Lista de Poemas

Parto

do líquido,
navegante,
o feto inventa-se
transatlântico
atravessa a mãe
em súbito rompante
e deixa-se na vida
ainda itinerante
os mares do futuro
forjam a esperança
de que serão os portos
dessa nova andança
6

Líquida moção da vida

a vida é açude
nada-la em travessia
intenso mergulho
é vivê-la espalhada
nas ondas sonhadas
dos ombros do futuro
e nesse líquido compasso
molhada de alegrias
deixa-la arrebentar todos os muros

o tempo de vive-la como nado
é somente o jeito de dize-la em tudo
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Verbais cometimentos

subo nas estrofes
em verbais disputas
como se as palavras
fossem minha culpa
o poema só espreita
nos desvãos da mente
a hora de arrastar-se
como uma serpente
e o jeito de dizer-se
como pensamento
desemboca minha vida
na cachoeira do que penso
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Das andanças do futuro em rasa norma

o amanhã
é exercício
dos hojes vividos
em comício
os discursos dos atos
os fatos consentidos

o amanhã é escola
um futuro descampado
o tempo é vadio
quando não aconselhado
7

Pacífica intrusão

a paz,
guerra consentida,
cabe aos homens
derrama-la na vida
pelos trincos do mundo
nos ombros das avenidas
a paz
é discurso exato
das guerras consumidas
no abraço dos fatos
tudo que a constrói
é o roldão desses atos
os que demarcam a luta
os que apertam seus laços
6

humanos rompantes da natureza

a idéia, plástica,
deixa-se chama
astronave lógica
dos vãos da alma

o mundo veste o homem
com sua múltipla farda
de soldado natural
em civis jornadas

a idéia é coletiva sanha
em sinapses privadas
7

Gaia em humano sentir

a onda,
em pretensa calma,
jogava o tempo
nos ombros da praia

o pensamento
em intensa fala
rebocava palavras
no muro da alma

a paisagem tangia o homem
como autogestão de Gaia
6

Mescla vivente

a tristeza
é só descompasso
que a alegria permite
em seus saltos
dizê-la adrede
em cada investida
é enganar o riso
nas costas da vida
a construção do ser
nos vincos do tempo
cabe na vontade e nos atos
pelo pensamento
7

Construção

a felicidade
é um trânsito
entre o homem
e seu ânimo

constrói-se, avulsa,
em paisagem magra,
quando jaz propaganda
nos ombros das palavras

ousá-la arquiteta de si
é trazê-la como arma
transeunte frequente
das ruas da alma
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Passeata em curso prestante

no leito da rua
como uma ferida
o jeito da luta
dói a vida
a multidão
dá-se à andança
resumindo nos passos
a coletiva dança
o futuro apenas ressona
um gesto itinerante
como se abraçasse
o tempo à distancia
7

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.