Lista de Poemas

Camponesa refrega

o camponês
abraçando a terra
esculpe o espaço
em sua gesta
nos leirōes
postos em prumo
derrama sementes
grávidas de futuro
o camponês bolina a terra
como amante do mundo
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enredos patrióticos

a bandeira
é só um motivo
de enfiar a pátria
nos sentidos
trêmula e colorida
dá-se ao teatro
de parecer um país de todos
em grave ato
prenhe de medido alvoroço
a bandeira é só um engano
nos mastros do povo
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Dos cravos em diante

os cravos
povoarão as faces
bordarão estrelas
em seu alarde
Cunhal
Ãlvaro de tanto
ainda habitará atento
esse grave canto
Lisboa, amanhecida,
inventará novos mares
de todos os Tejos da vida
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Acarajé em larga cena

o acarajé
em pretensa calma
posta na língua
as bahias da alma
negros monumentos
barcos da esperança
construção urgente
de todas as chamas
o acarajé,
fala e nem pressente
que discursa o mundo
na boca da gente
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Etária presunção

envelheço
dentro do tempo
que não meço
os anos
em indiana fila
armam a história
ancorados na vida
os anseios do mundo
desabalados, vigem
a luta ainda exata
no colo da crise
6

Da constância dos fatos

a realidade
antevista no horizonte
descreve-se vária
em sua fonte
a vontade posta
na curva das horas
decreta jornais
e larga-se na história
o fato,
intensamente real,
dirige o mundo
em cada ato
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Marítima fome do tempo

o céu
inaugura a madrugada
com laivos da noite
nas nuvens guardada
o mar, desajeitado,
em ondas lambe a praia
abraçando a manhã
em busca da tarde
o homem
anoitecido na fome
invoca outro tempo
nas areias do sono
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Do passado vindouro

resumo
tudo do tempo
é futuro
o passado
a longo uso
é só uma saudade
posta no discurso
pende-la para o mundo
é coisa de usa-la
em vindouro curso
9

Sonho em urgente despejo

o sonho
nem se media
pelos restos de sono
em que vigia
atravessado
nas paredes da mente
embaralhava os fatos
em onírica corrente
o homem, dado a si
impunemente
tentava derramar
o inconsciente
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Jornada I


plástica
a rua intensa
labora maio
na consciência
coletivo
o trabalho lembra
constrói o mundo
em paciência
súbito
nos degraus da história
da-se o homem livre
de suas cordas

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.