Charlanes Olivera Santos

Charlanes Olivera Santos

Sou Poeta, escritor 2 livros publicados, cineasta diretor de cinema amador, Enxadrista amador-pro jogo Xadrez, Estudo Frances, fui candidato a vereador em 2016, Presidente da ANJOS Associação Nacional dos Jovens Solidários, Trabalhei na Prosoft e Prefeitura da cidade

n. 0000-00-00, 08/09/1992

Perfil
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Parnassus

A vida é uma peça encenada no tempo,

e ela passe devagar para que eu possa escrever um verso.

Parnassus o portal da cidade dos poetas... onde esconde o sol de Apolo... estive lá por um tempo no congresso do Druidas...

E no reverso do amor, entre arcanos e brumas, nasceu o poeta ferido de beleza e palavra da lua do ar lua tão rara era meu destino e meu fim...

Havia um verso estendido,

abraçando o céu como quem não teme a queda,

e em ti vejo a essência do tempo

esse rio invisível que tudo leva e tudo marca.

Sinto meus dias expiarem-se em silêncio,

na beleza que viceja em ti,

flor tardia que insiste em nascer

mesmo no inverno da alma.

Queria prolongar o coração,

esticá-lo como quem segura a tarde,

pois depressa vem o meu fenecer,

e o corpo sabe o que a esperança tenta negar.

Enumerar infinitamente todos os meus dons

seria pouco;

selaria cada palavra com teus beijos,

como se o amor fosse a única assinatura legítima.

E nesses papéis amarelados,

leio o que escrevi há tanto tempo:

o meu amor é o mesmo,

intacto, apesar das ruínas.

Meus desprezos, educados pela dor,

poriam fim à ira deste poeta

sem ponto final,

pois enquanto houver verso,

a vida ainda insiste em continuar.

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Biografia

Sou cristão da CCB, mais gosto de filosofia e astrologia tenho pensamentos estranho com viagem no tempo sonhos lúcidos poeta louco fingindo se sã kkkkkk tenho sorriso fácil romântico bobo, apaixono fácil e acredito muito nas pessoas sobre o amor, desconfio de conspirações e não dou sorte para o azar, sou caseiro gosto de cozinha e gosto de cinema, rock anos 70 80 90 e música boa MPB osvaldo monte negro, Djavam Lulu Santos, BELCHIOR, Chalei braw Jr, O Rappa, engenheiros do hawaii etc  

Poemas

75

Vinhos e jornal, noite e o vão

Alma amarotada sobre fleches de luz rasgando os olhos trincado por vasos como teias de aranha mesclados ao tom vermelho sangue puro quase na cor do vinho avinhado... da noite passada os meus segredos vagos como o artista que se perde no personagem dele mesmo e o papel fica sufocado

Mas o que é poesia? Quero se livre de todas amarras sem se obrigado a rima e musicalidade nos meus escritos como já desencadeado disso escrever longo e logo do longe e sobre o perto encurtar se ate as sombras das sobras ou até despertar totalmente

Ancorado o meu corpo na cadeira da escrivaninha o ferro com uma camada de tinta marron e partes goiabas não sustenta o odor do metal enferrujando...volto a escrever mais com canetadas do enredo do livro do Turco de Marselha a mente infundada na história perco a noção da poesia só quero escrever...

Ser senti servil sonoro suave sempre sussurrar a sombras sutilmente se eu sobre prefixo sufixo fixar o meu eu de alma crua listrada arranjar machas de bolas nas gavetas da mente moderna costura e se curador das próprias obras maximizar ou minimizar os sentimentos escandalosos gulosos da pele jovem delicia balbuciar da menina mulher metade da minha idade se anfitrião sem compromisso como amanhã mesmo sendo eterno em pensamentos nos saltos... Fico aqui condenado eu mesmo que há algo errado e elogios não infla o meu ego preciso melhora ate dizer o que eu vim fazer aqui... escondido entrelinhas com tantos erros ortográficos 

42

Portal e sol

E esta porta que sobe abrindo deixar caindo o pó armazenado dentro o alcácer abarca o universo inteiro no avesso no verso das páginas no reverso que leio voltando para casa entre as partículas de luz revelo as escamas das minhas asas que as penas mortas não sustentou e substitutas agora as alegorias da conquista o meu muro externo nos meus secretos segredos no centro protegido pelo medo...

