Lista de Poemas

Aldeias das nossas terras

nesse tempo sabias

que o que mais querias

era voltar a andar

pelos tempos

pelos fundamentos

de tudo o que nos é dado a amar

e nesses trilhos comezinhos

nesses recantos sozinhos

nesses montes esquecidos

nessas aldeias banidos

ainda estavam

os que vogavam

entre o tempo a se rever

e o espaço a jamais se esquecer
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Sonhos nas sombras

Silêncio que rasgo no intento

De trazer essa luz à tua morada

 

Qual essa estrela de amor

Que antecede a alvorada

a bruma, o orvalho

esse algo de brio

Lembrando

a noite sonhada

 

E se deixa ficar,

nesse lugar ancorada

quando tudo esmorece

e a forma se enaltece

no que se definia

à luz do novo dia

assim permanecia
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Poema para perder o fôlego

Era a poesia era o canto

Era o parto mais incerto

De quem se quer tanto

 

Era o ritmo,

era a alegria

era a sintonia

se elevando…

 

Era esse manto

de fantasia

entretecida

Nesse algo

de esperanto

 

Era a pintura mais garrida

Alguma vez sonhada

 

Era a fantasia renascida

Alimentada pelo pranto

 

era falar sem saber que se dizia

até ler a letra vazia

preenchida desse algo mais alto

 

Era a noite mais luzidia

Anunciando a chegada

 

De tudo o que se bem sentia

Assim qual sendo a alvorada

 

Dessa compaixão

Comezinha

 

Misturada

 

Com a humanidade mais luzidia

Que ainda vaga pela estrada…

 

Assim traçada pelos dias

Pelas horas já marcadas

 

Pelas rotinas de si mesmas vazias

Se não se planta o que nos salva

 

De ser assim tão humildes

Cheios dessa maior inspiração

 

Canais ainda mais firmes

Para trazer de volta o coração

 

À razão mais inquieta

A essa humanidade que é a meta
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Brado de poeta

Se nesse caminho traçado

No peito bem-amado

Se nesse destino velado

Que nos é entregue

 

Qual brado

A ser elevado

Nessa vida

Que nos definia

 

Assim qual recinto quebrado

Pelo ir mais além do que o fado

E encontrar nesse novo lugar

 

Assim sempre a palpitar

Oceano imenso

Que vai mais além

do que sinto e penso

Em ondas a sussurrar

Palavras de vida

e de encantar

 

Que permeiam minhas veias

E enchem estas artérias

Desse fluir vital

Entre o normal e o fenomenal

 

Que se apresenta

em cada virar de esquina

Que nos aquece e ilumina

Em momentos de divagar

 

Que pinta cores de fantasia

Onde a realidade morna se abria

E nos eleva ao mais amplo patamar

 

Ao se entender devagar

A mensagem

que esse sopro mais vivo

Passa entre o que leio e digo

 

Em silêncios ardentes

Nestas linhas que amamos

Preenchidas quais presentes
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Lágrimas de madrepérola



Essa pérola pristina

Transparecida ao luar

Que se eleva quando se anima

Essa força no peito a soprar

 

Maresias de ensonho

Brumas de se encantar

Esse jeitinho risonho

De uma criança a cantar

 

E nessa melodia garrida

Que se celebra a meio dia

Para se deixar depois levar

 

Aromas no vento

CL aridez de pensamento

Para se deixar trespassar

 

E esse ritmo

Suave e lento

Desse alento

Por dentro

A nos refrescar

Devagar

 

E nesse ribombar sumarento

A se espremer ao relento

Quando se expõe por amor

 

Esse algo que levamos dentro

Que deixamos escrito

em sentimento

Quando o alento

se achega ao lamento

Desse riso à alegria ou dor

 

Assim nos deixando o fermento

Para deixar crescer mais ardor

Essência assim espremida

Que pela luz da razão

Não pode ser esbatida

 

Sombra que dança

na noite esquecida

Iluminada pela luz mais amada

Que de madrepérola nos vestia
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Nesse algo que em nós mora

