Darlan de Matos Cunha

Darlan de Matos Cunha

n. 1951 BR BR

n. 1951-11-22, Medina, MG

Perfil
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Amanhã é longe

Amanhã é longe mas não redimirá 
o quanto poderás ser ou não ser nele,
e não digas nada, absortos não falam
embora comam íleos e bebam teores
nos mamilos da Mãe Pressa, sim
amanhã é longe de já não teres como
o alcançar seja como for
mas talvez tenhas ainda alguma ira;
humano demasiado humano 
a escassez geral medra de tal forma
que um rei disse algo sobre 
"bombardeio informático".

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Biografia
Darlan M Cunha publicou os livros Umma (romance, Editora Virtual Books - Pará de Minas, MG), Esboços e Reveses: o silêncio (poesia, Editora CBJE - RJ), O ar em seu estado natural - Textos sobre letras do Clube da Esquina (Editora CBJE - RJ). Entende-se com um instrumento musical, tenta aprender entradas e bandeiras, preparando-se para encontros e despedidas, apreende algo mais da sociologia e da psicologia dos fatos cotidianos.

Poemas

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Dimensão

Duas ou três vezes ao dia
à mesma ladainha entregue,
ela força para estar sozinha 
à mesa, em vão
sombras antigas, cruzes do dia
e assombros futuros
vão ter com ela - três a quatro vezes ao dia.
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A Casa

Há pouco tempo ocupamos o térreo

mas é preciso saber o melhor prumo

para as paredes, a ciência para o teto

os segredos do solo, o entorno é uma  

incógnita que grita, e outras vezes

é silente como o universo ou um crime

meticuloso, perpetrado com luvas.

Estamos no escuro, mas a caminho.

 

Descemos há pouco da casa antiga

e assim o nosso andar ainda é tosco 

e até funesto, todos os membros ainda

com amplitude menor, damos ao sono

importância maior do que às féculas

encontradas, às nascentes e ao hálito

que puxa para cima o que sob a terra está. 

Estamos a caminho há pouco tempo.
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Consumpção

Algumas vezes por dia, senta-se e avalia
o que já preparou para o amanhã, atento
a detalhes, e mesmo assim mal se inteira
de que poucos deles servirão às razões
do novo dia, cujo teor terá pesos e medidas
que não os de agora, e se enerva, dá de ombros
ao que todos mais consomem de seu: o Não
na clareira, a carreira a duras penas aberta.
O amanhã poderá não vir - diz uma canção.
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Mistério




Sempre há quem compre cotações
premissas e promessas de agiotas
praias, imóveis, contornos de um violão,
enfim, móveis futuros de algum crime
porque na outra conta da realidade
bem visível num peito nu
eis a marca do sutiã e, ativada

entre as omoplatas, uma faca só lâmina.*

*****

*: Alusão ao poema de João Cabral de Melo Neto (1920-1999)
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Livros

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Comentários (3)

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Bopa poesia Darlan (continua)

Sônia Brandão
Sônia Brandão

Gostei dos seus poemas. Obrigada pela visita e gentil comentário.

sergioricardo

Claro que sim, prezado: ambos sabemos que todos podem e devem escrever. Mas até que quase todos entre todos evoluíssem da mera curiosidade de criança que aprendeu a andar, boa parte poderia e deveria escrever para si. Alguns anos de fermentação, portanto. A superpopulação de agulhas diletantes em meio ao palheiro, torna difícil, doloroso e até sangrento procurar por uma palha, que seja. Tendo a crer que o mecanismo de seleção natural é manco: a tendência inegável é que o capim sufoque e mate o trigo e que o abraço fatal dos cipós nas árvores transforme toda a floresta em um deserto verde. Em outras palavras, o bom não é coisa que sobressaia. Morrem, a rigor, todos no mesmo emaranhado de tertúlias das quais todos se afastam, desanimados e incrédulos, ao final das contas.