Perene e rígido é o rigor do meu caminho e fatalmente se bifurca no seu

Inevitável compelido teu destino ao meu e sobre as estranhas de forma plural do horror se maranha

inefável o escuro do crepúsculo da fera donzela e na sua voz eu capturado o sonhador disperso em poesias espera o fervor do sol

O fogo é cinza da alma enclausurada desalma extraviada

e a sua imagem lentamente arrebatada...

A distância adir a saudade e árduo é cada um destes momentos pesco o tempo desta sua beleza monumental e inconcebível a beleza sua perdurara este século é em nem um momento haverá jamais outra

Vejo a advertir o rouxinol nos brilhos de ouro dos raios solares pela manhã minha alma jaz no imorredouras lembranças sua

Logo vem caindo o céu sonoro da noite e que as estrelas

Avaras não esbanjam o doce mel que embriago desta pele tão jovem é você entre os corpos encontrei-te de olhos bem fechados 

33

Versos trincados

Cantor o peito dos poemas e poesias, e falo da morte antes que a vida da o ultimo suspiro que ache ainda a minha língua miúda húmida que foge dos grilhões do aço dos seus capitães

Ser por mares nunca de antes navegados dos ventos que não foram ainda soprados

Ela na seda das sombras entre o véu seus tentáculos tateando nas surdinas a espreita pra livra-te de sentir mais dor

Passaram ainda além da alma sublinhada em perigos do só...

E remota edificaram novos amores que tanto sublimaram destas memórias que foram dilatando...

Crer no destino aos sons de lábios viciosos que a carne andaram devastando o engano temporário obras valorosas e se libertando

Cantando e de tanto ajudar-me o engenho e arte... fui-me espalhando sem querer espalharei-me por toda parte...

Nada que cessem os lábios destes amores que fizéramos e

Cale-se de suspiros que trajamos e hoje nesta derrota era a fama daquelas vitórias que tivéramos...

Cantava eu peito-o com à luz ilustre das estrelas ilustrado de um amor netuno não neutro nos toques obedeciam ao corpo aprisionado livre...

E cada espasmo em êxtase eu cessava tudo o que a Musa antiga cantava hoje busco valor mais alto se levanta...

Alma minha crio um novo engenho ardente de amor poesias

e sempre num verso de palavras caladas som alto mudo e surdo...

Costuro nos céus um estilo grandioso da corrente nas vossas almas e águas deste afluente ordene o compromisso de amor

Se a fúria que me deras sejas sonorosa e as aguas canoa do agreste haverá um canto de flauta aguda... e o silêncio da triste tumba do amor seja a lembrança feliz sem nunca um adeus mais um ate breve...

E no peito acende o vermelho cor do amor e que em do gesto preserva o amor dosada de paixão

Aos anjos pedirei: dai-me igual canto com feitos e efeitos do amor e na famosa flor que se espalhe o meu canto entre as estrelas

Sublime o valor cabe em cada verso preservo à antiga liberdade

a esperança ramo florescente da árvore amada nascida dos raios do Ocidente...

O seu beijo que bebo deste licor do santo rio de tu majestade e nesse tenro gesto prêmio vil, porque me deixaste?

E agora tenho os meus altos quase eternos.

33

Noite e você nos ventos

A lua regra ilumina o jardim o silêncio cultua à noite que sobe as escadas e cerca-me e nas fronteiras da sala ate o quarto a solidão passageira com passaporte da minha alma salta na margem

deste mistério neste ser invulnerável que desliza por entre sucessivos muros de medo e á dor escondida sob a luz do luar

Ar asfixia os sonhos do passando veloz o celebro tenta guardar as lembranças e vigiar, mas em vão, pois sou eu o ladrão de sonhos dos próprios objetivos arrastos a âncora no coração no escape impossível

Em vôo de danças de pensamentos

Porto inseguro no cais tardio transeunte e entre as sombras de desespero como fantasia enfeitiçada

Tem dias de golpe em galope de chuva você gostava da

EN-chuvaradas

Hoje atravessando muitos, confusos anos te esperando para sorrimos de novo tantas cartas de despedias e você não ver

Doar os dais e dar mergulho nos pontos profundo do passado

a lua está lá desorientada e confusa...

