FLORES
No arco-íris do teu olhar eu encontro flores;
Na manhã de cada primavera alimento-me de amores;
Do nascer ao sol se pôr eu encontro flores...
Nos dias de chuva e calor eu encontro flores;
Na nudez do teu corpo eu encontro flores;
Nos teus beijos sedosos eu encontro flores...
Nos sonhos do teu coração eu encontro flores;
Em cada acorde da canção eu encontro flores;
Nas poesias dos teus gemidos inexprimíveis, eu encontro flores;
Nas razões do teu sorriso eu encontro flores...
Em cada sonho de amor eu encontro flores,
De sorte que, no jardim do amor eu planto flores só para amar-te;
E no resplendor do teu acalento eu encontro os tesouros
Que desnudam minha alma, soltam minhas algemas
E reflorescem o aroma das rosas no suspirar das madrugadas.
-Charlan Fialho
O BEIJO
O beijo entorpece os desejos da alma,
Liberta-a dos grilhões da solidão
É o pecado mais gostoso de se cometer,
Arrepia, encaixa, estraçalha,
Transporta-nos para uma dimensão além do tempo.
O beijo revigora o espírito,
Rejuvenesce os olhares, refaz os sorrisos...
É a injeção que nos entroniza nos acordes da paixão.
O beijo é o grito impudico que não adoece ninguém;
É a ventania que desmancha a vil melancolia;
É a poesia dos lábios que intensifica o coração;
Solta os gemidos da boca numa dança sensual
Onde a alma é despida sem rasuras, nem amarguras.
O beijo limpa as feridas da alma,
apaga as delinquências do coração;
Para o tempo da intimidade
E permite aos amantes sonharem com a eternidade.
-Charlan Fialho
MULHER
Mulher, ser maravilhoso
Que nasceu fruto do amor
Sua vida é preciosa
Os pássaros cantam em seu favor.
Mulher que ama a vida
Se entrega aos sonhos
Guerreira, mãe, bem vivida
Carrega perfumes que encantam.
Mulher que denota alegria,
Pureza, fervor e fantasia
Arrebata a alma desvestida
Que liberta o coração da solidão.
Mulher, céu azul de emoções
Colar chamejante cheio de inspirações
Sombra viva e amável da felicidade.
-Charlan Fialho
QUE TIRO FOI ESSE
Que tiro foi esse?
Acertou o coração com sopapo,
Expandiu o sorriso, atingiu meu mundo,
Derrubou-me; pegou-me de frente...
Senti pólvoras em seus abraços.
Que tiro foi esse que tá um arraso?!
Acabou com meu cansaço,
Colocou-me de cabeça para baixo,
Fez-me sacudir os pés na cara da solidão!
Que tiro foi esse?
Que nivelou meus sentimentos...
Situou-me no tempo,
Acabou com o sofrimento,
Deu-me asas para sonhar.
Que tiro foi esse que tá um arraso?!
Sapecou a vértebra do meu amor,
Desfez o amor em pedaços,
Disparo que não causou dor.
- Charlan Fialho
EMENTA DO AMOR
O amor é um espelho lilás,
Sua mística reflete-se em cada amanhecer.
Ele é um poema bordado de cores,
Uma liturgia sem etiquetas.
O amor se quebra entre os espinhos.
Sua força não suporta a falta de mutualidade.
Ele é uma talha que serve para guardar
As águas do coração.
O amor não aprova os holofotes do egoísmo.
Sua maquiagem não borra os olhos da paixão.
Ele é uma úlcera que não deixa manchas.
Seus nódulos não inflamam.
O amor pode sobrepujar suas versões,
Sem cicatrizar as lembranças do tempo.
Mas, guardar um coração que precisa se regenerar,
E o soltar das amarras do desalento.
-Charlan Fialho
LAMBIDA AMOROSA
Lamba todo esse amor
Sem repulsa, lambuze minha pele
Com o calor da tua excitação,
Espalhe teu tesão por todo meu corpo.
Jogue teus lábios em meu tesão,
Não esfrie meus gemidos,
Deixe-me morrer de prazer,
Enlouquecer-me com teu jeito sedutor...
Não pare de estremecer
Meu bel-prazer.
Abra-se para mim como um belo girassol,
Perfuma-me com o teu cheiro da sorte
E traga-me um prazer sem igual.
Quero perder-me nesse teu jeito descarado,
Incender meu assanhamento com o fogo dos teus beijos
E nunca esquecer que um dia...