Se já me entristeço na demora

Se já no meu peito

a tua chama mora

Se ainda se chora de encanto

De surpresa

De espanto

Perante tanto que nos é dado

Nesse teu jeito fadado

Em forma de sentimento elevado

Nesse teu encanto marcado

Por tudo e em todo o lado

Aroma que paira sem se entrever

De onde assim irá nascer

Se na doce suavidade

Entre mar, campo e cidade

Se no simples deleite

De algo que por dentro se sente

E se nesse lugar mais sublime

Assim se nos abraça e exprime

Poesias em sentimento

Palavras de vivo alento

Melodias de se encantar

Sonhos para se elevar

E algo desse amor maior

Que no peito é sempre dor

Se não se chegar a entregar
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poema longo II

Nessa linha desenhada

Pela mão sendo traçada

Amada

Delicada

Fina

Suave

Perfumada…

 

Por sonhos de alvorada

 

Pela seda mais fina

Transparecida

Pela luz da madrugada

 

Assim em traços

cintilantes

Desenhada

 

Qual estrada

No firmamento

Periclitante

Nesse alento

Algo sedento

Dessa água salgada

Que nos anima e nos afaga

Que nos fulmina para ser lavrada

 

Entre gotas

Dessa tinta

Íntima

Tão amada

 

Deixada

À solta

Nessa volta

Do destino

 

Que dá brilho

E equilíbrio

A esse princípio

Não nascido

Assim recriado

 

Pelo artista

Mais Divino

 

Em graça

Que se não passa

Se entretece

E se abraça

 

Se doa

Ainda que a mágoa

Esteja instilada

 

Entre cada pincelada

Dessa tela esbranquiçada

Esperando ser rasgada

Pela realidade mais amada

 

Ou ainda

Bafejada

Qual imagem espelhada

Assim sendo esbatida

Qual aquarela renascida

Nessa orla orvalhada

 

Onde se deixava

Prendada

Em gotas

pingentes

Transparentes

Frio fio fino

Que se destilava

 

Entre o suor

Bem quente

Que em areolas

Perladas

Se elevava

 

Calor de quem se amava

 

E nessa folha

Tão suavemente poisada

 

Na palma da mão

Sendo levada

 

No coração

Ainda guardada

 

Esperava

A palavra

 

Verbo distante

O ser substrato

Nesse solo

humidade

humanidade

sorvida qual apelo

pela pele sem segredo

 

revelada

nesse mais fino facto

 

Que se sonhava

E na realidade

A barca varada

Que se imaginava

 

E nas margens

Dessa fina folha

Ainda vogava

 

O mar de amores

Que se preparava

 

Nessas areias

Sendo aquecidas

Pelas peugadas

Assim levadas

Pelo som

Desse emoção

Quais vagas

 

Densas

Perfumadas

 

Pelo som da maré

a teu pé

nesse sopé

cume sem nome

 

Sendo lavrada

 

A imagem

Em ponto claro

Desse algo

Que se tenha amado

 

E nessa transparência

Doce sentença

Que se disfarça

 

Aparecem

Arcos de volta

E arcadas

 

E nessas letras

Sonhadas

 

Sem se deixar

Assim desenhar

Abraçadas

Nesses olhares…

Se chegar a entrever

 

Olhares de crer

E mais bem querer

 

Nesse voltar

Sem se saber

 

Nesse descobrir

Sem querer

 

Assim tanto

Se vai voltando

 

A escrever

 

O por enquanto

O momento

Que vai ficando

 

E entre tanto

Se vai passando

 

Esse fio

Mais fino

Que o cabelo

Mais pristino

Orlado

Dessas gotas

De mais puro cristal

que se têm emanado

 

Suor desse amor

Que se tem prezado

 

Calor dessa imensidão

Qual maior união

Nesse abraço dado

 

E nessa orvalho

Qual flor silvestre

Em pétalas de vestes

Que se tenham

assim desenhado

 

Nesse teu ser

Que veja sem ver

 

Nesse algo

Que ainda

chegará a o ser

 

E nesse veludo

Mais bem calado

 

Que fala e nos diz

O que nos tem contado

(…)
36

Da transparência à água salgada

Se nesta transparência

Entre amor e ciência

Me deixasse

 

E assim afundasse

Bem fundo no peito

E se elevasse

 

Assim a direito

Esse pilar imaginado

Aonde me tenho apoiado

 

Para falar sem pensar

Para dizer sem falar

 

O que se sente

Realmente

O que nos preenche

De repente

 

E depois nos deixa a vogar

 

Assim qual a namorar

 

Os momentos

Para ver nascer

 