A pintura da sala como papel de parede amarelo desbotado

Um trio de cadeiras e um espelho estrábico na janela da cozinha

Nós no entremos disso tudo o reflexo enjoado a minha sombra com lâminas doces

Abrimos o abismo com estardalhaço os reflexos de mim na noite que se espalham pelo chão frio no reflexo da cerâmica gelada

A noite não respira enclausurada de um ar sufocante e parado...

Imóvel vejo a joia adornada de estrelas num negro bojo do céu a alma arde, como uma gota dourada de mel e fel a tenra lua e de luar em luar

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Sol praia ao longe

Que sangra meu coração agora que dai de beber minha alma seca no mais belo ameno sol... esta dor vingativa que o vento espalha as nuvens e as folhas embolas pelo chão ancorada color ora avermelhadas, ora laranjadas e neste o tempo outono é o maior desmaia em demasia

Outras tantas vezes escurece e obscurece com frieza o coração seu

dizer que belo declina num só dia a minha vitrola encaracola a canção e música distorcidas em eterna mutação... mente embola e vai embora o pensamento neutros noturnos de uma noite netuno

E logo chegarás exausto o meu ser ao triste inverno depois farei sua cópia linhas das águas de março com o tempo crescerás de novo a saudade

E enquanto eu existir na terra houver um ser meus versos ardentes farão-te ser

Farei os ventos sopram os doces botões de maio por cima dos muros lançarei o sol de bodoque e lança os seus cálidos raios na catapultar do desejo seu

esconderei-me no escuro da noite em baixo da sua janela esconde o rosto dourado sob a névoa antes da aurora o seu beijo eterno jamais se extinguirá sem perde o frescor que só tu possuis no hálito

costurarei pontes e sobre a morte saltaremos e mesmo que vir a nirvana e arrastar sob a sombra os versos elevarem à eternidade 

22

Veleiro de estrelas

Num rosto de pálida face fácil uma voz que chama os mortais os lábios sucessivos que arrebata o tempo cega e suga este poeta rouxinol que deposita a alma na urna, E envolto do tempo o frasco frágil preservado vive anos longe e regressa mudado com a sua eternidade ó fugitivo da tristeza

Foste o fogo que arde no pânico da memória e os amores encanados ela tão diferente e mente limpa em branco nova vida das dezessete vezes só consegui, converse-la oito; sete uma delas ela acreditou, mas não ficou sou romântico, mas mal conquistador

As cinzas das glórias que me defende da vocação que implica á ninguém desengano lavar e o parasita que escreve tarde de temor que vivo das sombras recolhem defendo impaciente

o apetite de ser mármore e olvido nas entranhas da terra sucumbido ser já vivido

A dor do irreparável a espada cruel que alimenta junto o junco do rubro e globosos brancos e lança transpassado alma

Sem e somente á esperança não em faria fazer despojado despejado mundo adverso sem verso calado escorrego pelos cantos cantando os gritos do violão selo nos acordes do pino digital na tela azul côncavo no ontem profundo...

Os livros lhe restou a fórmula de saber sofrer que deixa na memória o formato retém o desdém sem sentido sentido algum

apenas títulos enfeixa os ecos frouxos do abandono sem ouro

Passos que levar à queda lento prisioneiro de um tempo sonolento registro o meu nome na aurora custeado e pelo ocaso

de verso em verso lavro o insípido universo você só o meu...

Limaram os semblantes da tela azul ao vermelho são agora como uma névoa uma voz inútil no espelho que miro e migra

ate as cinzas no jardim aspiro uma lúgubre rosa em meio à trevas nirvana no tear ficarei lá em repousa neutro a deriva entre as estrelas por um tempo se decidir não volta será o coma mais estranho vivenciado 

30

O Turco de Marselha

Historia do turco de Marselha

Minha historia começa muito tempo atrás

mais contarei parte dela em capítulos mas esta parte da minha vida merece se relembrada