Me diverti com você.
-Charlan Fialho
POEMA — A GRANDEZA DA MULHER
A mulher é o doce do amor,
Perfuma o coração com suas incógnitas.
A mulher é a inspiração mais letal dos sentimentos,
Suas ações dignificam cada amanhecer.
A mulher tem a poesia nas entrelinhas do viver,
Tem as notas da canção em seus beijos,
A beleza do seu caminhar se revela em seu carácter,
Seus sonhos adormecem nos braços da emoção.
Cada mulher sabe o que quer, mesmo que seus passos não falem alto.
O choro pode até caçar espaço em suas relações,
Mas a força da mulher não se mede, nem mesmo quando a tempestade mais impetuosa tenta devastar seus amores.
A mulher é aquela flor graciosa que não se apaga,
Mesmo que as palavras torpes a tentem rasurá-la,
Ela não morre quando a falta de amor atinge seu coração,
Ela sabe superar as angústias causadas pelos vendavais da vida.
A mulher é aquele ser iluminado que sabe guardar as lembranças
Como uma forma de retirar do baú da sorte os tesouros que conquistou um dia.
A mulher não esconde seus sentimentos em uma sepultura,
Não se ensaboa de fingimentos, e tampouco costura trapos rasgados pelo pecado da ingratidão.
Ela se veste do dom da vida, esmiúça a falta de gratidão e como um enigma poético consegue dar sentido ao cinzento do arco-íris.
A mulher se torna em cada primavera um provocante poema,
Perfumando de lindos versos o olhar da inocência.
-Charlan Fialho
HOMENAGEM AS MULHERES
08 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER
PERDOA-ME
Perdoa-me
Se nas horas de amor,
Olhei para o horizonte do dissabor;
Se nas noites de prazer,
Chorei por querer esquecer sentimentos.
Perdoa-me
Se fiz do sol um brilho qualquer,
Resvalei na escuridão da ingratidão,
Se os meus sonhos não se fizeram compreensíveis,
Se minha alma aboliu o incenso do amor.
Se permaneci virgem nas palavras
E os meus afetos perderam o contraste da primavera.
Perdoa-me
Se não libertei-me dos pesadelos da adolescência,
Se engavetei os meus poemas,
Se não plantei flores, rasguei os meus amores
E pus-me sentado nas pedras do caminho; deixei-me levar pela sonolência.
Se exagerei na dose da omissão do eu te amo
E deixei o tempo passar, sem ao menos teus lábios tocar
Se desprezei o teu coração, se o fiz sentir prantos.
Perdoa-me
Se ainda não sei quem sou
Se não ouço mais a voz do amor
E se a vida insiste em brigar comigo no canto da saudade
- Charlan Fialho
ARQUEJO DENTRO DO PEITO
Na varanda, o tédio me exaspera.
E o que sinto, tange-me dentro de mim.
Pois, o coração é tangido
Pelo fulgor obsoleto do amor.
Que trama luxúrias indolentes contra mim.
Não sei se quero
O ímpeto dos seus amplexos,
Ou se esmero-me no içar de seus lábios
Que me atassalham.
Fico imergido em seus roçados.
Mas, nesse arquejar,
O bosquejo da afeição
Faz-me contrair afagos imexíveis,
Convergindo-me aos teus apelos
Que me amarra; impõe-se imponente...
Seus dotes intatos me enlouquecem.
Assim, nesse horizonte impingido
Sonho com o amor impassível,
Que me faça abdicar
Dos desgostos que a vida evocar.
-Charlan Fialho
POBRE DE MIM
A solidão deixa-me carente,
Pirado com medo de sofrer,
Confuso com os dissabores da gente,
Sem caminhos para viver.
Bloqueia-me sem razão,
Deixa-me na contramão da emoção,
Deplorado, jogado no chão.
A escuridão sobressai como uma ponte no horizonte;
A separação outorga esse descontrole de amar;
Não irei mais adiante, queria assim flutuar
Sem conter as lágrimas de uma equação de saudade.
Sinto-me um delinquente sofredor,
Aleijado no amor,
Falido sem pudor.
E quando me procuro,
Não me encontro sequer um segundo...
De destreza vou vivendo,
Nesse amor enlouquecendo.
Pobre de mim, que chora sem exageros...
Que se perde no tempo
E tropeça nesse vale de amargor!
-Charlan Fialho