1971
Lista de Poemas
A AMO EM SILÊNCIO
Disto ela não sabe, diria que de repente
Meu coração não suporte mais a falta,
E num dia desses a encontre ingrata
E lhe conte todos os meus segredos,
Principalmente o de amá-la ingrata,
Como num filme sem ensaios e enredos.
Ela é perfume que dura e de mim não sai,
Impregnada em minha pele em essência,
Entrou em meus poros e pelo sangue vai,
Viaja todo o meu corpo em abrangência,
Como um entorpecente dependência sua,
A desejo em meus abraços nua e crua.
Mas ela é ingrata e isto tudo não basta,
Nem movendo uma montanha de lugar,
Diria: pode se esforçar é pouco arrasta,
De joelhos me implore para eu ficar.
E eu que a amo em silêncio que direi pois?
Como posso aos teus braços tornar?
Ipatinga, 01/10/2018
Erimar Lopes.
SEM SENTIDO
Ipatinga, 03/08/2018
Erimar Lopes.
O REFLEXO DA SOLIDÃO
Eu sofro sem um amor, me sinto tão só, puxa, como é difícil e triste a solidão. Na juventude me sentia forte e não dava atenção para estas coisas. Hoje depois de tantos anos acompanhado de uma esposa fiquei sozinho. Perdi o chão, desconcertei os meus passos, parece que caí num abismo sem fim. Meus olhos, minha mente buscam um novo amor, mas verdadeiro, a esta altura me sinto incapaz. Tudo muda, fica estranho, não estamos mais acostumados com a vida de conquistas, de namoros, passamos por um período de readaptação. Ficamos carentes de repente e lutamos para não nos entregarmos à primeira oferta de amor que aparece sem antes analisarmos minuciosamente. Mesmo assim corremos o risco e acabamos nos envolvendo, não fomos criados para sermos sozinhos, acreditamos que dará certo e investimos alto na esperança de resolvermos o principal que é o não ficar só. Depois vem a necessidade do preenchimento do vazio que outrora havia ficado, um coração em partículas, fragmentado, esperando por alguém que junte e condense suas partes. Podemos estar iludidos, todavia não queremos aceitar, pois o que parece ser, o que é apresentado aos nossos olhos é tão real e verdadeiro quanto ao que a nossa consciência sã e perfeita discerne que é hipocrisia e engano. Passamos a lutar por uma resposta, um simples testemunho que não seja igual tal qual o que é oferecido e mostrado aos nossos olhos. Do oculto para poucos, exceto a você que ignora certos episódios para seguir firme no propósito de amar de novo com fé na vontade que há a esperança de transformação nos indivíduos para serem honestos, leais, fiéis, respeitosos, transmissores e expressadores da verdade, e concessores de honra.
Erimar Lopes.
NOS BASTIDORES DO PODER
O uivo do homem, lobo faminto
Nem dorme, perseguindo a caça
Deixa de ser humano e segue o instinto
Quer a carne e o sangue pela ameaça.
Predador selvagem muito estrategista
Está no topo da cadeia alimentar
Seu jeito astuto esclarece sua conquista
Homens e lobos adoram estraçalhar.
O homem com instinto animal
Lobo voraz numa carnificina infindável
Tem prazer em infligir o mal
Sem respeito a uma escala tolerável.
Sempre há uns lobos nos altos poderes
Comendo carne e bebendo sangue
Banqueteando-se com seus caracteres
Usando o poder estabelecido feito gangue.
ERIMAR LOPES.
CONFIGURAÇÃO DE AMOR
Eram meus os teus intentos
Eram como água cristalina
Eram minhas as tuas aspirações
Envolvendo o meu coração
Éramos cúmplices e minha a tua culpa
Éramos somente um no sofrimento
Suportavámos a dor por amor sem fingimento
Eram minhas as tuas dores
Eram minhas as tuas angústias
Eram meus os teus devaneios
As tuas guerras eram minhas
Na fraqueza nos consolávamos
Na força nos alegravámos
Foram meus os frutos do teu ventre
Filhos que nos alegraram e consolaram
Nossa a nossa descendência
Filhos dos nossos filhos
Que foram concebidos de nós
Tudo que procederam de nós
Foi minha um dia a tua morte quando partiu
Foi muito forte por tudo que entre nós existiu
Pedi ao todo poderoso e Ele me concedeu
Partir-me para juntar a ti na eternidade
Porque sem ti naquele dia foi como morrer de verdade.
