nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Poema de circunstância IV
a chuva
afagando telhas
derramava os céus
inventava cachoeiras
o menino
abraçando o riso
dava-se às águas
cheias do infinito
a manhã, encharcada,
nas faces do menino,
tinha uns gestos de fada
14
Paisagem marinha
a onda
bordava a praia
como tecelã privada
de suas águas
o barco
posto em descida
buscava na onda
deixar-se à deriva
o homem
largado no pensamento
esquecia a onda e o barco
nas entrelinhas do tempo
bordava a praia
como tecelã privada
de suas águas
o barco
posto em descida
buscava na onda
deixar-se à deriva
o homem
largado no pensamento
esquecia a onda e o barco
nas entrelinhas do tempo
8
Dos temporais da alegria
a emoção
chovia os olhos
como temporal
do seu avesso
a manhã
debruçava um riso
nas escaramuças
largas do tempo
o homem vigia pleno
nessa alegria molhada
esparramada no peito
chovia os olhos
como temporal
do seu avesso
a manhã
debruçava um riso
nas escaramuças
largas do tempo
o homem vigia pleno
nessa alegria molhada
esparramada no peito
6
Poema em sonâmbula faina
o poeta, dormindo,
em seu escafandro
mergulha nos verbos
todos seus oceanos
a palavra
em súbito desacato
acorda o poeta
em sobressalto
o poema,
solfejando o poeta
alinha sono e sonhos
nos ditos que intenta
em seu escafandro
mergulha nos verbos
todos seus oceanos
a palavra
em súbito desacato
acorda o poeta
em sobressalto
o poema,
solfejando o poeta
alinha sono e sonhos
nos ditos que intenta
10
Jornada em matinais recados
as manhãs
conduzem o recado
do sol claudicante
nos ombros da tarde
dão-se à velhice
página do tempo
clara certeza
do renascer isento
tardo as manhãs
quando intento
deixar de morrer
e renascer no tempo
conduzem o recado
do sol claudicante
nos ombros da tarde
dão-se à velhice
página do tempo
clara certeza
do renascer isento
tardo as manhãs
quando intento
deixar de morrer
e renascer no tempo
11
Faminta cosmologia
o cosmos
assim às pressas
passeava o infinito
em sua gesta
os raios
em súbito rompante
jogavam-se nos céus
como viajantes
o homem
deitado na calçada
passeava sua fome
como terreno cosmonauta
assim às pressas
passeava o infinito
em sua gesta
os raios
em súbito rompante
jogavam-se nos céus
como viajantes
o homem
deitado na calçada
passeava sua fome
como terreno cosmonauta
7
Escolares esperanças
a raiz
na quadratura da página
boiava no menino
as ondas matemáticas
o nascer da tarde
na lonjura do tempo
deixava-se paisagem
no véu do pensamento
a raiz quadrada do menino
era uma bola em movimento
na quadratura da página
boiava no menino
as ondas matemáticas
o nascer da tarde
na lonjura do tempo
deixava-se paisagem
no véu do pensamento
a raiz quadrada do menino
era uma bola em movimento
7
Etarismo em jornada
rugas
desenham a face
subterfúgios do tempo
estradas da idade
pergaminho do corpo
nas lonjuras do tarde
move-las
como disfarce
é só comete-las como saudade
da história vivida
adredemente descontada
as rugas apenas cometem
os tempos em que se sabe
desenham a face
subterfúgios do tempo
estradas da idade
pergaminho do corpo
nas lonjuras do tarde
move-las
como disfarce
é só comete-las como saudade
da história vivida
adredemente descontada
as rugas apenas cometem
os tempos em que se sabe
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.