Lista de Poemas

Temporais arquivos

na pedra
arquivo do tempo
medra avulso
quase um sempre
tê-la aos poucos
grávido depósito
alimenta as horas
num consenso lógico
tramita-la bólide
nos ombros do vento
é fazê-la pássaro
em voo obsceno
8

Rio em definição restrita

o rio,
veia da mata,
desenha o mundo
em suas águas
as cachoeiras
que prolata
molham indígenas
e os ombros de Gaia
verso fluvial
nem percebe
o infinito de si
em que se mede
7

cubana sinergia

no peito da ilha
o mar declama
as águas que joga
em suas ondas
no peito do povo
a manhã inflama
todas as razões
por que se ama
e de serem bastantes
dão-se ao tempo
de bater o coração
no colo dos ventos
9

Rio Capibaribe em vias e veias


no Capibaribe
o nordeste passeia
rio de todas as léguas
águas do povo na cheia
como se fora um protesto
das vias, vozes e veias

no Capibaribe
a história e o povo admitem
vê-los todos derramados
nos futuros que permitem
7

Do Mundo Rainha em prontidão

dentro da noite
a África aponta
todos os vieses
do horizonte
mundo rainha
debruçado
nos braços do tempo
solto no espaço
ave originária
gesto desatado
dos ventos do futuro
em voo plástico
7

Medidas em rasa conta

os palmos
medidos da vida
podem ser léguas
resumidas
a metragem vital
comedida
esconde o trajeto
e suas medidas
o homem
esconde o tempo
nos espaços que esquece
pelo pensamento
20

verbo em rasante

o poema
voa em tanto
exato bumerangue
como se fora verbo
em rasante
que fingisse em si
todos os levantes
construindo defesas
em seus flagrantes
condenando o poeta
a ver-se infante
11

Das voltas do tempo

o amanhã
talvez não caiba
nos futuros ditos
pela fala
o tempo
posto como fato
transpõe o verbo
em desacato
o homem
ao ontem abraçado
esquece do futuro
como um salto
20

Governança

minha governança
é jogar o peito
na esperança
construi-la fato
nessa larga dança
de sentir o mundo
como um baile
onde todos dancem
5

Leningrado em noites brancas

Leningrado
deitada no rio
inventava paisagens
num intenso filme
o dia espreguiçando-se,
intensamente atrevido,
engolia a noite
no colo do infinito
a manhã
nascida com certo medo
era no pouco da noite
o tempo em novo enredo
5

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.