EMENTA DO AMOR
O amor é um espelho lilás,
Sua mística reflete-se em cada amanhecer.
Ele é um poema bordado de cores,
Uma liturgia sem etiquetas.
O amor se quebra entre os espinhos.
Sua força não suporta a falta de mutualidade.
Ele é uma talha que serve para guardar
As águas do coração.
O amor não aprova os holofotes do egoísmo.
Sua maquiagem não borra os olhos da paixão.
Ele é uma úlcera que não deixa manchas.
Seus nódulos não inflamam.
O amor pode sobrepujar suas versões,
Sem cicatrizar as lembranças do tempo.
Mas, guardar um coração que precisa se regenerar,
E o soltar das amarras do desalento.
-Charlan Fialho
POEMA — A GRANDEZA DA MULHER
A mulher é o doce do amor,
Perfuma o coração com suas incógnitas.
A mulher é a inspiração mais letal dos sentimentos,
Suas ações dignificam cada amanhecer.
A mulher tem a poesia nas entrelinhas do viver,
Tem as notas da canção em seus beijos,
A beleza do seu caminhar se revela em seu carácter,
Seus sonhos adormecem nos braços da emoção.
Cada mulher sabe o que quer, mesmo que seus passos não falem alto.
O choro pode até caçar espaço em suas relações,
Mas a força da mulher não se mede, nem mesmo quando a tempestade mais impetuosa tenta devastar seus amores.
A mulher é aquela flor graciosa que não se apaga,
Mesmo que as palavras torpes a tentem rasurá-la,
Ela não morre quando a falta de amor atinge seu coração,
Ela sabe superar as angústias causadas pelos vendavais da vida.
A mulher é aquele ser iluminado que sabe guardar as lembranças
Como uma forma de retirar do baú da sorte os tesouros que conquistou um dia.
A mulher não esconde seus sentimentos em uma sepultura,
Não se ensaboa de fingimentos, e tampouco costura trapos rasgados pelo pecado da ingratidão.
Ela se veste do dom da vida, esmiúça a falta de gratidão e como um enigma poético consegue dar sentido ao cinzento do arco-íris.
A mulher se torna em cada primavera um provocante poema,
Perfumando de lindos versos o olhar da inocência.
-Charlan Fialho
HOMENAGEM AS MULHERES
08 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Despedida
Quando no último instante meus olhos fecharem
E minha vida der adeus para sempre,
Sentirei saudades dos carinhos teus,
Guardarei seus versos de amor contente.
Subirei para o infinito com minha alma no altar.
Ao chegar lá, ao Senhor que me deu fôlego de vida,
Direi tudo que aprendi na terra por te amar.
A Ele pedirei para enviar, cartas de despedida.
Não quero que chores por sentir minha ausência.
Lembre-se que teus beijos fizeram-me ser alguém.
Meu coração suspirou de amores, e em ti fui refém.
Não rasgue os poemas que fiz para ti, amada minha.
Nem fiques triste por não poder beija-la mais.
Esqueça-se dos pecados que cometi outrora,
Por não saber colocá-la para dormir.
E enquanto o seu coração gritar por mim,
Salte de alegria, pois um dia amei...
A mulher que me fez o homem mais feliz em vida.
-Charlan Fialho
POEMA DE ONTEM
Escrevi seus versos
Com tinta do monte Carmelo
E os deixei em cima da mesa.
No jantar da sala
O poema arejava
Os quatro cantos da casa.
Adornei-o com rimas saborosas;
Caprichei nas estrofes ortodoxas;
Ataviei-o de poesias.
Não lembro-me que inspiração tomei,
Que verbos usei,
Mas sei que ontem esse poema
Fez-me ser alguém.
- Charlan Fialho
POBRE DE MIM
A solidão deixa-me carente,
Pirado com medo de sofrer,
Confuso com os dissabores da gente,
Sem caminhos para viver.
Bloqueia-me sem razão,
Deixa-me na contramão da emoção,
Deplorado, jogado no chão.
A escuridão sobressai como uma ponte no horizonte;
A separação outorga esse descontrole de amar;
Não irei mais adiante, queria assim flutuar
Sem conter as lágrimas de uma equação de saudade.
Sinto-me um delinquente sofredor,
Aleijado no amor,
Falido sem pudor.
E quando me procuro,
Não me encontro sequer um segundo...
De destreza vou vivendo,
Nesse amor enlouquecendo.
Pobre de mim, que chora sem exageros...
Que se perde no tempo
E tropeça nesse vale de amargor!
