Lista de Poemas

Das humanas jornadas divinas

deus
ensimesmado
dera-se a tudo
ou fora dado
nessa ânsia bruta
de ter-se
ou tê-lo incontrolável
o homem,
ensimesmado,
deu-se à paixão
de tê-lo acomodado
operando a quântica intenção
de declara-lo
6

verbais instintos das letras

palavras
são estopins
ou já mordaças
tudo que as monta
sempre declara
o viés exato da vida
em que se instala

tece-las como neutras
é exercício inócuo da fala
6

do homem em fardos próprios

o desejo
traspassa a vontade
num gesto ontológico
de liberdade

dá-se a tanto
como embrulho lógico
das funduras do ser
em gesto óbvio

o desejo constrói-se homem
como natureza em ato próprio
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Histórica vazão

crente de si
a história estica
as léguas de tempo
em que habita
futura-se passada
no presente que lida
nos gestos do povo
que conjuga a vida

a história é só uma manhã
com tardes escondidas
6

Da esperança em trajeto

a esperança
é um futuro quântico
tudo que a move
é o ânimo

alinhava-la aos fatos
como intensa fala
é maneira vigilante
de escolta-la

deixa-la perambulando
em vincos da memória
é como derrama-la inepta
nos ombros da história
7

Direçōes soníferas

o silêncio enchia a noite
como um verbo mudo
tangendo as pálpebras
sobre a face do mundo

o sonho,
no avesso do tempo,
derramou-se quântico
nos degraus do pensamento

e a vontade, embutida no sono,
espalhava sinapses aos ventos
6

Parahyba em líquida menção

o Sanhauá
lambendo Parahyba
inventava nas águas
um disfarce de vida
como se fora um mar
deixado à deriva
a canoa
em passos navegantes
fingia seu caminho
como um transatlântico
o pescador, remando o tempo,
guardava as horas no pensamento
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Dos cangaços de mim

coiteiro de mim,
dou-me ao cangaço,
de guerrilhar a vida
em todos os abraços

nos sertōes do tempo,
na liquidez das horas,
palavras são armas
de afagar a história

o amanhã é só a trilha
em que o futuro se joga
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Onírica jornada

no raso da manhã
assim como um triz
o sonho desmanchou-se
numa cicatriz

o homem,
descampado
deixou-se do sono
aos pedaços
e arrumou na mente
o sonho em cacos
6

Da concreta fala

a palavra
intenta fatos
debruçada no tempo
dos vazios da alma
dói nas faces
como se fora faca
nos verbais palanques
que desata
a ação verbaliza
nos músculos do ato
todas as palavras
que desarma
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.