da arte em jornada pública
a arte, em ondas,
habita a vida
nas roupagens
em que se vista
dize-la alheia
ao trânsito das ruas
é entorná-la reticente
nos palcos em que flutua
a arte é bailarina exata
das humanas composturas
dos pensares da jornada
dos caminhos que sei
nos pés e na cabeça
talvez não caibam os passos
e as sinapses que mereça
na jornada da vida
andar é largar-se humano
nas veredas do espaço
nas vielas dos sonhos
as estradas do tempo
são os risos em que nos pomos
Da palavra como vida
a palavra discursa
como fala
todo conteúdo
do que cala
dizê-la só trejeito
de um gesto comedido
é esquecê-la como verbo
de dizer a vida
a palavra vale enquanto
seja um tanto das avenidas
composta como retrato
de todas as tentativas
Poema em latência mundana
o poema
habita os futuros
tenha de pouco e tanto
ou que sonhe de tudo
nada do que lhe entorna
dá-se como ausente do mundo
o verbo é sempre norma
de transitar o discurso
montado nos ombros da vida
tangendo todos os cursos
como se fosse vontade
de comandar o seu uso
Relâmpagos comícios
relâmpago,
o comício aguça
nos ombros da rua
o cheiro da luta
o verbo
em cachoeiras
discursa o tempo
como bandeira
no meio do trânsito
das rédeas do novo
os homens bebem palavras
com jeito de povo
gramaticais instâncias do verbo
dou-me à palavra
como um desenho
que, moderno, arma
os gatilhos do verbo
os estampidos da alma
o dizê-las assim,
gramaticadas,
endossam as entrelinhas
do que são as falas
as palavras estão grávidas
desde que pronunciadas
Tribais ensejos do particular
indígena
dá-se à tribo
como um ser plural
e indiviso
da multidão
que guarda em si
esculpe-se indivíduo
tecendo o porvir
indígena larga-se no mundo
como um pedaço de tudo
Poema de circunstância X
na garupa dos anos
os olhos, sem tristeza,
jorram a cada instante
em que a vida seja
dá-se ao pranto
docemente escorrido
como se fora um discurso
com jeito de sorriso
a emoção, assim provecta,
tem coisa do infinito
De Mãe Senhora e Verger em obrigação
na cabeça de Verger,
Mãe Senhora, em cantos,
solfejou os orixás
e fotografou o espanto
Verger, ensimesmado,
tangia as emoçōes
como um descrente repleto
de suas graves pulsações
Mãe Senhora atiçava o tempo
debruçado em suas mãos
Das andanças em notas e caminhadas
nas teclas do piano
palmilhando compassos
o músico inventa seu riso
nos bemóis a que se abraça
do raso dos dedos
caminhando o teclado
o pianista tece a trama
de notas abraçadas
a música é só um comício
numa grande passeata
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.