1971
Lista de Poemas
NÃO É DETERMINADO PELO HOMEM
Morte! Ah! Cessa tudo
Aqui da terra se descansa
É a terra do esquecimento
Não se houve mais críticas
Muito menos humilhações
A dor já não existe mais
Nem medo, nem frustrações
As dívidas ficam para quem tem obrigações
A morte é um mistério
Uns nem nascem, morrem no ventre
Outros morrem assim que nascem
Uns tão sadios morrem de repente
Outros doentes levam décadas
Para morrer
Uns pensam que podem viver mais
Não sabendo eles que não depende somente do pensamento
Não está determinado pelo homem
Uns vivem vagando como vagabundos
E sobrevivem décadas
Outros quase nem põem os pés no chão e se vão tenros
Que mistério que causa medo
A morte!
Cai um avião, capota um veículo, afunda uma embarcação
Mas um sobrevive sem explicações
Não está determinado pelo homem
Cessam os planos, as conjecturas
Cessam os choros
Se vão os bravos, os humildes
Pobres e ricos se igualam na morte
Não há mais discriminação
Tampouco ostentação de valores
Não importa o cemitério, se lindo ou feio, tudo é terra, e todos enterrados são comidos pelos vermes
De que vale a beleza, os mestrados, e doutorados? Os que são cremados fogem dos bichos, mas esquecem que tem alma
Viver nem sempre é sinônimo de vida
Uns no auge da fama se degolam
É a morte o mistério
Ela ronda, ela sonda os que flertam com ela
Pensando que estarão livres
Tirando a própria vida
Nela cessam todas as esperanças
Tudo é aniquilado
Uns deixam lembranças boas
Outros nem são lembrados
E como passa o tempo
Muitos pensam que os velhos vão primeiro, seria a regra, mas o mistério
É a morte, e não está determinado pelo homem
Todo crivado de balas e sobrevive
Outro já morre por um susto
Mas muitos já velhos, cansados
Almejam a terra do esquecimento
Doentes, moribundos, terminais
Para se livrarem dos seus ais
Somos pó e ao pó tornaremos
Somos pó e nada levaremos
A morte é o mistério
Que não é determinado pelo homem
A vida é a sorte que o Criador nos dá.
Erimar Lopes.
CAMINHOS SEM FLORES
Homem que caminha
Homem, mulher sozinha
Caminhos sem flores
Estradas de desamores.
Homem, ou mulher qualquer
Sem norte para o que vier
No cotidiano virando réu
Perseguindo seu troféu.
Homem e mulher vividos
Com planos bem providos
Homens filhos ensandecidos
Das suas razões desprovidos.
Que procuram uma saída
Com a dignidade traída
Conformação ou arma na mão
Bilhete ao céu ou a perdição.
Homem simples criança Atravessa o coração com uma lança
Por uma mulher, mulher
Caminhos que arriscou escolher.
Homem como um leão
Réu da carne por copulação
Homens, mulheres, comuns
Mortos pela carne mais uns.
Homens sem caminhos
Por mulheres seus descaminhos
Caminhos sem flores
Estradas de desamores.
Erimar Lopes.
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PORQUE MORRO EU A CADA DIA SUFOCADO
Porque morro eu a cada dia sufocado por mãos invisíveis que diminuem o meu fôlego. A tomada da minha vida está plugada em um ser que furta a minha energia. Nem os raios do sol podem me valer. Vou morrendo sem fôlego nem energia. Elas são sutis, estão em meu pescoço o tempo todo, apertando-me gradativamente. Nada de morte instantânea, mas sim silenciosamente. Até esvair toda a energia. Se me escondo elas estão lá, se fujo me perseguem, no oculto também estão presentes. Se me blindo elas também penetram. Que jogo psicológico, e que pesadelo lógico. Nas correntes do meu ser, nas entranhas do meu respirar, faltam volts, falta ar.
Erimar Lopes.
