Lista de Poemas

Dos maios em vias

maio em 9 ia
montado nos canhões
em seus dias
o mundo desfraldado
pressentia
rubra será a manhã
das tardes, das noites da alegria
alinhavada nos povos
pelos braços dos futuros
que a história prenuncia
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Antiga caminhada


                                        Para mim
o velho
tangia o passo
boiada conduzida
do cansaço
a vontade
posta em pernas
dava-se bailarina
em suas léguas
o velho
andarilho militante
era em si um foguete
em voo rasante
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Fuga em reiterada dose

as culpas
postas à vontade
ressoam nos caibros
no sono e na tarde
os olhos
despidos do sono
soletram a noite
em abandono
o homem
pesada(mente)
esquadrinha brechas
por onde ausente-se
5

Medições da vida

medir o tempo
tem-se como artifício
os foguetes da vida
tornam-no arisco
o medido no corpo
estanca os sentidos
consumir as horas
em seus caminhos
é armazenar o tempo
em privado escaninho
e usa-lo na saudade
como acervo peregrino
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Vívida trama

a vida
quem a tenha
em contradita
encontre verbos
contrapartidas
e todas as mortes
que assim a digam
nessa aventura inédita
da jornada dialética que consiga
a vida, quem a tenha, viva
navegando seus oceanos
em todas as medidas
5

Africanas lembranças

a África
lateja incessante
nas curvas da razão
de humano habitante
deixa-se pelas faces
como noite adormecida
e nos vincos da mente
de quem tem a vida
monta o passado
como herança dada
aos universos humanos
que pulsam as estradas
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Recital

a música
espalhada nos ares
dança os ouvidos
em bemóis e claves
a batuta
tange o espaço
como um frugal piloto
de tons e atos
o som
intensamente dito
aponta os corações
no colo do infinito
5

Operária razão do mundo

o suor
riacho do homem
brilha na manhã
molha a fome
como uma nave
as mãos empinam
e jogam pela fábrica
os ritos de oficina
o operário
na construção de tudo
lavra a manhã
grávido do mundo
5

Museu de mim

meu museu é a saudade
fatos derramados
curvas do tempo
em que me invado
de tê-lo composto
meu museu é vasto
tudo que lhe mosta
é um populoso espaço
em que compartilho o mundo
com o mundo em que caibo
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Lavratura temporal dos dias

hoje
a palavra
dos ontens
que declara
amanhã
aguarda
tempo presumido
na fala
o tempo é abrigo
dos futuros que lavra
os consentidos na luta
os construídos na alma
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.