Lista de Poemas

Poema a Dinalva Conceição

a bala
nem sabia
que Dinalva
não morria
seus olhos
fitavam a história
como um abraço
impresso na memória
e o dia
com o jeito do sempre
bordou Dinalva
nos ombros do tempo
12

Poemaetário

o laço da vida
braços do tempo
acobertam os anos
que temos por dentro
vive-los aos pulos
em novos inventos
é tecê-los intrusos
pelo pensamento
como asas do futuro
de pássaros urgentes
o voo atravessado no mundo
é o tanto de ser vivente
11

jornada intrínseca do tempo

o futuro
como máscara preventa
despacha nos autos
dos rasos da consciência
larga-se no passado
assim posto no presente
como fora um tempo
construído adredemente

os fatos montam no espaço
as horas do que se tente
7

Ego em cênica tese

o ego derrapa
em todas estradas
que viaja
tudo que lhe tange
é a máscara 
de ter-se tanto
quando nada

o ego é só fração
dos números que cala.
10

Travessias

navegando a cama
no oceano do sono
o homem dá-se mudo
aos estampido dos sonhos

escaramuças da vida
tecidas em rompantes
como se fossem recados
colocados em estantes

o homem transita onírico
as inadimplências dos instantes
16

Do acaso

o acaso
posto como avulso
é só um lapso
do discurso

tudo que o deixa tanto
é não deixar-se em uso
nas quânticas fugas do tempo
em que não deixou-se o futuro

o acaso é largo transeunte
quando sentido em seu curso
8

Privados rincões

meus rincões
traçados a muque
denunciam os sertões
do quanto eu pude

lanhados em sóis
em chuvas distantes
deram-se aos futuros
como prematuro transeunte

os sonhos de seus arquivos
navegaram todos meus instantes
6

Do futuro manifesto

já sem armas,
as mãos de todos
empunharão a alma
num grande alvoroço

no largo da história
o tempo, construído,
inventará espaços
nas brechas do infinito

os homens raiarão as horas
na intimidade dos dias
e a exata compleição
da liberdade da vida
5

rural memento

a enxada
beijando a terra
rasga a pátria
num carinho agrário
dos leirōes que medram
o camponês
regente confesso
escreve de si no roçado
como se fora um verso
o tempo pacato
na sua rural textura
alinhava as horas
nos ombros dessa luta
7

Fome em metragem

a fome,
arde como chama
adrede postagem
metahumana
círculo insólito
de lucro e drama
viga das ruas
monetária trama
até que o futuro obedeça
aos limites do humano
7

Comentários (10)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.