Lista de Poemas

Circunstancial menage

a noite
em falsa centelha
dá-se como dia
no brilho das estrelas
o espaço
embrulhado no tempo
espalha ilusões
no pensamento
o homem
pretensamente lógico
sonha as dimensões
do seu propósito
7

Vivência provecta

no meio da vida
o tempo vadia
quase uma veia
como uma via
veículo da voz
de quem vigia
a vívida equação
do que sentia
e nas larguras do dia
navegar as horas
ancorado na alegria
5

Das vezes esquecidas

às vezes,
a vez não sabe
decidir-se alternativa,
postar-se pela face
consumir-se como vida
nas medidas que cabe
às vezes,
a vez esquece
que o tempo é sempre
o que o homem tece
nas vielas do mundo
em que acontece.
9

Horizonte em dupla face

o horizonte
não é só um rumo
dos olhares que sondam
as vias do futuro
paisagem solta
nas curvas da vida
da-se aos sonhos
quando consentida
o horizonte, em suma,
é estrada, esconderijo
dos passos concretos
ou dos subjetivos
5

repetida sofrência

o mal deixa-se mal
quando fato vigente.
As vésperas de si,
quando na mente,
tra-lo-ão nascido
contra(o)tempo
elástico inventário
vazio, prematuro,
recorrência incauta
dos laivos do futuro
22

das nebulosas lições celestes

nas tardes reticentes
as nuvens lançam marcas
discursando desenhos
em suas páginas
o céu
em negro quadro, viaja
e dá-se ao curso
das alunas miragens
o menino
em privado ócio
inventa a lição
no livro dos olhos
7

Sonho em tática deslizante

empírico
o sonho dá-se ao curso
como um desejo lúdico
de abraçar o futuro
no vão do homem
posto presente
é um devir passado
futuramente
o sonho é quase um barco
navegando sentimentos
5

Candomblé em ritmo

o tambor
soletra a alma
em cada frase
que declara
energia,
dá-se ao ritmo
despejar recorrente
de latentes precipícios
pertinaz,
tem-se arbítrio
de espalhar o tempo
pelos sentidos
8

Conjugada fala

a voz
monta a palavra
como um adorno
no vão da alma
fluido
o verbo ausculta
os sentidos postos
na escuta
conjugadas
na intensa lida
as almas discursam
os verbos da vida
5

Das faltas do mundo

o pessimismo
acoberta palavras
atos falhos vocais
escritos na alma
o mundo
solto das palavras
é exercício fugaz
do que declara
o homem caminha inexato
o curso raso das falas
6

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.