Por Charlanes Oliveira Santos

Capito I

A chegada do turco à Marselha

Aurel Bogdan Ovidu filho Basarab Laiotá

chegado em a cidade Marselha dava para ouvir de longe os gritos dos pescadores bem longe da margem era forasteiro aprendi á língua com á minha mãe Luna Ayana Helena de Dubois " cidade Bram Stoker nos arredores Castelo de Bran era com se eu estivesse lá" chegando no leito do rio a calçada alta os bacos ancorava perto das pedra piquetes de madeira fortes sustentava acosta eu queria ficar alir perto da margem não queria domina tudo ali já era suficiente para um ambicioso forasteiro Vieux Port Canebiére ao pé da rua logo desembarque o pescador Luan Vargas de Lincoln senhor hospitaleiro me ajudou com à bagagem por apenas 5 Francos com disse ficaria na margem muito couro a se curado e não seria difícil arranjar lugar pata tanta coisas oitenta e oito por cento da pequena embarcação era minha barganhem então fizemos negocio ali mesmo Senhor Luan já avançado na idade e a temporada de pesca acho que não era boa sorte da minha parte comprei o casarão vizinho da casa dele o espaço era limitado mais o salão de loja era imenso achei melhor ganhar o desconto do transporte e organização das bagagens como disse seria uma ambição do comichão da preguiça falando estamos casados firmamos o acordo mediante o pagamento de boa fé e alguns dobrões de ouro e prata e dirigimos ao cartório as corporações de ofício medievais eram seguidos dos artesões e produtores pescadores e os dias seguintes acho que meu coração já sabia de mais que meu ambicioso pensamento de enriquecer a filha Luana filhado Luan quase remetendo o nome da minha mãe achei melhor encosta a cabeça ali por um tempo

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Minha história começa muito tempo atrás — tanto que os séculos já não me pesam, mas se acumulam em mim como poeira de eras esquecidas. Conto-a agora aos pedaços, porque a memória de um homem que viveu quase mil anos é como um vidro quebrado: ainda reflete, mas nunca por inteiro.

E, no entanto, esta parte… esta parte mereces ser relembrada.

Meu nome é Aurel Bogdan Ovidu, filho de Basarab Laiotă, um senhor de terras da Valáquia — e de algo mais sombrio que corria nas veias dele.

Minha mãe, Luna Ayana Helena de Dubois, era francesa, filha de camponeses de Luberon. Foi dela que herdei o que tenho de humano; dele, o que nunca entendi por inteiro.

Sou fruto de uma união impossível: um homem que nunca morria, e uma mulher que acreditava em milagres.

Não sou vampiro. Não preciso de sangue. Como pão, sinto fome, sinto frio, sinto desejo.

Mas não envelheço como os outros.

E isso basta para me condenar a uma eternidade de partidas.

Quando cheguei à cidade de Marselha, no ano de 1327, a Europa fervilhava em rumores de guerra e comércio. A França cambaleava sob a sombra das tensões que, anos depois, explodiriam na Guerra dos Cem Anos.

E ainda assim, ali, no Vieux-Port, a vida parecia simples.

Eu ouvia de longe os gritos dos pescadores antes mesmo de a embarcação encostar. O vento carregava cheiro de sal e couro curtido. Os barcos dançavam na maré, presos por piquetes de madeira tão antigos que pareciam fazer parte da própria rocha.

Era um forasteiro… mas não completamente estrangeiro. Minha mãe me ensinara o francês quando eu ainda era criança.

“É como se eu estivesse lá”, ela dizia com saudade, olhando para o horizonte que jamais voltou a ver.

Desembarquei carregando mais sonhos do que posses. O pescador que me ajudou com a bagagem, Luan Vargas de Lincoln, era um homem de fala mansa e braços fortes marcados pelo sol de cinquenta anos de mar.

Pediu apenas cinco francos pelo serviço, mas ofereci mais. Ele recusou.

— "Sê forasteiro, mas tens coração limpo. Isto basta." — disse ele.

Conversamos, fizemos negócios, e em poucas horas eu havia comprado o casarão vizinho ao dele, uma construção de pedra com um enorme salão na frente, perfeito para loja ou oficina.

O velho Luan precisava de dinheiro — a temporada de pesca havia sido dura — e eu precisava de um começo.

Pagamos dobrões de ouro e prata, firmamos o contrato no cartório local, e naquela noite ele me convidou para jantar.

Foi a primeira vez que vi sua filha, Luana.

E ali, ao ouvi-la rir perto do fogo, percebi algo que não sentia havia muitos anos:

A vontade de ficar.

Mas homens como eu não ficam.

Não por muito tempo.

Capítulo IV – As Correntes do Mediterrâneo e a Voz que Vem do Futuro

Quando deixei a França para trás, o mundo mudava como nunca antes.

Era o início do século XV — a Europa se preparava para guerras, cruzadas tardias, disputas mercantis, expulsões e fome.

Eu seguia sempre em frente, mas pela primeira vez senti que alguém me acompanhava.

