SEM SENTIDO
O que é um homem sem um amor? É um objeto sem cor, uma pétala sem flor, uma baqueta sem tambor, um alimento sem sabor, um choro sem rancor. Uma via sem pavimento, a massa sem cimento, um corpo ao relento, a tempestade sem vento. A vontade sem a razão, uma via de contramão, um sol sem verão, um voo sem avião. Um barco sem motor, sem remo ou remador, à deriva em alto mar, sem saber aonde chegar. A língua sem a fala, um perfume que não exala significante odor. Um coração que não bate, um olho que não vê, a fome que não se acaba, o mundo quando desaba diante de você. A loucura controlada pela força aplicada doa a quem doer. O trem sem os trilhos, o sabugo sem os milhos, os pais sem os filhos, o morcego durante o dia, sem paz na agonia. O banco sem vigia, a virgem sem pudor, sem compromisso sem pastor, as nuvens sem o céu, as castas sem o véu, as prostitutas sem bordel, as abelhas sem o mel. A caneta sem a tinta, a rainha indistinta, um pincel que não pinta. Quantas coisas se podem enumerar querendo explicar um homem sem um amor, porque Deus o Criador ao fazê-lo teve o zelo de uma companheira arranjar, vendo-o triste sem um par, de suas costelas foi tirar uma mulher para ele amar.
Ipatinga, 03/08/2018
Erimar Lopes.
SERÁ ELA?
Será ela a dona do meu coração que veio para ficar eternizada em mim, com perfumes das flores, me enchendo de amores no lençol de seda vermelho-carmesim?
Ela sabe tudo sobre mim, me cerca e me prende, me surpreende e sempre se rende aos meus anseios, mas me domina e não me recrimina por todos os meios.
Teus seios são meu aconchego, teus lábios meu doce recanto, teu corpo meu labirinto, teus braços meu regaço, teus olhos meu infinito encanto.
Tua cútis leve e suave como brisa de primavera, tua voz um som agradável como notas de uma linda canção na alma, teu sorriso de criança me acalenta e me acalma.
Que venha todo o amor sobre mim da mais pura, santa, e bela senhora da minha vida, dona do meu querer, numa só comunhão, a esposa mais querida.
Ipatinga, 22/08/2018
Erimar Lopes.
O REFLEXO DA SOLIDÃO
Eu sofro sem um amor, me sinto tão só, puxa, como é difícil e triste a solidão. Na juventude me sentia forte e não dava atenção para estas coisas. Hoje depois de tantos anos acompanhado de uma esposa fiquei sozinho. Perdi o chão, desconcertei os meus passos, parece que caí num abismo sem fim. Meus olhos, minha mente buscam um novo amor, mas verdadeiro, a esta altura me sinto incapaz. Tudo muda, fica estranho, não estamos mais acostumados com a vida de conquistas, de namoros, passamos por um período de readaptação. Ficamos carentes de repente e lutamos para não nos entregarmos à primeira oferta de amor que aparece sem antes analisarmos minuciosamente. Mesmo assim corremos o risco e acabamos nos envolvendo, não fomos criados para sermos sozinhos, acreditamos que dará certo e investimos alto na esperança de resolvermos o principal que é o não ficar só. Depois vem a necessidade do preenchimento do vazio que outrora havia ficado, um coração em partículas, fragmentado, esperando por alguém que junte e condense suas partes. Podemos estar iludidos, todavia não queremos aceitar, pois o que parece ser, o que é apresentado aos nossos olhos é tão real e verdadeiro quanto ao que a nossa consciência sã e perfeita discerne que é hipocrisia e engano. Passamos a lutar por uma resposta, um simples testemunho que não seja igual tal qual o que é oferecido e mostrado aos nossos olhos. Do oculto para poucos, exceto a você que ignora certos episódios para seguir firme no propósito de amar de novo com fé na vontade que há a esperança de transformação nos indivíduos para serem honestos, leais, fiéis, respeitosos, transmissores e expressadores da verdade, e concessores de honra.
Erimar Lopes.
NÃO HÁ EXPLICAÇÃO
Como eu te amo
Não há explicação
Como sofro por este amor
Não há explicação
Como ignoro suas loucuras
Voltando aos meus braços
Como se nada houvesse acontecido
Não sei entender
Somente sei te amar
Fui escravizado
Animal acuado
Não há humana explicação
A dor já não dói mais
Tudo é belo em meu coração
Você se inundou em mim
Estou afogado sem reação
Sequestrou o meu fôlego
O meu respirar está em tuas mãos.
Erimar Lopes.
NÃO A POSSO TER
O que os meus olhos veem
É inacreditável
Eles nunca viram antes
É belo, é deslumbrante
É extasiante
Num instante paralisados
Uma pintura, um desenho
Por Divinas mãos animado
Com todas perfeições
O que os meus olhos veem
Me deixa encantado
Apaixonado e iluminado
Mas meu espírito diz:
Apenas olhe e não cobiçe
Não seja por teus olhos envergonhado.
