Lista de Poemas

Luz no Estio

Nesse lugar onde abraço

Os sonhos, ideais 

e o cansaço





De pregar às sombras

nas que me desfaço

De instilar alento

ao lume baço

 

Nessa cristal bafejado

Pelo tempo mais amado

 

Nesse sentido sentimento

tudo o que se leva dentro

 

Nessa flor aveludada…

Suave frágil perfumada

 

Que quando tocada

Pela imaginação mais fértil

Se abre ou se perde

Entre luzes e melodias

Fantasia de alvorada

 

Qual barca ancorada

Entre as marés

Esperando

 a tua chegada

Para ser desamarrada

E vogar entre o que és

 

E nesse sentido mais amplo

Nesse algo mais vazio

Escrever de novo o teu canto

Plantando a tua luz no estio…
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Sensibilidade

ensibilidade é qual folha de outono corada,

transparecida pela madrugada, 

enquanto voa amparada

pela brisa desse alento sendo levada 




qual palavra bem amada, 

partindo dos lábios de quem te afaga
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Se te dissesse

Se te dissesse quanto peço

 

Às sombras nas que confesso

Um relance dessa luz maior

Uma palavra dessa paz interior

 

Um lugar para permanecer repousado

Nesse instante no que me tenhas admirado

E assim ver refletido tudo o que tenha sentido

Nessa palavra elevada no mais intimo silencio gravada

 

E se te dissesse,

Tudo o que escrevesse

Para ler e reler

E te ouvir dizer

 

Por palavras não minhas

Essas letras comezinhas

 

Gestos de dia a dia transformados

Trilhos abertos por outros fados

Na folha que esvoaçava pintados

Na página em branco levados…

 

E nessa leveza que se preza

Que se exprime e expressa

Nesse espremer suave e lento

Desse alento que nos anima

Dessa graça que se destila

Em cada entrega bem fadada

Em cada verdade no peito guardada
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A Vasilha bem amada

E esta vasilha

vai aguardando

Que desta forma

 

Sendo modelada

Essa lama vivente

Pelo amor desta vida

A mais terna morada

 

Que se fez assim despida

Para ser bem-nascida

Para bem ser amada

 

E nesse algo que nos anima

A cuidar desse bem amar

Que se instila

qual fogo lento

Em tudo o que vibra

por dentro

 

se expressa no brilho do olhar

nesse sorriso suave e sereno

nesse crer e confiar

nesse algo que não sabemos

 

E nesse mais amplo vagar

sendo qual passo apertado

até se embevecer do licor

que é graça de se ter amado
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Luz desse teu reflexo

Desde esse tempo esquecido

Em nós a poder-se anunciar




Qual infância perdida

alvorada se pronuncia

 

Como esse raio de luz

Entre nuvens enegrecidas

E esse arco transparente

De gotas quais pingentes




Traduzindo o teu olhar

Reluzindo desde o peito

sem parar de fazer jorrar




Esse sentido que jaz em ti

Ao se transformar

Em pontes de arco sustidas

E nesse teu céu se ilumina




quais cores garridas

aparecidas

Nesse teu tempo e lugar




Nesse momento a se dissipar

Para deixar entrever




O dia a nascer

Nesse outro ser

A nos admirar

 

Espelho côncavo

ou convexo




Onde estreito

aparece teu reflexo
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Nas Mãos do Oleiro

Qual a mão quente,

suada

Nessa água enlodada

Mergulhada

 

Como o mover em roda

Desse tempo de moda

Sem se chegar a parar

Nesse tempo a divagar

 

Qual no lamento incipiente

Que toma e invade a mente

 

E nesse amor calmo e sereno

De quem confia em segredo

 

Assim a se impingir

A se exprimir

A se deixar levar

 

Nesse barro avermelhado

Cuja forma

tão bem tenho amado

 

E nas mãos do oleiro

Nesse tempo soalheiro

Artista mais que sereno

 

Assim nos olhando

No profundo encanto

 

Deste terno vaso

Que dentro guarda tanto
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Procuramos...

Procuramos desde onde

o sentimento terá nascido

da emoção do ser querido

da devoção de ser ter entregado

nesse peito assim ferido…

 

Pelo amor no coração cravado
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Ser de Arte - a poesia

Ser de arte e poesia

Essa que por dentro

sempre amanhecia

Que se entretecia

nesse fio mais fino

Horizonte garrido

nesse amanhecer

 

Pintado de cores opacas

Outonos baços no ocaso

Assim a se poder deixar acender

Com a luz suave desse cor leitosa

 

Que vem do campo à cidade

E nos transporta

a outra forma de ser formosa

 

E dançamos

Entre as sombras

mais bem perfiladas

E cantamos

Com as folhas nos ramos

E as águas que segredam

palavras borbulhadas

 

Segredos que as marés

trazem de novo a teus pés

nessas praias bem amadas

Onde as tuas caravelas

descobertas improvisadas

Jazem de novo amarradas

Vindo desde terras cheias

Dessas recordações plenas

 

Trazidas à luz do dia

para serem servidas

 

Nesse banquete dos mais simples

Nesse andar devagar dos humildes

Nessa trova nova ao se ir alentando

 

De se ir cantando vida entre tanta gente

E nesse cantar não mais se sentir sozinho

 

Ao se entregar esse mais belo presente

E assim o compor e cantar com carinho
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Estrada de Harmonia

nesse terno aroma

 

entre espuma e mar

 

esse lume na água

que ainda faz brotar

 

areolas de fantasia

melodias de encantar

 

névoa em pleno dia

nevoeiro na noite fria

calor para nos amar…

 

e chegar assim a vogar

nesse mar de sentimento

nesse sentido vivo

que levamos dentro

 

nesse algo mais além do alento

que se aquece e nos enaltece

apenas ao se querer entregar…

 

uma palavra de si despida

nessa estranha despedida

ao ver o tema do poema

assim a se deixar apagar

 

sendo qual um soneto,

ora num alegre canto

nesse deixar-se levar,

por amar e crer tanto

nessa pura humanidade

nesse algo de verdade

nessa luz de sentimento

que dá vida e alegria ao momento

nessa mais bela estrada

que se caminha na alvorada

nessa luz fugidia

que acende a noite até ser dia
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Anunciar o ser Criança

Quando tanto amas

Que proclamas

Na tua mais viva voz

 

Essa que nasce e cresce

Vaga que não se desvanece

Que nos abala e embala e afaga

Que é calor de vida entre nós…

 

Assim nos abraça e nos leva a couraça

Para a peito aberto chegar a declamar

 

Essa melodia esquecida

Essa palavra de vida

Nessa tela rasgada

realidade mais amada

 

E se ver a imagem real

Que era assim levada

No pensamento imaginada

 

Essa sensação que comove

Esse frenesim que nos move

 

A ir mais longe

Mais profundo

Mais alto que este mundo

 

E trazer desse lugar infinito

O mais estranho grito

De vida a berrar sendo nascida

 

Nessa humanidade investida

Nessa graça que se passa

Quando a cegueira

É bem vista

E nesse primeiro olhar

Entre o cego e o ser a amar

De repente ao se encontrar

 

Assim o ser recém-chegado

Com o que acolhe o ser amado

 

E nessa ponte no tempo

Que dá à vida o presente

Fulgente e sentido

Sentimento de ser nascido

 

Assim no peito varado e vivido

À espera de se lançar

Nessas águas do amplo mar
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