Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: cacal.ortiz@hotmail.com (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
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Lista de Poemas
LEVE
Quanto teu peito
Colore o mundo
Por onde passa
Essa missão
É tão vasta
Borboleta, qual teu segredo?
Vou te contar:
Para voar
Basta ser livre de preconceitos
E ela voa
Contra o vento,
Contra o frio
Borboleta, onde pousaste
Naquela flor
ou beira-rio?
E então saiu
batendo as asas
colorindo o mundo
ANO: 1998
SALOMÉ
que rufem os tambores
aqui é só alegria
saiam da rotina
Menina e dançarina
Salomé
a rainha desse cabaré
por favor,
todos em pé
Ela pode te olhar
um rebolado afinado
um decote de matar
e um beijo bem molhado
Salomé é tentação
moça quente e travessura
ela toca sua alma
a fogosa gostosura
Entre plumas e paetês
ela faz malabarismo
mexidinhas pra vocês
sua boca tem sorriso
A mulher virou de costas
sutiã ficou nos pés
ela sabe o que tu gostas
essa é a Salomé
Aquela noite estava quente
e a platéia delirava
um estranho forasteiro
fixamente à ela olhava
Jeremias era o nome
do homem sem paradeiro
ele, antes, um matador
era, agora, seu prisioneiro
Lhe pagou muita bebida
embreagou no seu sorriso
ele, cabra-macho nordestino,
por ela estava perdido
Dançaram juntos na multidão
e amaram-se na escuridão
Salomé, a dançarina
rebolava como menina
O dia amanheceu
e o matador acordou
Salomé abriu os olhos
e um grito escapou
Me discurpa, minha amada
muié boa e tão bandida
vim de longe pra essas bandas
pra colhê a tua vida
Alguém da cidade
bom dinheiro me deu
pra acabá com a muié
que traiu o nome seu
Salomé, atordoada,
lembrou-se da situação
traiu com novo menino
o Coronel de São João
Jeremias atirou
impiedoso, assegurou
estava morta Salomé
na cama rosa do cabaré
Essa é história de uma deusa
da vida noturna, soturna
aplaudam meninos e meninas
porque a vida continua
ANO:2020
UM ANJO MISERÁVEL
Seu mundo é a rua, a calçada, as esquinas, os motoristas zangados. Sua música é o som dos carros, ônibus, motos e caminhões que cruzam a avenida, deixando o calor do combustível desperdiçado na correria em vão do dia a dia. Seu quadro é pintura inesquecível do céu acinzentado , sufocante e poluído da cidade. O frio que chega da noite diz que é tempo de se recolher, talvez para debaixo de algum lugar.
As horas passam e chega o entardecer. Teve sucesso, dinheiro pra um lanche! Com os bolsos cheios de moedas, estampa um sorriso no rosto e entende que não é tão estranho sorrir.
Prepara-se para ir embora quando avista uma mulher com um bebê. Ela está deitada com sua cria, que berra de fome em cima de trapos imundos e rasgados.
O menino, sujo e fedorento, atravessa a rua e entra no bar mais próximo. Todos o olham com medo. Será um assalto? Será que viverão à essa catástrofe que assola o homem branco de bem, contribuínte da sociedade?
O mesmo garoto compra um litro de leite e volta para aquele resto de ser humano abandonado com seu filhote do outro lado do paraíso. Num gesto de ternura, oferece a bebida à nova vida que, impaciente, grita pedindo a comida que a mãe não pode lhe dar.
A mulher sorri e agradece. Deus lhe pague!
O menino segue seu caminho mais miserável e feliz do que nunca, pois sabe que contribuiu para que uma nova pessoa sobreviva mais um dia.
ANO:1998
NAQUELE LUGAR
se encontrava um vão
unindo homens do nada
aos homens do tudo
então,
numa dança,
formava-se o mundo
ANO: 1995
DESPEDIDA
Penso no que já aconteceu
Vivemos um romance de cinema
Mas vi você chegar e dar adeus
Hoje, solitário nesse quarto
Fumo um cigarro pra esquecer
Entregue nessa dor dessas feridas
Me perco em lembranças de viver
Ao seu lado
Tudo é um paraíso
Mas fecho os olhos,
Tranco os sonhos
De um mundo esquecido
Fácil é chegar
Difícil é dar adeus
Escrevo cartas
Sem destino certo
E escuto o que o silêncio quer dizer
Mas passo horas nesse mar deserto
Só pra tentar te rever
E ao seu lado
Tudo é um paraíso
Mas fecho os olhos,
Tranco os sonhos
De um mundo esquecido
Fácil de chegar
Difícil de despedir
Entreguei a minha vida
Doei os meus sonhos
E quis estar ao seu lado
Mas não consegui
ANO: 2005
ODE À QUALQUER COISA
ou a vida é um círculo
basta ver a sua dança
e encontrar-se num penhasco
interno, materno, um asco
quer fugir
ou fingir
que é cego
Esperar até nunca!
E ver o amanhecer
ANO: 1993
INFÂNCIA (INFANTICÍDIO ADULTERADO)
no clarão do pensamento
trás de volta a saudade
de um longo e bom tempo
onde a árvore florescia
e as nuvens coloriam
a infância complicada
de um futuro inseguro
um adulto rodeava
os pesadelos esquecidos,
apagados pelo vento,
pela dor de reviver
foi o passado o presente
foi o futuro o passado
a confusão não foi ausente
e nada mudou por completo
Minha boneca já chorou,
já sangrou, já lutou
enfim, cansou e encostou
no canto amaarelo do armário
foram poesias de ilusão
e quando cantavam para adormecer
queriam vendar uma criança
dessa longa e confusa
infância
que se fez no tempo
foi mentira?
Quem se importa
com o sentimento
de uma pessoa que
ainda não é nada?
Boi, boi, boi
boi da cara preta
pega essa criança estragada
adulterada
estrupiada
que tem medo de careta...
ANO: 1995
UM GESTO NO VAZIO
e o beco está escuro
vejo a luz aqui de fora
mas a garagem
é sombria
noite que me persegue
Estão todos lá dentro
trancados,
mundinho particular,
ouço ecos de palavras
mal articuladas
e a solidão de existir
Temo ir em frente,
as estradas são opostas
e a confusão está ofuscando,
chamando para o além
O que é viver?
Uma dor de ilusão?
Cacos mal vividos?
Uma trégua?
Purgatório?
Me tocar,
asas angelicais,
vôo panorâmico
na cidade cimentada,
uma queda,
vertigem,
para algum lugar
no eu
ANO: 1998
O ENCONTRO
que os olhos briharam
e os corpos se tocaram
seu sorriso era puro
e o sentimento, inseguro
foi assim que, de repente,
vendo a cena de euforia
seu destino se agarrou
no momento de alegria
e então teve certeza
que diante de seus olhos
estava o amor verdadeiro,
o seu companheiro
pro resto da vida,
era certo,
concreto
Foi num dia tão comum
que aconteceu o especial
ANO: 1996
Comentários (6)
Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.
Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.
Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.
Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.
Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.