Lista de Poemas

Alegria da magia

Era a poesia era o canto

Era o parto mais incerto

De quem se quer tanto

 

Era o ritmo,

era a alegria

era a sintonia

se elevando…
11

Caminho lado a lado

Nesses dias nos que me dizias

Que não conseguias comigo chegar

À meta que traçámos

Aos lugares que olhamos

Juntos a saber chegar

E enquanto caminhámos

Assim nos achegamos

e nos chegamos

Em verdade a encontrar

 

Nesse caminho de vida

Tão assumida

como a que temos

ao nos entregar

 

Mão em mão

Coração com coração

Assumindo mesmo passo

Se unindo

No mesmo compasso

Nesse tempo partilhado

tesouro em nós guardado

Trazido ao reluzir

Nesse trilho amado

No que o tempo

é sempre a se assumir

para em vida nos unir

 

E no eco desse se não

Que se entremeia

Até que deixa passar

Essa relação tão cheia

 

De vida e de amor

consumado

Esse o efeito

De se caminhar

lado a lado

Sendo livre,

verdadeiro e humano
16

Poesia para sempre

Um poema é para sempre

a poesia que abraça a mente

E traz o coração bem ao lado

 

E se se inspira

Nesse algo

que nunca é contado

 

Mas voga e salta

Em todos os poemas

que neste mundo

se tenham entregado
34

Pingente ao peito

Essa figura suave e silenciosa

Esse sonho de terra formosa

Esse algo de alvura

Onde o frio da noite mais se apura

E o tempo assim mais dura

Essa luz em nós a esvoaçar

Aura de algo que se desprende

Desse riso

Do coração da gente

Ao ver outro olhar a brilhar

Ao sentir esse ser a se aproximar

Suave e sincero

Assim qual cabelo

Que se desprende

Na brisa breve

desse reflexo tão breve

Clarão de paixão desatada

Suave e doce maré

Em teu peito ancorada
23

Nesse teu lei, jazendo em meu peito

Se neste mar de silêncio ficasse

sem o teu alento que passe

Neste meu rosto bafejado

Por tudo o que é

por dentro desejado

Ainda que ignorado

Por tudo o resto em meu redor

Se ficasse sem a tua canção de amor

Sem esse teu encanto

Sem esse som melodioso

Luz de vida que amo tanto

 

Se ficasse sem a tua água viva

Tão pura, transparente e cristalina

Para preencher os meus espaços

Esses onde me movo e que abraço

 

Esperando expressar

Espremer devagar

 

Esse algo sumarento

Do qual estou sedento

Para voltar a entregar

 

Nessa forma singela

Que nunca se gela

Assim o calor a nos abraçar

 

E essa humildade silvestre

Dessa flor que me deste

Um dia para plantar

 

Aromas de sonho e cetim

Pétalas nesse jardim

No meu peito poisado

Nesse teu leito sonhado
29

História de um Poema - VII - Paladar

Nessa melodia renovada

 

Uma fagulha a pairar

Nesse peito guardada

À espera de se incendiar




Na folha em branco deixada

Quando assim se quer entregar




Uma carta à namorada

um poema à pessoa amada

um tema para se contar




e ler

e reler




saborear




devagar




nesse paladar

sedente




que nasce e cresce

por dentro da gente
20

A tua voz

E nessa solidão

Chamo o teu nome

Esse que só eu conheço

 

Esse que me desperta

de qualquer adereço

 

Que sabe o endereço

onde me encontrar

 

E entre o lamento

 da rotina vazia

de si mesma

despida

 

Cheia e intensa

A tua voz

volta a suspirar

 

Por mim adentro

Algo que permeia

Ritmo e sentimento

 

Acendendo imagens viventes

De lugares, momentos e gentes

 

Desse amor fadado

Que nos é dado

Para se entregar

 

E ao deixar-se ir e vagar

Nos teus braços

 

abraços simples e secretos

Vamos encontrando ecos

 

Disso que o fruto futuro

Nesse presente plantado

 

Nos tem dito em silêncio

E entre esse nosso tempo

Assim nos tem segredado
13

A lágrima e a estrela

Nessa lágrima salgada

Que acaricia a face amada

Ao ser lida ou encontrada

Escorrendo enamorada

 

Entre a maresia mais fina

Esse algo que se perfila

E traz luz renovada

Aonde não era encontrada

E a luz da madrugada

Ali onde a noite era chamada

 

Ao ser assim despida

Nessa despedida

 Lembrada

Ora jazendo adormecida

Na rotina mais ressequida

Que envolve esta vida

até chegar a ser decorada

 

Com esse sal sem igual

Com essa alvura mais plena

Com esse algo que se assegura

Quando se entrega e vale a pena
21

História de um poema - o parto (paideia)

Ainda assim

estando perto de mim

sempre estender a mão




 

Essa mão que lançamos

Nesses abraços apertados

Que nos demos

Que entregamos




Quando de novo 

nos encontramos




Na página em branco

Silente

À nossa frente




Folha pairando




Nesse lugar poente

Esperando cores

De outros amores

A se saber pintar




E nesses lugares

reencontrados

Voltar a semear




E nesses momentos

deixados

Assim voltar a crer

e querer amar




Até renascer

Devagar...
8

Frenesim de poesia

Neste frenesim inquieto

Nesse sentir irrequieto

Que nos invade e permeia

Quando se entrega

à luz do segredo

Esse cantar mais ledo

Que se entrelaça

E nos abraça

E acende

por dentro

quando se passa

Assim ao se entregar

Esse algo mais íntimo

Para se deixar levar

Esse segredo escondido

Ali onde se tenha esquecido

Deixado

Assim plantado

Para ser recolhido

Mesmo entre a luz da alvorada

 

Nessa orla orvalhada

Água íntima

Suor ardente

Ou nessa página marcada

Para ser assim enviada

A quem fosse leitor presente

 

Desse algo que voga na mente

E que advém desse algo mais quente

Que palpita no saber ser e estar

Qual na forma de se deixar levar

 

Pelas letradas palavras

Pelas linhas mais claras

Que nos é dado a entrelaçar

 

Por essas horas vagas

Preenchidas não levadas

De volta ao mar de amar

De onde emanam

Para onde regressam

Se não se fizer lugar

 

A que preencham

O tempo

Com a sua força imensa

A nos saber levar

Para esse momento que se não pensa

Para essa linha tão tensa

Que basta um toque

para a fazer vibrar…

E acender a melodia mais íntima

Que nos foi dado a saber cantar
20

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments