito a vida
vasto processo
nos embargos do tempo
que denego
juíz de mim
dou-me ao sossego
de palmilhar as horas
dos degraus que meço
até que o mundo
em material brado
decrete no meu peito
o trânsito em julgado
5

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.