Esse algo entre o crer

O querer

E o saber

Assim descortinar

O momento presente

Que se sabe e sente

Assim no peito a palpitar

 

A se estender devagar

Por todo o corpo

Iluminado

 

Por estar mais perto

Desse ser amado

Desse algo elevado

 

Sem nome

e sem se definir

 

Apenas se levando

Nessa candura

De infância

Se imaginando

 

E se se conseguir

Assim  se achegando

A esse calor

Que se quer tanto

 

Dentro do peito

Aninhando

À volta do teu corpo

Esvoaçando

 

Aroma mais suave

Que se sente

e sabe

Assim qual Mar

Imenso

Oceano intenso

Lágrima a escorregar

Na face mais serena

Que se eleva qual na pena

Ao se deixar embevecer

Nessa tinta encarnada

No ser humano bem mada

Sendo sempre cravada

No coração ao palpitar

Onde sempre se encontra

Esse algo

entre transparente e salgado

de tom vermelho pintado

sempre sendo encontrado

No sentimento ancorado

 

Esperando ser chamado

assim ao despertar

 

Na folha serena pairando

Nessa vereda se encontrando

 

nesse ribeiro sendo levada

Pelas veias dessa nova morada

 

Até ao momento mais candente

Que nasce e cresce

Sendo o presente

Que a vida toda plena entrega

Quanto mais perto se achega

Dessa mais obscura treva

Para nos voltar a iluminar

 

Com tudo

o que por dentro

se leva e se eleva

Assim para dar

 

E em prosa ou poema

No mais sublime tema

 

Se chegar a poder encontrar

E nessa onda sublime

Que foi vaga que exprime

 

O poder desse algo

A saber a sal

Ora amargo

Se não se souber provar

 

Esse lamber ao relento

Que se poisa no teu leito

E acaricia o teu ser sem cessar

 

Vagas desse furor imaginado

Que se leva no peito ancorado

 

E segredam suavemente

O sentido de ser gente

No sentimento nos coroa

 

Assim quando magoa

E se faz alegria ao sibilar

 

Vaga e espuma mais alva

Que nos acaricia e nos salva

 

Qual criança abeirada

Nessa praia bem-amada

A fazer castelos na areia

Que a maré sempre cheia

Vem modelar sem parar…
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Nessa albina morada

Essa pele sonhada

Essa nessa nossa

saudosa madrugada

Assim despida

De si enamorada

 

Essa sombra esbatida

Que à luz das estrelas crescia

E cintila quando se deixa levar

 

Na luz dos teus olhos acesos

Pelos teus cabelos

negros e espessos

Assim de relance

ao se ver a passar

 

assim deixar-se levar

assim voltar a vogar

 

Nessa suavidade sustida

Nessa brisa esquecida

Nesse alento presente

Nesse algo pingente

Qual deleite

Ao se embevecer

Qual ser que se respeite

Assim ao voltar a se viver

 

Nesse teu tempo pausado

Voltar assim a teu lado

Pra de ti me embriagar

Para assim voltar a sonhar

E nesse tempo detido

Assim ser renascido

Uma e outra vez

Ao teu ser a voltar

E uma e outra vez

Assim a te encontrar

 

Qual rebento de flor não aberta

Qual uma palavra na frase certa
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Crianças entre nós

Se deixássemos

o que levamos dentro

Fluir em sentimento

E clarejar o pensamento

Suave alento

Assim bafejado

Neste inverno

Sendo levado

A vogar

Qual a bruma

pelo ar

A tocar

Outras gentes

Nesses lugares

Mais quentes

Onde no frio

Deste estio

 

Se encontram

No riso

De quem se demora

A ver

Adultos sendo crianças

Crianças a brincar sem perder

Nesse algo

Tão alvo

Que toda a metrópole parou

E o que sobrou

Ainda trespassa

Esse algo que se passa

Quando nos maravilhamos

Quando assim cremos e fazemos

Quando vamos aonde sonhámos

E concretizamos

Esses sonhos alvos

Entre tantos sobressaltos

E tantos lugares salvos

Por se juntar

Alegria garrida

A força de um novo dia

Essa humanidade que nos unia

E a praça toda para celebrar

A rua toda para passear

O lugar onde se poder brincar

Sendo esse algo que apareça

Esse algo que se preza

Nesse peito a palpitar

Entre tanta gente em beleza

Nesse manto branco

A se deixar levar
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