Lista de Poemas

Das manhãs pensantes


debruçado
na manhã nascente
o sol esquece o tempo
nos olhos da gente
adianta uma tarde
assim mansamente
nos futuros pensados
varandas do pensamento
a vida é manhã baldia
nos braços e na mente
é assim como se fora usina
de criar o que se sente
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Do sertão corrente

sertão
de ser tanto
de ser sol
de ser manto
de cobrir o tempo
de cactos e espanto
da fome espraiada
pelos cantos

sertão
de ser trânsito e uso
de toda a paz
debruçada no futuro
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Cena de infância

a lamparina,
sem espalhafato,
instaurava sombras
com seus fachos

o filho
envolto em mãe e sede
tentava furtar-se à fome
na parcimônia do leite

o mundo, constrangido
refletia-se em tudo
respirando inadimplente
os ares do latifúndio
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João Pedro em chuvoso afago

a chuva
debulhando a terra
chorava no roçado
nas sementes e nas pedras
o camponês,
chovendo seus olhos,
num imenso abraço
olhava a terra perfumada
no seu rural espalhafato

a vida molhada sorria
a largura imensa do fato
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Do amor em larga senda

o amor
como produto
é usina do tempo
laivos do futuro
deitado na vida
rastro da natureza
deixa-se pelo homem
em consciência de si mesma
o amor é onda
de um mar constante
que atravessa as horas
como largo militante
construtor de sonhos
em todos seus levantes
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Das ausências pressentidas

deixo a tempo
todos os anseios
nas tardes que cumpro
as manhãs que esqueço
os vincos da memória
espalhados pela vida
arquitetam ausências
nas fugas que insistem
arquiva-las em ordem
como paradigmas
desconfortam o tempo
como tempero da vida
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Do poema em voo e trâmite

o poema,
torna-se autor, em riste,
nos sonhos do poeta,
das alegrias que insiste

andorinhas verbais,
palavras são matizes
dos tempos ancestrais
nos futuros que dizem

o poeta apenas as engaiola
com os voos que finge
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Vital jornada

como não ter ânimo
se a vida brinca
nos neurônios?
usina de si,
nessa larga senda
a vida (des)acontece
como humana moenda
coisa de inventar o mundo
na esteira do que tenta
ou prostrar-se confusa
em dizer-se avença
abraçar-se com o tempo
é seu jeito de presença
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Palavras a Soledad Barrett Viedma

tuas veias
serão estradas
no futuro exato
do que lutavas
tua morte
tremulará a história
como uma bandeira humana
nas andanças das horas
teus poemas
habitarão insones
as vias da lembrança
no coração dos homens
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Futuro em largo manifesto

havera um dia
com manhãs isentas
em que se derrame as horas
sem a parcimônia do tempo
haverá uma tarde
em que será a norma
determinar que os homens
construam juntos a história
haverá uma noite
em que todo pensamento
boiará no sonho de todos
como um coletivo sentimento
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.