AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
314 594 Visualizações

Marítima alusão da vida

no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro

atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho

Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3639

Rio em definição restrita

o rio,
veia da mata,
desenha o mundo
em suas águas
as cachoeiras
que prolata
molham indígenas
e os ombros de Gaia
verso fluvial
nem percebe
o infinito de si
em que se mede
21

Das metragens subjetivas

há indícios:
as poucas quantidades
dão-se a infinitos
tudo que as medem
em claro arbítrio
constroem largos
todos seus milímetros
há que dize-los tanto
o homem a seu juízo
sentindo o que de vasto
caiba nos degraus do seu ofício
19

Ferroviária jornada

o trem,
pisando os trilhos,
anunciava caminhos
em seus ritmos
a paisagem
surpreendida
pintava quadros
nas janelas da vida
o menino
adiantando o destino
palmilhava todo o trem
com os passos do riso
25

dos quebrantos da alma

a alma
é tão sucinta
quanto os infinitos
que pressinta
medi-los
como subjetivos
mascara o fato
de senti-los
a alma é só um recado
que a matéria traz consigo
19

Réguas compassadas

meu compasso
no vão da vontade
é largar-me vário
mesmo unidade
e do dizer-me tanto
restar-me em pouco
quando atravessado
nos caminhos do povo
o poema alinhavado
é só um indício
das razões que tangem
meu ofício
29

Humano contrato

sob a pele
talvez não caiba
o grito insurgente
dos milhões de áfricas
células originárias
do humano artefato
jogadas em semeadura
com a vida nos braços
sob a pele
talvez o dia saiba
que o noite é irmã
nos arquivos da alma
15

Clandestina passagem

na praça
deixava-se a tarde
no curso manifesto
da clandestinidade
os olhos
em vigilância grave
como telescópios
singravam a paisagem
no peito do militante
o tempo disparava
construindo um gosto do povo
arquivado na alma
14

Sonho a sono e salto

na calada da noite
o coração cogita
embrenhar-se no tempo
afagando a vida
deixar-se militante
nos sonhos que tramita
pela madrugada
no ventre das horas
o tempo derramado
espalha a história
nos degraus do sono
no colo da memória
15

Das voltas do tempo

o amanhã
talvez não caiba
nos futuros ditos
pela fala
o tempo
posto como fato
transpõe o verbo
em desacato
o homem
ao ontem abraçado
esquece do futuro
como um salto
29

cubana sinergia

no peito da ilha
o mar declama
as águas que joga
em suas ondas
no peito do povo
a manhã inflama
todas as razões
por que se ama
e de serem bastantes
dão-se ao tempo
de bater o coração
no colo dos ventos
20

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado