Lista de Poemas

Cósmica jornada

o foguete
nadando o espaço
dá-se ao tempo
como um abraço
 o cosmos
em ventos largos
cumpre seu papel
de celeste descampado
o homem
sentado na cápsula
digita sonhos
no peito da máquina
7

Assalto verbal

o poema,
verbo em punho,
assalta o poeta
em pleno sono
a noite
falsa testemunha
decreta o dia
nos olhos insones
as palavras
em sonolento mutirão
decretam passeatas
pelo coração
7

Do tempo em urbana pose

no homem
o sol pousava
claro recado
da madrugada
restos de sono
pela calçada
pedaços de sonho
espalhados
o tempo, inocente,
dava-se ao desplante
de demonstrar o homem
abraçado à sua fome
11

Das verbais feituras

no largo da pena
o verso tramita
nas teclas de mim
subjetivas
em larga cena
a palavra agita
os nervos que pode
metafísica
dou-me ao termo
jogado nos olhos
de alinhar os verbos
enquanto posso
6

Das multidões de mim

a sós
junto todos
indivídua trama
em alvoroço
e tardo em mim
os outros
única maneira
de estar posto
deixo-me múltiplo
simples protesto
da matéria consciente
dar-se em manifesto
11

Do amor em transversal resenha

transversal
o amor informa
todos os becos
todas as portas
transversal
dá-se ao infinito
com ganas de tanto
com sanha de rito
transversal
cumpre-se contrito
como se fora cela
de todos os sentidos
7

Marcas da vivência

o marco da vida
é a vontade
de perambular
na liberdade
traze-la solta
presa no tempo
como um colar
no pensamento
joga-la nas ruas
como ofício militante
de construir andaimes
onde esteja avante
9

Concerto em clara notícia

a música
flutuando na sala
tange a consciência
em sua fala
bemóis e sustenidos
galope sincopado
dançam nos ouvidos
todos seus recados
o homem
inteiramente abraçado
inventa todas as memórias
voando como pássaro
9

Métrica ilação do tempo

quando forem manhãs
as tardes que eu não possa
queira o tempo arrumar-se
nas horas que me convoque
navegar momentos
sem as rédeas do mundo
dificultam o galope
nos ombros de tudo
saber-se navegante
das horas que consiga
pressupõe todas as réguas
das léguas todas da vida
6

Sombras

as sombras
sobre o mundo
discursam luzes
sobretudo
cabem-lhes a coxia
aguda afirmação
do quanto do claro
escondem em vão
a luz,
atriz reluzente,
é só um espalhafato
que a matéria sente
8

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.