Lista de Poemas

Métricas insinuaçōes

métrica
a fala compara
os centímetros sonoros
nas palavras
largada
em pulos exatos
dão-se aos sons
em músico tato
o poema
apenas resvala
nas brechas musicais
em que se cala
15

Nordestina senda

a caatinga
deitada no tempo
abraça o espaço
de repente
coisa de ser vasta
no peito dos viventes
estratégia sinuosa
dos rumos que estende
a caatinga é bandeira
dos cactos que consente
7

das numerais provas da infância,

o número
contava-se
nas rugas expostas
pela face
o menino,
como tática,
tentava iludir
a matemática
redondamente soterrado
com ares de estátua
sonhava desvincular-se
das raízes quadradas
6

Da humana gestão do tempo


haverá um tempo
de soletrar humanos
como pingentes lúdicos
de colares cósmicos
construindo o velejar
de ventos largos e lógicos
todas as manhãs
acordarão os fatos
na percepção humana
de que o tempo é um abraço
5

Indígena alusão noturna

o rio, deitado no tempo,
corre preguiçoso suas águas
o pássaro, noturno,
discursando suas asas
entoa bemóis
nos ouvidos da mata
e o índio dormindo
constrói o rio, a vida e a tribo
como se fossem sonhos
embrulhados no infinito
8

Verso em moderna praça

moderno
o poema engenha
derramar-se na página
como um desenho
a palavra
em pose retorcida
dissemina letras
com pedaços da vida
o verbo
nas brechas da figura
intensamente pintado
argumenta poesia e quadros
6

das guerras internas

a paz interior
é coisa recorrente
da guerra adormecer
dentro da gente
humano
o embate acontece
nas vontades baldias
do que se esquece
o armistício vige inteiro
nas públicas batalhas
introjetadas no peito
13

Dos humanos firmamentos

a lua minguante
é só um disfarce
que o olho monta
cheia de si
na verdade esconde
as luas esquecidas
nos céus do homem
jogadas no espaço
como incauto relâmpago
nas nuvens que tramitam
o firmamento humano
5

Esperança em saldo histórico

a esperança
medra em tudo
basta compromete-la
na construção do mundo
dize-la avulsa
realidade tanta
basta-se inócua
nos fatos que monta
a esperança é só jeito
de antecipar na memória
os sonhos todos que vagam
em busca da história
15

panfleto semibeligerante dos passos

serão os gritos
no andar das ruas
o despertar intenso
do vão da luta
punhos mexerão os céus
nos desenhos da tarde
escrevendo na história
os contornos da vontade
está só aberta a manhã
da construção coletiva
longo tempo jogado
na construção da vida
7

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.