nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Faminta exação das horas
rasa,
a manhã suporta
um pouco de carne
ao redor dos ossos
como se fora um grito
grávido de revolta
o homem, apartado de si,
como uma gaivota,
voa sua fome
em todas suas portas
a cidade nem pressente
as ruas que choram
a manhã suporta
um pouco de carne
ao redor dos ossos
como se fora um grito
grávido de revolta
o homem, apartado de si,
como uma gaivota,
voa sua fome
em todas suas portas
a cidade nem pressente
as ruas que choram
6
Da coletiva razão do povo
a construção da vida
e dessa condição humana
são atos sempre de todos
são fatos de grave chama
nada das gentes
dá-se como exclusivo
tudo é pleno do povo
nas ondas de seus gritos
os que acordem o mundo
os que chamem o infinito
tudo de dize-lo tanto
é tê-lo sempre coletivo
e dessa condição humana
são atos sempre de todos
são fatos de grave chama
nada das gentes
dá-se como exclusivo
tudo é pleno do povo
nas ondas de seus gritos
os que acordem o mundo
os que chamem o infinito
tudo de dize-lo tanto
é tê-lo sempre coletivo
11
indígena menção da vergonha
o yanomami, em ossos,
discursa a pele
como uma navalha magra
no punho da terra
carne
na pouquidão de ainda vida
escreve no tempo
uma vergonha infinita
da ação dos homens ruge
a suja condição de parasitas
discursa a pele
como uma navalha magra
no punho da terra
carne
na pouquidão de ainda vida
escreve no tempo
uma vergonha infinita
da ação dos homens ruge
a suja condição de parasitas
10
Das lonjuras volitivas do horizonte
o horizonte
posto na memória
deixa rastros do futuro
pelas córneas
escreve paisagens
nos sonhos que invoca
tê-lo viajante
pelo vão dos olhos
é fazê-lo constante
nos braços das horas
o horizonte é um sonho
grávido de demoras
acha-lo assim longe
é construir em tudo a história
posto na memória
deixa rastros do futuro
pelas córneas
escreve paisagens
nos sonhos que invoca
tê-lo viajante
pelo vão dos olhos
é fazê-lo constante
nos braços das horas
o horizonte é um sonho
grávido de demoras
acha-lo assim longe
é construir em tudo a história
7
Das avenças coletivas do caminho
deixo-me em mim
quando parto
e o destino no outro
é meu compasso
a vida é esse trafegar
na correnteza dos passos
o coração molhado na razão
é só um jeito do recado
em dar-se, assim coletivo,
às recorrências humanas do fato
quando parto
e o destino no outro
é meu compasso
a vida é esse trafegar
na correnteza dos passos
o coração molhado na razão
é só um jeito do recado
em dar-se, assim coletivo,
às recorrências humanas do fato
8
Das vias mundanas da pátria
as veias da pátria
são vias avessas
o rumo que as leva
ressoam no peito
como uma fala privada
num coletivo estreito
as veias do mundo
são vias do futuro
na pátria geral dos povos
no discurso de tudo
são vias avessas
o rumo que as leva
ressoam no peito
como uma fala privada
num coletivo estreito
as veias do mundo
são vias do futuro
na pátria geral dos povos
no discurso de tudo
8
Fluviais andanças de mim
saio de mim
viajante sorrateiro
nas andanças alheias
em que passeio
corrente,
deixo-me rio,
nas cachoeiras que monto
com meu riso
desembocar num vasto estuário
é só um detalhe desse rito
viajante sorrateiro
nas andanças alheias
em que passeio
corrente,
deixo-me rio,
nas cachoeiras que monto
com meu riso
desembocar num vasto estuário
é só um detalhe desse rito
8
Minha terra
O céu da minha terra
tem um jeito diferente
é assim como se o tempo
quisesse brincar com a gente
e derramar pelos olhos
uma certeza urgente
tem um jeito diferente
é assim como se o tempo
quisesse brincar com a gente
e derramar pelos olhos
uma certeza urgente
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.