Erimar Lopes.
CONFIGURAÇÃO DE AMOR
Eram meus os teus intentos
Eram como água cristalina
Eram minhas as tuas aspirações
Envolvendo o meu coração
Éramos cúmplices e minha a tua culpa
Éramos somente um no sofrimento
Suportavámos a dor por amor sem fingimento
Eram minhas as tuas dores
Eram minhas as tuas angústias
Eram meus os teus devaneios
As tuas guerras eram minhas
Na fraqueza nos consolávamos
Na força nos alegravámos
Foram meus os frutos do teu ventre
Filhos que nos alegraram e consolaram
Nossa a nossa descendência
Filhos dos nossos filhos
Que foram concebidos de nós
Tudo que procederam de nós
Foi minha um dia a tua morte quando partiu
Foi muito forte por tudo que entre nós existiu
Pedi ao todo poderoso e Ele me concedeu
Partir-me para juntar a ti na eternidade
Porque sem ti naquele dia foi como morrer de verdade.
Erimar Lopes.
NOS BASTIDORES DO PODER
O uivo do homem, lobo faminto
Nem dorme, perseguindo a caça
Deixa de ser humano e segue o instinto
Quer a carne e o sangue pela ameaça.
Predador selvagem muito estrategista
Está no topo da cadeia alimentar
Seu jeito astuto esclarece sua conquista
Homens e lobos adoram estraçalhar.
O homem com instinto animal
Lobo voraz numa carnificina infindável
Tem prazer em infligir o mal
Sem respeito a uma escala tolerável.
Sempre há uns lobos nos altos poderes
Comendo carne e bebendo sangue
Banqueteando-se com seus caracteres
Usando o poder estabelecido feito gangue.
ERIMAR LOPES.
O HOMEM SEM ROSTO
O homem sem rosto indisposto.
O homem sem brilho e sem gosto.
O homem nascido para o suposto.
O homem sem moral e sem posto.
Oh quanta causa de desgosto.
Na vida desse homem deposto.
Sem rosto e sem pressuposto.
Indesejável e invisível encosto.
O homem sem rosto nas casas.
O homem sem rosto no trabalho.
Pássaro que não voa, sem asas.
Carta sem naipe num baralho.
Quantos homens sem rosto.
Uns destinados pela escolha.
Atraídos pelas coisas do gosto.
Outros se prendem numa bolha.
Ambos miseráveis em seus mundos.
Se querem às vezes serem notados
Utilizam subterfúgios hediondos.
Mas continuam sendo desprezados.
O homem sem rosto se mascara.
Mas muitos dos seus atos o descara.
Percebendo que não veem sua cara.
Sem escrúpulos sua face escancara.
Erimar Lopes.
DIANTE DOS TEUS OLHOS
Naquele dia hesitei-me
Diante dos teus olhos congelei-me
Parecia que não havia nada novo que eu pudesse fazer
Antes de apresentar-me estava confiante
Mas o medo fez-me vacilar
Que coisa, era apenas um encontro
E eu deixei você ir porque não fui convincente
O meu medo impactou você
Ficou tudo desconexo
Eu não queria jamais te perder
Porque você apostou alto na minha proposta
Era apenas um encontro e eu perdi as palavras certas
Em teus olhos contemplei a decepção
Nem pude te tocar, tampouco segurar a tua mão
Te vi como o mar, repleto de espaço para navegação
Mas nem teu rosto pude beijar
Você se foi sem resposta, sem entender o que houve
Ficou no ambiente um vazio, um frio insuportável
Por que não consegui te segurar mais um pouco?
Até hoje me pergunto: será que ela ainda se lembra?
Porque eu jamais a vi e nunca mais esqueci desse dilema
Ele me perturba, me inquieta
Porque liguei, chamou e não obtive resposta
Sempre na esperança de ouvir a sua voz
Ainda volto no lugar do nosso encontro
Pensei ser um lugar familiar seu
Em que eu poderia pelo menos te ver de longe
E me aproximar aos poucos novamente
Mesmo se estivesse acompanhada com outro
Porque até hoje me puno por aquele dia
Porque nunca tive a oportunidade de me redimir
Diante dos teus olhos.
Erimar Lopes.
MORRE-SE A CARNE
Sinto dores, como de um espancamento. Sinto horrores, pavores ao relento. Tormentos de anúncios de guerras que vão chegando. Sinto o mundo se colapsando. Onde ela está sentem-se a morte estreitando o caminho. O que é suficiente quando se está sozinho, "Não matarás' diz o mandamento, mas matar e pilhar parece entretenimento. Somente os loucos sabem quando os racionais se enlouquecem, morre-se a carne, mas os espíritos de demônios permanecem.