Lista de Poemas
Paisagem
a cachoeira,
debruçada no tempo,
tangia, gritando, o rio
nas correrias do vento
a vida,
escorrendo pelos olhos,
pintava de alegria
a alma farta do povo
a cachoeira rugia na mata
um jeito manso de alvoroço
debruçada no tempo,
tangia, gritando, o rio
nas correrias do vento
a vida,
escorrendo pelos olhos,
pintava de alegria
a alma farta do povo
a cachoeira rugia na mata
um jeito manso de alvoroço
7
Declaração
a poesia
não pode dar-se à vaidade
de ser apenas bálsamo
da realidade
construir-se avara
sem o suor das cidades
afastar-se da vida
montando verbais disfarces
a poesia é sentimento
da humana liberdade
em postar-se em palavras
ou derramar-se em fatos
não pode dar-se à vaidade
de ser apenas bálsamo
da realidade
construir-se avara
sem o suor das cidades
afastar-se da vida
montando verbais disfarces
a poesia é sentimento
da humana liberdade
em postar-se em palavras
ou derramar-se em fatos
6
Temporais submissōes
o tempo gasta as horas
como um rio em cachoeira
o homem precisa nada-lo
com uma certa certeza
para poder arquiva-las
nas saudades que queira
o tempo é só um espaço
de guardar lutas construídas
as que se façam sozinho
as que se tenha como coletivo
como um rio em cachoeira
o homem precisa nada-lo
com uma certa certeza
para poder arquiva-las
nas saudades que queira
o tempo é só um espaço
de guardar lutas construídas
as que se façam sozinho
as que se tenha como coletivo
7
Das vitalícias razōes de todos
no mundo
tudo é vitalício
a matéria perdura
desde o infinito
até no homem
cumpre-se a métrica
de morrer-se abraçado
à matéria genérica
a vontade de ser eterno
é só um gesto
de dizer-se prematuro
nesse último manifesto
tudo é vitalício
a matéria perdura
desde o infinito
até no homem
cumpre-se a métrica
de morrer-se abraçado
à matéria genérica
a vontade de ser eterno
é só um gesto
de dizer-se prematuro
nesse último manifesto
8
Lunares vivências
a lua,
quântica
derrama saudades
na lembrança
no céu
como bólide manso
flutua nos olhos
como uma dança
o homem, abraçado a si
constrói-se em fundo transe
nas esquinas do tempo
que espaço tange
quântica
derrama saudades
na lembrança
no céu
como bólide manso
flutua nos olhos
como uma dança
o homem, abraçado a si
constrói-se em fundo transe
nas esquinas do tempo
que espaço tange
11
assobios navegantes
as ondas assobiadoras
talvez ouvissem no tempo
os assobios do menino
chamando o vento
e o cosmos, ofegante,
soprava mansamente
como se afagasse terno
os pedidos da gente
o cosmos vige em mim
como um braço permanente
talvez ouvissem no tempo
os assobios do menino
chamando o vento
e o cosmos, ofegante,
soprava mansamente
como se afagasse terno
os pedidos da gente
o cosmos vige em mim
como um braço permanente
12
Indígena ilação
meu cocar
tremula a consciência
como um grito exato
da primitiva avença
construi-lo transeunte
das matas que declara
nas digitais informes
do mundo em passeata
até que a indígena manhã
invente os futuros da alma
tremula a consciência
como um grito exato
da primitiva avença
construi-lo transeunte
das matas que declara
nas digitais informes
do mundo em passeata
até que a indígena manhã
invente os futuros da alma
7
Dos contrapontos em fatos
a crise
posta em culpas
é só um alvoroço
do fim da luta
o fato
resultante dessas guerras
apenas dá-se como resultado
das contradiçōes que encerra
tudo é um contraponto
que em si mesmo prolifera
de tal o contrário é tanto
em resolver-se pela matéria
posta em culpas
é só um alvoroço
do fim da luta
o fato
resultante dessas guerras
apenas dá-se como resultado
das contradiçōes que encerra
tudo é um contraponto
que em si mesmo prolifera
de tal o contrário é tanto
em resolver-se pela matéria
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.