Elos já sem ecos
Frente a frente mum lugar
no qual o sol não se dava
de coadjuvante,
eis que na mesma mesa
frente a frente
dentro do silêncio
o tronco e o machado
beberam e nem se olharam -
pareciam arrependidos
de terem se conhecido.
Frente a frente mum lugar
no qual o sol não se dava
de coadjuvante,
eis que na mesma mesa
frente a frente
dentro do silêncio
o tronco e o machado
beberam e nem se olharam -
pareciam arrependidos
de terem se conhecido.
Frente a frente mum lugar
no qual o sol não se dava
de coadjuvante,
eis que na mesma mesa
frente a frente
dentro do silêncio
o tronco e o machado
beberam e nem se olharam -
pareciam arrependidos
de terem se conhecido.
Em ponto morto o que estava acelerado,
síntese não sei o que é, mas já sabemos
das rachaduras, das trincas e manchas
nas paredes e nos altares, tudo
parecia nos trilhos, fingindo-se felizes
todos, mas em ponto morto tudo está,
a casa é quase que só baratas e formigas
sob o jugo da procura, o pavor nas vitrinas
na noite de luzes artificiais, sim, eis em ré
a velha estrutura de moer carnes e mentes,
uma ópera dos mortos
vai coroando os dias dos semivivos
reagindo como um zero por trás da máscara.
*: Ópera dos Mortos é alusão ao livro de Autran Dourado (1926-2012, MG)
In neutral what was accelerated, but symphysis
I don't know what it is, we only know now
from cracks, cracks and stains
on the walls and the foundations, everything
seemed on the rails, pretending to be happy
everyone, but in neutral everything is, the house
it's just cockroach bark and amputated ants
under the yoke of tiny being, dread in the shop windows
in the old night of artificial lights, yes, in reverse
the old structure of grinding meat and minds - opera of the dead*
crowning the days of the living, all reacting
as a zero behind the mask.*
*: Opera of the Dead is an allusion to Autran Dourado's book (1926-2012, MG, BRAZIL)
Translated with www.DeepL.com/Translator (free version)
Sentados no meio da neblina
no muro de pedra de sua casa
os alienados captados pelo estranho
contentam-se com o silêncio
numa tez sem expressão normal
e quanto mais lhes passa o dia
nada de mais e nem de menos valia.
Talvez vejam o que não podemos.
A mim, de pouco serviu
enquanto ficava no ar
nem depois que partiu
pelos cacos por catar.
[creia: assim mesmo está
num muro da aldeia]
A mãe morreu em pouco
tempo (mãe de quem
e de quanto tempo se fala ?
Aqui, nada se explicita),
silensidão é a praxe
neste entorno vivalma não há
que se lhe meça os colhões
ou o diâmetro dos seios
(coisas poucas, sim
nada de latim - paucas sed bonas -
menos ainda ir ao tradutor
onde tantos se roem por if of off.
Pois bem, o pai foi de suicídio
mas sobreviveste (aqui, tudo
é breu, calotes ao previsível),
a irmã é da moda, vive o relho
mas o verdadeiro espelho aí está
de nome anamorfose, sempre
deformador, reformador, realista ?
Bopa poesia Darlan (continua)
Gostei dos seus poemas. Obrigada pela visita e gentil comentário.
Claro que sim, prezado: ambos sabemos que todos podem e devem escrever. Mas até que quase todos entre todos evoluíssem da mera curiosidade de criança que aprendeu a andar, boa parte poderia e deveria escrever para si. Alguns anos de fermentação, portanto. A superpopulação de agulhas diletantes em meio ao palheiro, torna difícil, doloroso e até sangrento procurar por uma palha, que seja. Tendo a crer que o mecanismo de seleção natural é manco: a tendência inegável é que o capim sufoque e mate o trigo e que o abraço fatal dos cipós nas árvores transforme toda a floresta em um deserto verde. Em outras palavras, o bom não é coisa que sobressaia. Morrem, a rigor, todos no mesmo emaranhado de tertúlias das quais todos se afastam, desanimados e incrédulos, ao final das contas.