Não nos séculos antigos, mas no futuro.

E tudo começou numa noite em que o mar estava tão calmo que parecia vidro. 1. O Primeiro Sonho: 2012

Dormia no convés de um navio mercante rumo à Sicília quando ouvi uma voz que não era do meu tempo.

Uma voz firme, quente, ritmada como versos.

— “Aurel…”

Abri os olhos — não no navio — mas em um espaço que não tinha paredes, nem céu, nem chão.

Uma bruma luminosa envolvia tudo.

Ali estava ele:

Charlanes Oliveira, um homem de roupas estranhas, com um brilho inteligente nos olhos, nascido num tempo que eu ainda não conhecia: 1982.

— “Não sei por que estou aqui…” — ele disse, olhando ao redor.

— “Mas venho sonhando contigo desde 2012. Toda noite caio nesse lugar.”

Eu não tinha respostas.

— “O sonho não é seu, nem meu.” — respondi.

— “É uma ponte.”

A partir daquele dia, nossas vidas ficaram ligadas por aquilo que ele chamava de sonho — mas que eu sabia ser algo mais profundo, quase espiritual.

Como se uma parte de mim vivesse nele, e uma parte dele encontrasse abrigo na minha consciência.

2. A Verdade Sobre as Visões

As visitas continuaram.

2013.

2014.

2015.

E seguiram até 2025, sempre durante o sono dele, sempre em noites em que minha solidão pesava mais do que a lua.

Charlanes vinha de um mundo acelerado, cheio de máquinas, telas, velocidade.

E ainda assim, naquele espaço onírico, ele falava comigo como se estivéssemos frente a frente em uma taverna antiga.

Conversávamos sobre tudo:

o peso de viver séculos

o medo de amar

os conflitos do presente dele

minhas guerras e perdas

o sentido da existência

a poesia que ele escrevia

e aquilo que nenhum tempo consegue destruir: a alma humana

Eu lhe contava sobre o cerco de Constantinopla, sobre as rotas do Mediterrâneo, sobre a forma como homens aprisionavam outros homens — e como eu libertava quem podia.

Ele me falava das coisas do mundo dele:

Da luz elétrica, dos computadores, das guerras invisíveis feitas por informação.

Do amor moderno, rápido, passageiro.

Da fome por sentido.

Às vezes ele ria, às vezes chorava.

Às vezes eu queria ficar ali, nas palavras dele, onde o tempo não me perseguia.

3. As Noites em que o Poeta Ultrapassou a Gravidade

Houve noites — e poucas pessoas no mundo acreditariam nisso — em que Charlanes viajou tão fundo nesse sonho que ultrapassou o lugar etéreo e entrou dentro da minha memória.

Ele viu o porto de Marselha como eu o vi.

Sentiu o cheiro da peste.

Ouviu Luan morrer.

Viu Luana chorar.

Ele caminhou comigo pelas florestas da Transilvânia.

Tocou as pedras frias do Castelo de Bran.

Sentiu o medo da Igreja na minha pele.

Em algumas noites, ele tentou ver além — ir para outros tempos, outras vidas, futuros possíveis.

Mas era puxado de volta, como se a gravidade do sonho fosse uma força que o prendesse a mim.

— “Por que sempre volto para você?” — perguntava ele.

Eu não sabia ao certo. Mas respondia:

— “Talvez porque alguém precise contar minha história.

E talvez só você possa.”

Ele sorriu.

Era o início do que, séculos depois, se tornaria este livro.

4. Aurel, o Libertador

Enquanto nossos sonhos se cruzavam, minha vida nos séculos antigos seguia seu curso.

Viajei para o Mediterrâneo e me tornei algo inesperado:

um libertador de escravos.

A rota marítima entre o norte da África e a Europa era cruel: navios carregados de homens e mulheres capturados, vendidos em mercados desumanos.

Usei meu conhecimento, minhas forças e minha condição quase imortal para atacá-los, libertá-los e escondê-los em ilhas seguras.

Durante uma dessas missões, encontrei uma jovem judia sefardita chamada Adira, expulsa da Espanha em 1492 com milhares de seu povo.

Era forte.

Era sábia.

E via em mim algo que não ousou nomear.

Mas isso pertence ao próximo capítulo.

Antes de acordar naquela noite, o poeta Charlanes apareceu uma última vez.

— “Aurel… você vive demais.” — disse ele.

