REDEMOINHO DE SENTIMENTOS
Cada vez que aproximo-me dos teus olhos,
Das nossas lembranças, e sinto a cor das nossas fantasias,
Desequilibro-me como se estivesse num redemoinho
Atirado pelo vento da saudade.
Queira eu não surtar nos exageros
Do gosto dos teus seios
Na doçura do tom da sua pele,
Do ensaboar das suas mãos em mim.
Não quero sentir-me retraído pela distância dos teus beijos
Aliás, teus sonhos revigoram minha alma,
O teu grito de amor rasga os pulmões do meu prazer,
Faz-me enlouquecer; perpassa meu ímpeto num alvorecer.
Assim, vou costurando minhas carências,
Prescrevendo minhas dormências
E corro para os teus braços, carregando em mim
O dolo de não abrigar o passado.
-Charlan Fialho
LAMBIDA AMOROSA
Lamba todo esse amor
Sem repulsa, lambuze minha pele
Com o calor da tua excitação,
Espalhe teu tesão por todo meu corpo.
Jogue teus lábios em meu tesão,
Não esfrie meus gemidos,
Deixe-me morrer de prazer,
Enlouquecer-me com teu jeito sedutor...
Não pare de estremecer
Meu bel-prazer.
Abra-se para mim como um belo girassol,
Perfuma-me com o teu cheiro da sorte
E traga-me um prazer sem igual.
Quero perder-me nesse teu jeito descarado,
Incender meu assanhamento com o fogo dos teus beijos
E nunca esquecer que um dia...
Me diverti com você.
-Charlan Fialho
POBRE DE MIM
A solidão deixa-me carente,
Pirado com medo de sofrer,
Confuso com os dissabores da gente,
Sem caminhos para viver.
Bloqueia-me sem razão,
Deixa-me na contramão da emoção,
Deplorado, jogado no chão.
A escuridão sobressai como uma ponte no horizonte;
A separação outorga esse descontrole de amar;
Não irei mais adiante, queria assim flutuar
Sem conter as lágrimas de uma equação de saudade.
Sinto-me um delinquente sofredor,
Aleijado no amor,
Falido sem pudor.
E quando me procuro,
Não me encontro sequer um segundo...
De destreza vou vivendo,
Nesse amor enlouquecendo.
Pobre de mim, que chora sem exageros...
Que se perde no tempo
E tropeça nesse vale de amargor!
-Charlan Fialho
FLORES
No arco-íris do teu olhar eu encontro flores;
Na manhã de cada primavera alimento-me de amores;
Do nascer ao sol se pôr eu encontro flores...
Nos dias de chuva e calor eu encontro flores;
Na nudez do teu corpo eu encontro flores;
Nos teus beijos sedosos eu encontro flores...
Nos sonhos do teu coração eu encontro flores;
Em cada acorde da canção eu encontro flores;
Nas poesias dos teus gemidos inexprimíveis, eu encontro flores;
Nas razões do teu sorriso eu encontro flores...
Em cada sonho de amor eu encontro flores,
De sorte que, no jardim do amor eu planto flores só para amar-te;
E no resplendor do teu acalento eu encontro os tesouros
Que desnudam minha alma, soltam minhas algemas
E reflorescem o aroma das rosas no suspirar das madrugadas.
-Charlan Fialho
EMENTA DO AMOR
O amor é um espelho lilás,
Sua mística reflete-se em cada amanhecer.
Ele é um poema bordado de cores,
Uma liturgia sem etiquetas.
O amor se quebra entre os espinhos.
Sua força não suporta a falta de mutualidade.
Ele é uma talha que serve para guardar
As águas do coração.
O amor não aprova os holofotes do egoísmo.
Sua maquiagem não borra os olhos da paixão.
Ele é uma úlcera que não deixa manchas.
Seus nódulos não inflamam.
O amor pode sobrepujar suas versões,
Sem cicatrizar as lembranças do tempo.
Mas, guardar um coração que precisa se regenerar,
E o soltar das amarras do desalento.
-Charlan Fialho
ORAÇÃO DO AMOR NOSSO
Amor nosso que estais no firmamento,
Honrado seja o vosso nome,
Derrame em nós o vosso afeto,
Seja plena a vossa verdade
assim na terra como no céu.
O respeito nosso de cada dia nos dai hoje,
Aliviai-nos das nossas demências,
Assim como nós precisamos dialogar
com quem nos relacionamos,
Não nos deixei afogar na solidão
Mas livrai-nos do surreal.
Amém.
-Charlan Fialho
POEMA DE ONTEM
Escrevi seus versos
Com tinta do monte Carmelo
E os deixei em cima da mesa.
No jantar da sala
O poema arejava
Os quatro cantos da casa.
Adornei-o com rimas saborosas;
Caprichei nas estrofes ortodoxas;
Ataviei-o de poesias.
Não lembro-me que inspiração tomei,
Que verbos usei,
Mas sei que ontem esse poema
Fez-me ser alguém.
- Charlan Fialho
PERDOA-ME
Perdoa-me
Se nas horas de amor,
Olhei para o horizonte do dissabor;
Se nas noites de prazer,
Chorei por querer esquecer sentimentos.
Perdoa-me
Se fiz do sol um brilho qualquer,
Resvalei na escuridão da ingratidão,
Se os meus sonhos não se fizeram compreensíveis,
Se minha alma aboliu o incenso do amor.
Se permaneci virgem nas palavras
E os meus afetos perderam o contraste da primavera.
Perdoa-me
Se não libertei-me dos pesadelos da adolescência,
Se engavetei os meus poemas,
Se não plantei flores, rasguei os meus amores
E pus-me sentado nas pedras do caminho; deixei-me levar pela sonolência.
Se exagerei na dose da omissão do eu te amo
E deixei o tempo passar, sem ao menos teus lábios tocar
Se desprezei o teu coração, se o fiz sentir prantos.
Perdoa-me
Se ainda não sei quem sou
Se não ouço mais a voz do amor
E se a vida insiste em brigar comigo no canto da saudade
- Charlan Fialho
BOM É SER CRIANÇA
Ser criança é ser feliz;
É pintar os sonhos com verniz,
Escrevendo versos com o sorriso.
É voar num arquipélago onde a poesia
Do coração, mistura-se com a fantasia,
Deixando o amor mais colorido.
Ser criança é amar o arco-íris,
Sem a cor preferida;
É cantar melodias sem as notas dissonantes;
É abraçar a vida com os sentimentos mais vibrantes.
Ser criança é viver a inocência;
É amar os sabores da vida;
É vestir-se de chocolates; beijar com simplicidade
E dormir no cantinho da felicidade.
Ser criança é ser poeta,
Escrevendo versos nas primaveras;
É declamar o amor sem as notas da mentira,
É ser uma flor doce, sem nunca desenfeitar
O jardim da vida.
-Charlan Fialho
MULHER
Mulher, ser maravilhoso
Que nasceu fruto do amor
Sua vida é preciosa
Os pássaros cantam em seu favor.
Mulher que ama a vida
Se entrega aos sonhos
Guerreira, mãe, bem vivida
Carrega perfumes que encantam.
Mulher que denota alegria,
Pureza, fervor e fantasia
Arrebata a alma desvestida
Que liberta o coração da solidão.
Mulher, céu azul de emoções
Colar chamejante cheio de inspirações
Sombra viva e amável da felicidade.
-Charlan Fialho