Erimar Lopes.
O HOMEM SEM ROSTO
O homem sem rosto indisposto.
O homem sem brilho e sem gosto.
O homem nascido para o suposto.
O homem sem moral e sem posto.
Oh quanta causa de desgosto.
Na vida desse homem deposto.
Sem rosto e sem pressuposto.
Indesejável e invisível encosto.
O homem sem rosto nas casas.
O homem sem rosto no trabalho.
Pássaro que não voa, sem asas.
Carta sem naipe num baralho.
Quantos homens sem rosto.
Uns destinados pela escolha.
Atraídos pelas coisas do gosto.
Outros se prendem numa bolha.
Ambos miseráveis em seus mundos.
Se querem às vezes serem notados
Utilizam subterfúgios hediondos.
Mas continuam sendo desprezados.
O homem sem rosto se mascara.
Mas muitos dos seus atos o descara.
Percebendo que não veem sua cara.
Sem escrúpulos sua face escancara.
Erimar Lopes.
DIANTE DOS TEUS OLHOS
Naquele dia hesitei-me
Diante dos teus olhos congelei-me
Parecia que não havia nada novo que eu pudesse fazer
Antes de apresentar-me estava confiante
Mas o medo fez-me vacilar
Que coisa, era apenas um encontro
E eu deixei você ir porque não fui convincente
O meu medo impactou você
Ficou tudo desconexo
Eu não queria jamais te perder
Porque você apostou alto na minha proposta
Era apenas um encontro e eu perdi as palavras certas
Em teus olhos contemplei a decepção
Nem pude te tocar, tampouco segurar a tua mão
Te vi como o mar, repleto de espaço para navegação
Mas nem teu rosto pude beijar
Você se foi sem resposta, sem entender o que houve
Ficou no ambiente um vazio, um frio insuportável
Por que não consegui te segurar mais um pouco?
Até hoje me pergunto: será que ela ainda se lembra?
Porque eu jamais a vi e nunca mais esqueci desse dilema
Ele me perturba, me inquieta
Porque liguei, chamou e não obtive resposta
Sempre na esperança de ouvir a sua voz
Ainda volto no lugar do nosso encontro
Pensei ser um lugar familiar seu
Em que eu poderia pelo menos te ver de longe
E me aproximar aos poucos novamente
Mesmo se estivesse acompanhada com outro
Porque até hoje me puno por aquele dia
Porque nunca tive a oportunidade de me redimir
Diante dos teus olhos.
Erimar Lopes.
MORRE-SE A CARNE
Sinto dores, como de um espancamento. Sinto horrores, pavores ao relento. Tormentos de anúncios de guerras que vão chegando. Sinto o mundo se colapsando. Onde ela está sentem-se a morte estreitando o caminho. O que é suficiente quando se está sozinho, "Não matarás' diz o mandamento, mas matar e pilhar parece entretenimento. Somente os loucos sabem quando os racionais se enlouquecem, morre-se a carne, mas os espíritos de demônios permanecem.
QUANDO O INTERIOR É FÚTIL
Nunca me preocupo com a aparência, porque a formosura decerto vai embora.
Com anos se contemplando no espelho o tempo é irremediável.
Para uns ele chega mais cedo, para outros um pouco mais tarde, outros nem tempo de verdade.
Todavia em cada fase da nossa vida, muitos de nós temos que entender o que realmente nos torna belos.
E com certeza não é somente a aparência.
PORQUE A PAZ NÃO É PARA TODOS
Porque a paz não é para todos
Porque é um dos dons Divinos gratuitos
Sem ela a alma vive em desacordos
E o homem se envolve em conflitos
A paz traz refrigerios constantes
Que norteiam importantes decisões
Sem ela os homens são arrogantes
E tem a força como princípio de opções
A paz, Divina paz inexplicável
A ordem no espírito e na alma
Seu detentor é um manso implacável
Que pode subsidiar com imensa calma
A paz habita em um sábio coração
Este dom saudável e mui poderoso
A lei natural do homem traz violação
Quando a guerra é o meio vantajoso
Erimar Lopes.
Comentários (3)
amei parabéns
Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio
Belo poema