Lista de Poemas

Saga digital

no celular
travestido
o olho ensaia
digitais sentidos
o tato
incontido
viaja na tela
todos os motivos
a razão
em saga explícita
arvora os bytes
da crítica
6

Cifrões em ma(n)rcha lenta

o cifrão
deitado na máquina
retira dos medos
sua plástica
o dedo
em digital postura
encomenda cédulas
em sua lavratura
o homem, aprisionado,
digita cifrões
e chora seus saldos
24

Pretérita viagem

a estrada
abraçada à chuva
escondia seu curso
em incógnitas curvas
o barro
amolgando a vida
deslizava viventes
conduções e comitivas
o menino
sorrindo a vontade
dava-se aos atoleiros
como tempestade
5

Humano apiário

a colmeia
grava a abelha
na coletiva sanha
da matéria
como nave
da-se à tarefa
usina de mel
em larga gesta
a humana colmeia
ciente da floresta
constrói a vida
como gesto da matéria
5

Dos saldos vitais

dou-me assim
aos ágios da vida
construção de juros
nos futuros que consiga
habitando o tempo
como pássaro recorrente
no voo pleno das horas
exato combatente
e nos meandros vitais
possam estar impressas
as jusantes de mim
que todos atravessem
31

Infante jornada

no riacho
a vida corria
líquida bandeira
da alegria
a mata
em verde curso
discursava folhas
nos ventos do mundo
o menino
molhando a memória
inventava seus mares
nos ombros das horas
5

Lebedev em voo pátrio

sem terra
Lebedev vivia
um cosmos avulso
um gosto do vazio
o peso das horas
refletia
um tempo disperso
da alegria
Lebedev navegava sua pátria
em mares que desconhecia
6

Clandestina passagem

na praça
deixava-se a tarde
no curso manifesto
da clandestinidade
os olhos
em vigilância grave
como telescópios
singravam a paisagem
no peito do militante
o tempo disparava
construindo um gosto do povo
arquivado na alma
5

Das infrações às humanas lides

por vive-la assim
quase à deriva
decrete-se no homem
usucapião da vida
por senti-la avara
nas rugas do tempo
deixe-se como nódoa
pelo pensamento
a vida assim desfalcada
é só um jogo reticente
habita já como privada
a pública razão de quem a sente
7

Das fugas variadas da vida

os mortos
residem no tempo
na material função
de íons renitentes
habitam o espaço
com a insistência
de que se veste a matéria
em sua vasta consistência
e nadam na saudade
como naus consentidas
pulsando a realidade
nos escaninhos da vida
5

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.