-Charlan Fialho
SONETO DA ÁGUA DA FONTE
O amor esparge como água da fonte;
Até me queima sem dor inconstante...
Me faz caminhar sutil sobre a ponte
É onde me refaço a cada instante.
Amor que sabe invadir o meu peito...
Me deixa com cápsulas de desejos,
Resplandece meu viver com arpejos,
E me dá sinal com vida e respeito.
Amanheço com todos os seus beijos
E me sinto carente, mas contente...
Vale a pena ficar nessa demência...
Capaz de ser guiado por seus queijos,
Até amar com o viés da inocência
E me dispor, dar meu afeto vigente.
- Charlan Fialho
REDEMOINHO DE SENTIMENTOS
Cada vez que aproximo-me dos teus olhos,
Das nossas lembranças, e sinto a cor das nossas fantasias,
Desequilibro-me como se estivesse num redemoinho
Atirado pelo vento da saudade.
Queira eu não surtar nos exageros
Do gosto dos teus seios
Na doçura do tom da sua pele,
Do ensaboar das suas mãos em mim.
Não quero sentir-me retraído pela distância dos teus beijos
Aliás, teus sonhos revigoram minha alma,
O teu grito de amor rasga os pulmões do meu prazer,
Faz-me enlouquecer; perpassa meu ímpeto num alvorecer.
Assim, vou costurando minhas carências,
Prescrevendo minhas dormências
E corro para os teus braços, carregando em mim
O dolo de não abrigar o passado.
-Charlan Fialho
PERDOA-ME
Perdoa-me
Se nas horas de amor,
Olhei para o horizonte do dissabor;
Se nas noites de prazer,
Chorei por querer esquecer sentimentos.
Perdoa-me
Se fiz do sol um brilho qualquer,
Resvalei na escuridão da ingratidão,
Se os meus sonhos não se fizeram compreensíveis,
Se minha alma aboliu o incenso do amor.
Se permaneci virgem nas palavras
E os meus afetos perderam o contraste da primavera.
Perdoa-me
Se não libertei-me dos pesadelos da adolescência,
Se engavetei os meus poemas,
Se não plantei flores, rasguei os meus amores
E pus-me sentado nas pedras do caminho; deixei-me levar pela sonolência.
Se exagerei na dose da omissão do eu te amo
E deixei o tempo passar, sem ao menos teus lábios tocar
Se desprezei o teu coração, se o fiz sentir prantos.
Perdoa-me
Se ainda não sei quem sou
Se não ouço mais a voz do amor
E se a vida insiste em brigar comigo no canto da saudade
- Charlan Fialho
LAMBIDA AMOROSA
Lamba todo esse amor
Sem repulsa, lambuze minha pele
Com o calor da tua excitação,
Espalhe teu tesão por todo meu corpo.
Jogue teus lábios em meu tesão,
Não esfrie meus gemidos,
Deixe-me morrer de prazer,
Enlouquecer-me com teu jeito sedutor...
Não pare de estremecer
Meu bel-prazer.
Abra-se para mim como um belo girassol,
Perfuma-me com o teu cheiro da sorte
E traga-me um prazer sem igual.
Quero perder-me nesse teu jeito descarado,
Incender meu assanhamento com o fogo dos teus beijos
E nunca esquecer que um dia...
Me diverti com você.
-Charlan Fialho
SER POETA
Ser poeta é ser prumo dos versos.
É ser maior que os montes mais belos.
De fato, ser profeta dos sentimentos,
É ser mais forte que os ventos!
É recitar beijos!
E ser impresso aos deuses do universo.
É ser uma estrela maior que o Sol.
Resplandecer de mil desejos,
Escrevendo-os entre os lençóis.
É cantar entre os girassóis,
E arrolar gestos com sorte.
Ser poeta é levar do nascente ao poente,
O alimento da alma que chora cansada.
É saltar na poesia que fulge,
Entre os porões da emoção.
É sentir a imaginação das cores do arco-íris.
É não perder o coração.
É ser tragado pela verve,
Em uma droga de êxtase.
É ter açoites, é ter passos num infinito...
Acordar em sonhos, e sentir o passear nas nuvens.
Ser poeta é saber,
Que o amor é extraído dos desenhos dos poemas,
E o perfume se derrama a cada tempo da primavera.
É sentir alucinações e prazer em uma trama.
O poeta é aquele que desenha
A arte com tintas de saudade.
Costura almas com o alfinete da inspiração.
Ele torna-se grito por meio da escrita,
Sem ferir os tímpanos da razão.
-Charlan Fialho