AQUI TUDO É ILUSÃO
Eu não quero mais comer, nem quero mais beber, na verdade desta vida não quero mais nada, somente que ela me leve à outra vida de forma sossegada.
Erimar Lopes.
E AGORA?
E agora José? O que fazes aqui se não é o que quer? E agora Mané? O que será de nós quando a conta vier? Se estivermos a sós o que será de nós. _Mas não sou o José, tampouco Mané, sou o João. Então preste atenção, de antemão não me faça confusão seu João, quando a conta vier é como se estivéssemos caindo de avião. Se estivermos a sós não haverá para nós salvação. Te digo de coração que não entre em nenhum avião de perdição, se Deus é o pai, Jesus o filho, e o Espírito Santo a consolação, embarquemos Neles até o último dia com grande expectação, assim teremos a valia tanto de noite quanto de dia que nos perdurará o perdão.
Erimar Lopes.
A FORÇA DA MINHA FRAQUEZA
Não consigo mais esconder os meus sentimentos, finjo estar bem, mas sofro em todos os momentos em que te vejo. Falta-me coragem, como me falta, ela é forte como o meu desejo. Suo frio e palpita o meu coração quando de mim se aproxima, sem razão, preciso de uma solução para ir para cima de você. Em mim tudo é emoção, fico congelado, mas somente você não vê. Que sensação gostosa quando te imagino minha, em meus braços formosa comigo sozinha, que ilustre seria se eu pudesse te fazer minha rainha. Ainda não posso ver o tempo limpo, ainda há tempestade lá fora, como se houvessem deuses no Olimpo, a minha fé não corrobora. São lágrimas feito chuva e um medo disfarçado, por sua ausência onde sei que eu posso te ver ao meu lado. Você é linda demais, parece fantasia, pintura, desenhada, Sei que de mim espera uma atitude inusitada, mas acontece que em tudo isto sou triste em minha alma fraquejada.
Erimar Lopes.
FRANQUEOU-ME A ENTRADA EM SEU PURO CORAÇÃO
Erimar Lopes.
CARTAS A UM RICO PATRÃO
Sequazes, debrucem sobre a mesa e escrevam das mazelas e desgraças dos pobres e miseráveis, das suas vidas detestáveis, escrevam com tinta vermelha, encham a caneta com o sangue deles derramado que mancha a terra sulcada pela relha e que clama até o céu pois rasgado se encontra o véu. Escrevam dos atos de fé e dignidade que não os deixam se corromper. Escrevam com o suor deles que se transforma em sangue por tanto sofrer, falem da fome que não tem nome, cor, raça, etnia, ou religião. Escrevam sobre servidão e servidão, malogro e assolação. Debrucem sobre os anais da miséria que os matam de forma tão séria. Escrevam mesmo com o sangue deles, vermelho, rubro, carmesim, que enquanto houver este mundo essa miséria há de não ter fim. Debrucem e escrevam com sangue nos olhos, com sentimentos de compaixão, porque o sangue deles que clama, não clama em vão. Debrucem sobre a inanição, peles e ossos, mortes sem razão. Escrevam da injustiça, debrucem sobre a cobiça e a ambição desmensurada, que mói o pobre a quase nada.
Erimar Lopes.
SEM EIRA NEM BEIRA
Erimar Lopes.
DIA DO JULGAMENTO EFICAZ
Se não crerem fielmente
Nenhuns poderão retroceder
A acontecimentos de repente.
O sol há de se escurecer
E a lua em sangue se converterá
As estrelas cairão a perecer
E o céu como cortina se enrolará.
É o dia do Senhor determinado
Contra as nações inimigas
Os que aceitaram o pecado
Em conformidades amigas.
Todos os joelhos se dobrarão
E todos hão de se confessar
Que Jesus Cristo é o bordão
Que vida dá a quem nele se apoiar.
Dia terrível de densas trevas
Dia de pura assolação veraz
Dia da grande ira em reservas
Dia do julgamento eficaz.
Erimar Lopes.
Comentários (3)
amei parabéns
Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio
Belo poema