— “Mas alguém tem que lembrar.”

E desapareceu como poeira de estrelas.

UM DETALHE

Só tenho 19 capítulos prontos e com ideia do filme tive que parar de escrever por um tempo

37

Vinho e deprê

Escrevo os pedaços do nada

espreita a morte entre as sombras asas ao redor da noite calada deixando gostas grosas e rastos frios invisível que ocupa o meu ser...

Neste fim tarde pardacenta o mundo de tristeza remendando os sonhos que doem-me tal angustia...

Vislumbro o que a alma já escutava antever o clamor das memórias roídas quase esquecidas de como sombras que apagou alucinada escuridão alojada a nostalgia sem cura todas as noites tatear as cicatrizes do coração morder a própria alma...

Mente de ruídos rumores delirantes, lembranças com cheiro a saudades o tempo estagnado sem armadura, cheios de tormentas

Ela tenta semear sonhos que a minha amarga dor come antes da semente germinem... fôr lua cheia, rara tão bela sem propósito das madrugadas sob a lâmina cortante...

Alma deste ser desnudo que latejar este sentimento versos imprimido destas insanas letras poetizo-me sob a pungente dor deste vazio...

No esboço de sangue de tinta esborratada escorre no papel folha ainda suja de vinho...

Talvez lê-me seja um confuso borrão...

28

Amor e desgosto

Navegar e no longe no mar morrer de desgosto

Mergulhar e esconder á alma em um baú como coração tesouro sem dona...

Todo o amor procurar a noite com a boca...

O tempo negro manto enfim novo canto triste converte afora mor espanto...

No sol carregado de pura luz de semi-dieias Amon desarmado namoro a Semideia

Busco os seus olhos que me refletem e que os meus olhos que fitam todo dia, embora a boca morde o que os lábios tropeçam nos dentes que suspiram quase sem fôlego os pulmões de um acelerado coração que cambaleia só de te ver passar...

E quanto sentir que já posso-te beijar e as duas almas fundidas e balbuciar da formosa da gostosura sua haverá novas poesias

Hoje sorri-me à paixão conexão dos desamores que derrama e desalma sinto no fundo da minha alma á sua... raízes tão profundas

O meu corpo livro bem aberto as paginas sopradas pelos ventos que tocavam no meu rosto os meus cabelos caracol amendoados vitimas que víamos fiadoras das letras que guardávamos ambos no fundo do silêncio

O luar âmbar talvez o alento que apressado escapa e voltámos no tempo onde ressoou os nossos beijos. 

50

Poesia é voo dos pensamentos

Quero içar voo mesmo que o tempo negue-me o seu rosto mesmo que as minhas frases se partam como vidraças no impacto de cada instante...

Até que o verbo use-me e eu seja apenas impulso supura o coração que bate disparado e parado estático o corpo e a alma, e o espírito:

inquietude...

Em cada pensamento acelerado o ar de um peito sufocado e apressado o tempo que anda ligeiro preocupado em fazer passar

todos os temas que esqueci...

Mas eu insisto: sopro brasas antigas, faço do silêncio um pouso,

faço da pressa um ritual da rotina diária...

Há um tremor que anuncia tempestade e mesmo assim ergo os olhos como quem cisma em tocar o céu com dedos ainda manchados de estrelas e fascinação

Há um grito velho que me atravessa, um eco de páginas que nunca escrevi e exigem agora o meu nascimento das cinzas fenix fixo meu eu

E eu falho, febril entrego o corpo às sílabas, entrego a alma ao que pulsa, você...; aceito que não há retorno... quando a palavra decide existir... a bola de energia dos cosmos trabalha em segredo: "Não é sobre você"

Queimem-se então as dúvidas, queimem-se os atrasos, atrasados que se pulverizem os medos no rastro luminoso daquilo

que finalmente ouso sentir...

E se cair for o preço do voo, que eu caia em poesia, que eu me estilhace em verso no vidro de cada reflexos o seu que o mundo me recolha como quem recolhe faíscas centelhas pedidas para reacender a própria vida no emaranhado de estrelas

Porque cada linha que nasce é uma fresta de eternidade, e cada rima encontrada é um pedaço de mim que enfim aprendeu a respirar.

E enquanto o coração supura, enquanto o tempo corre,

eu sigo intacto e ferido erguendo palavras como asas,

até que o céu, enfim golfão das cinzas do luar

37

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