Lista de Poemas

dos introjetados tempos da vida

quando forem noites
as manhãs do medo
possa o tempo abraçar
as madrugadas do cedo
e acordar todas as horas
como um grande enredo
em que o homem
semeie pelos ventos
as vísceras do segredo
de ter-se como outro
habitante de si mesmo
15

Da concisão da vida

guardo o tempo
no arquivo da face
como um navegante
de todos os meus mares
as ondas do pensamento
as rugas da saudade
tudo que me leva
é um corpo distraído
com a certeza da vida
e a imensidão dos sentidos
nesse rápido pestanejar
que nos concede o infinito
5

Desamanheceres

desamanheço
os dias que não vivo
embrulhado nas noites
em que me digo
o sol
talvez pressinta
os desamanheceres
em que me sinta
é que o dia pleno
em que me faço madrugada
nem precisa do sol
clareando minhas falas
10

Dos atalhos em curso

os atalhos
nas ruas da vida
perdem o homem
em suas investidas
as passeatas
em vias coletivas
conjugam as voltas
e todas as idas
deixar-se único nas estradas
atropela o homem
e todas suas vias
8

Do Homem Gebelein

o Homem Gebelein
navega o passado
transeunte das horas
futuro derramado
múmia
dá-se à urgência
de compulsar as horas
em que se contenha
conterrâneo do tempo
habita a saudade
dos Egitos que viveu
na eterna idade
8

Da paixão em trânsito

a paixão
é só rompante
alicerce do depois
base do antes
baila no homem
como retraço
na construção diuturna
do conjunto passo
o amor
é o claro resultado
do condomínio erguido
nos terrenos do abraço
7

Da facção humana em curso

minha facção é ser humano
e dedilhar a vida
no acorde dos anos
habitar a luta
nos ombros dos fatos
e permitir-me coletivo
na unidade dos atos
minha facção
em todo curso
é a quadrilha do povo
construindo o futuro
10

Da pedra em enfoque corrente

a pedra é quando tanto
o tempo medra e quanto
gaveta da eternidade
da genérica substância
a pedra é um prefácio
lançado pelas encostas
nas eternidades que guarda
das andanças da história
a pedra é quase um abraço 
da energia preguiçosa das horas
17

Marinha cena

o oceano
discursava ondas
e lambia a terra
em suas sombras
tudo que lhe dizia
era o líquido rompante
de molhar a vida
como um navegante
de repente, sem aviso,
o relâmpago jogou-se
com notícias do infinito
6

Etária consecução

aos oitenta
dou de mim como tanto
o lento deslizar das pernas
o enredo exato de criança
o tempo, navegado,
semeado pela carne
nunca esquece o útero
nos nados da vontade
vive-lo adredemente
é só um certo alarde
que a vida constrói sempre
naquilo em que se cabe
7

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.