Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :) Se quiserem se corresponder, e-mail: [email protected] (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros: https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber
As portas estão trancadas e o beco está escuro vejo a luz aqui de fora mas a garagem é sombria noite que me persegue Estão todos lá dentro trancados, mundinho particular, ouço ecos de palavras mal articuladas e a solidão de existir Temo ir em frente, as estradas são opostas e a confusão está ofuscando, chamando para o além O que é viver? Uma dor de ilusão? Cacos mal vividos? Uma trégua? Purgatório? Me tocar, asas angelicais, vôo panorâmico na cidade cimentada, uma queda, vertigem, para algum lugar no eu
ANO: 1998
336
MENINO
Menino da flanela A fome que se vela Une todos à mesma panela Um garoto magricela Ouvindo Hino com voz rouca Suas ilusões são poucas
ANO: 1993
312
A CAMA
Foi ali que tudo se fez: os maiores amores de uma vida, escondidos sob lençóis desgastados, desbotados, de anos de existência
Minha primeira dor, meu grande amor, tudo ali registrado, com o tempo amarelado e na sua estrutura solidamente eternizado
Quando nasci, fui naquela cama parido Entre lágrimas, angústia e dores o primeiro contato com o amor: minha mãe me segurou, apesar de tanta dor
Minha primeira grande febre fiquei noites tossindo e acordado mas estava feliz tinha mamãe ao meu lado A madrugada veio e com ela o desespero: no meio do sono profundo molhei o lençol inteiro Não acreditei que fiz xixi justo na cama em que nasci!
Cinco anos se passaram e para o interior mudei, a cama foi conosco e ali que me curei Na tempestade tive medo, trovões gritantes e pesadelo A cidade apavorante despertou meu desespero Minha mãe me abraçou, pediu calma e me confortou Desde então nunca temi as tempestades pelas quais vivi
Já adolescente, a primeira namorada que, digo verdade, até hoje, por tanto tempo é por mim amada Naquela tarde de verão, minha mãe e meus irmãos foram para cidade viajar eu fiquei sozinho para minha musa encontrar Entre travesseiros e curiosidades de dois adolescentes de quase a mesma idade, tudo foi acontecendo, e nosso amor crescendo Testemunha foi a cama daquela louca chama Naquele inesquecível bê-a-bá eu aprendi a amar
Entre dias e correrias, de namorada passou a esposa e já adulto e maduro, naquela noite infeliz, no meio do escuro atendi ao telefone A voz rouca me dizia que àquela cama eu voltaria
Cheguei com esposa e filhos embaixo do temporal Aos prantos olhei no quarto, pois não tinha hospital Soluçando, segurei suas mãos, com um aperto no coração, trêmulas, diziam adeus falei de amor e beijei os lábios seus Naquela hora meu peito doeu, mas tive que aceitar: minha mãe morreu
A partir daquele dia toda a nossa grande família como mágica se separou mas eu fiquei com a cama que sempre me acompanhou
Meus filhos dormiram lá e minha esposa também Hoje, porém, é um triste dia que, apesar da alegria, minha neta ali deitada talvez nunca irá saber que a cama tão antiga, tão cansada e tão vivida foi abrigo de minhas histórias, meus amores e minhas glórias Hoje a cama vai ser queimada e na memória guardada Sob seu lençol amarelo, toda a história de um velho Vou apagar o que ocorreu destruindo a cama que, destino, o cupim comeu
O amor de uma vida toda se perdendo entre cupins Talvez seja uma tola história mas é o conto que a vida quis
ANO: 2004
745
ROSTOS APAGADOS
Roberto, Fernando, Edson, Eduardo, são tantos nomes que minha agenda não guardou Nessa imensidão desse cômodo apertado onde ecoa o vazio, cheio de pessoas risonhas, espero você, Giovane, ou talvez seja Maurício Então apague a luz e venha me sentir, me tocar, me cheirar, me beijar, só não ligue, Daniel, se eu, por algum motivo, lhe chamar de Adriano, é que são meros nomes sem importância alguma para mero desejo vulgar
ANO: 1998
286
ONDE FICA?
Não é negócio de puro ócio, é mais profundo, um "estar no mundo" que aconteceu de ilusão, insatisfação e tensão Como?
Ei, seu moço me diga onde fica a minha querida existência na vida?
Não sei se é lá, aqui, acolá só sei que preciso dizer o que digo pra quem quer ouvir sentir meu cansaço, meu medo, meu asco mas não estar aí portanto não sei que porta irei se vou escolher falar, eu calei todas as rimas
...palavras nos levam à ira do nicho das vozes que consomem o âmago de um homem só...
ANO: 2020
326
DISRITMIA BULÍMICA
Bole com o belo, com o bolo, ballet, bolacha de leite bombom e chiclet Bole com a vida vontade de ver vitória no espelho, ventre de vento visão de bebê Bole com as coisas com o que sente e tem Bole com tudo comer é um bem Devora comida, imagem, estima, devora a vida sentida à deriva gordura, caloria devolve podridão da massa falida nostalgia, anemia Devora, vomita, vomita, devora visão definida sexo preferencial vida assumida suicídio fatal Bole, bulímica beleza beijada flor amargurada e os pulsos nus no final, são cortados pela faca dourada, pelo desejo de morte e ser forte é tudo o que quis mas não desejou...
ANO:2003
308
PAUSA
Oi, lembra de mim? Espero que não, porque vou te assombrar, te sugar, te chicotear, te maltratar e te fazer PARAR
...
Entra e sai da minha mente e confunde o que já é confuso CHEGA!!!
... (silêncio)...
...a-ma-nhã vou te tor-tu-rar...
PAUSA
ANO: 1999
345
JOGADOS DE LADO
Eram todos os sonhos jogados de lado, até que um dia um jeito diferente tornou-se padrão e o que estava largado fez-se normal na mesma proporção
327
COTIDIANO
Trancou os sonhos fechou seu livro estava livre mas infeliz Calou-se no soluço olhou a vida e nada fez Esperou, esperou, esperou... Passava horas, às vezes dias, na multidão dormia pouco comia resto sentia o vazio e a certeza que seu trabalho era a salvação, a união de dois mundos: humano, sombrio Mas, tudo bem, mesmo que fugisse, mesmo que gritasse, mesmo que se escondesse, o monstro, terror total, o cotidiano, talvez o maior medo e mais mortal iria te achar, te devorar e fazer dos seus dias, por mais cheios de alegrias, fossem todos iguais Então fechou os olhos e saltou para o vazio
ANO: 2000
332
O ENCONTRO
Foi num dia tão comum que os olhos briharam e os corpos se tocaram seu sorriso era puro e o sentimento, inseguro foi assim que, de repente, vendo a cena de euforia seu destino se agarrou no momento de alegria e então teve certeza que diante de seus olhos estava o amor verdadeiro, o seu companheiro pro resto da vida, era certo, concreto Foi num dia tão comum que aconteceu o especial
Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.
ademir domingos zanotelli
Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.
Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.
Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.