REINO HIPÓCRITA
Os teus escritos e manifestos têm a essência do cheiro da ruína ó rei, a essência imaculada da miséria instaurada. Tu és um rei dum reino vazio e opaco, teus súditos são os cristais sujos, teus asseclas os recipientes cheios de bebidas fortes. Quando discursas o teu povo te faz aclamado: - Oh, portentoso rei, como governas bem e nos tens feito fecundos e prósperos! Vida abundante ao rei! Não obstante tua rainha são sete concubinas, teus herdeiros os plebeus sectários, a tua herança uma lâmina num pêndulo, a tua sentença é tua crença nas mãos da horda de Nobres salafrários.
TALVEZ UM DIA FALEMOS DE AMOR
Talvez um dia falemos de amor, um dia numa dor, dor suave e tensa, imensa dor, onde? Na carne consciência com fervor, sol que queima feito fogo abrasador, ah! Meu amor sofrer assim tem seu sabor, na tenaz sou brasa viva, aquém-calor, tua nudez hipnótica faz laborar beijo sôfrego avassalador, sou vencedor atado em teu umbigo acolhedor, percorro curto espaço, desabrocha virgem flor, ali morro, morro no cume, enterrado vivo adorador, sem culpa, astuto desbravador, haja vida, mas mate-me com sorte favorecida, contudo não me julgue por favor. Dê-me aos céus, não aos léus, embriagado de torpor. Morreria mil vezes nela pela vida que a dou na intensa dor, sem a morte pois o véu da sorte em seu esplendor mata todo forte.
Erimar Lopes.
ENDUVIDADO
Eu não posso e nem sei dizer o que eu sinto realmente por você. Se rancor ou amor, se ternura ou amargura, se segurança ou insegurança, se confiança ou incerteza, se bondade ou retenção de bem, se fé ou incredulidade, se lágrimas ou risos, se conforto ou relento, se união ou divisão, se paz ou labuta, se descanso ou aflição de espírito, se prosperidade ou pedir esmola, se honra ou vergonha, se respeito ou afronta, se verdade ou faz de conta, se intensa luz ou densas trevas, se caminhos retos, águas tranquilas ou encruzilhadas, se suporto tudo ou não aguento mais nada, antes que trespasses o meu coração nesta luta com espadas.
AGONIA
Noites e dias de agonia, vagando na clausura pelo vazio da solidão, olhar frio e congelante de parar um coração.
Não sinto mais nada, não sinto mais nada! Ela traspassou minh’alma agonizante nos gumes de uma espada.
Acuada e relutante na afiada e penetrante lâmina dos tormentos, sem risos e apenas prantos minh'alma anseia por desencantos.
Na luta fortuita, ó minh’alma labuta! Como és forte, será mesmo a morte ou redimida sorte das agruras á vista?
Quebranta ela Senhor! Não a deixes prosperar nesta lida, pois saqueou o meu amor e ainda sem temor anda a tirar-me a vida.
Ipatinga, 15/08/2018
Erimar Lopes.
CAMINHOS
Há caminhos direitos e caminhos tortos, aqueles elevam a alma, estes desfiguram os rostos, envergonham o homem diante de quaisquer pressupostos. Roturam os ossos e deixam os joelhos trôpegos. Como ébrios são os que por estes entram. Vagueiam, tropeçam, caem, rastejam como vermes e morrem. Mortos na alma e no espirito. Sei que existem pessoas boas, estão por aí cansadas de serem traídas e enganadas pelo próximo, mas estão por aí. Sei que ainda existem pessoas fiéis que lutam para estabelecer a fidelidade em outrem, sofrem, relevam tantas coisas às vezes absurdas porque amam de verdade. Como explicar a injustiça com o ser humano bom? Por que o mal tantas vezes prevalece? Quisera eu esquecer tudo isto e voltar os pensamentos para o que é belo, louvável, amável, compassivo, piedoso, misericordioso, no que há vida, no que há paz, sem as coisas opressoras deste mundo. Onde haja Deus para que aniquile o mal enraizado nos corações.
OLHOS PARA OLHOS
Eu te amo e te amarei para sempre, assim disse os meus olhos aos teus olhos...pela luz que alumia a alma entrando por eles, que são a janela. O amor chega assim tão sorrateiro e nos pega num simples olhar, num sorriso bobo. Ah! Esses teus olhos que tanto falam e revelam coisas ocultas a outros olhos, me deixam sempre de olhos bem fechados. Já tentei de tudo como entender o teu olhar, nem colírio, nem lentes de contato, óculos de grau nem pensar. O que os meus olhos leem em você é difícil de explicar, mas resume-se tudo em um olhar quando os meus olhos dizem aos teus olhos para sempre vou te amar.
TESTEMUNHA, O BEIJA-FLOR
O Beija-flor beijou com tanto amor a flor do seu amor, que sonhou que amou outro amor num dia acinzentado e noite sombria, e deitou-se e dormiu despojado de toda a agonia. Venham, vejam e ouçam o que diz o vigia! Há prantos na terra por sangue derramado! Há soluços, gritos, ranger de dentes por todos os lados. E ele nem um pouco assombrado, pois sabe que a vida leva a morte lado a lado. Mas quando chegares ao frio do calabouço e teres a alma suspensa, e a prisão acolher sua carne de forma pretensa, e te restares um único suspiro por toda esperança, e lembrares que em ti imperou tamanha arrogância, e volveres no espírito por toda pujança, e quebrares as cadeias da ignorância, e saíres livre de toda penúria, e lembrares que viu e ouviu o vigia naquele dia acinzentado e na noite sombria, abrirás os teus olhos quando raiar nova alva, abraçarás forte teu amor de encontro ao peito, e não verás o Beija-flor que se foi, para não contar-te o pleito, daquele sonho resoluto, entrevero, e suspeito, deixando-te um amargo e numa sequidão de estio, outrora fostes melhor o calabouço, as suas cadeias, e o seu frio.
O PREÇO DA INGRATIDÃO
Neste mundo voraz, caracteres vis com maquiavelice audaz, trilham caminhos tortos na escuridão Satanás, sentimentos fingidos que maquiam a paz em um coração tortuoso, vazio e capaz de aniquilar a bondade, o amor fiel, e a honra de forma capataz.
Por ser compassivo necessário se faz morrer crucificado levando a culpa tenaz, daqueles que não entendem o bem pelo mal que se faz, assim parece correto que morra o Justo e libertem Barrabás.
Erimar Lopes.
Erimar Lopes.
ATÔNITO
Oxalá eu fosse para você apenas um homem, um varão sem valor, iludido buscando um amor escondido, que não se revela, à porta de um coração que perscruta astuta donzela.
Suas artimanhas são tamanhas querelas, não contempla em mim capacidades austeras,
de viver e morrer por sorver bagatelas do ínfimo que me resta, mesmo assim ainda é o que me presta.
Esvair-me por arestas, que levam-me verter ofertas lançadas às desertas incertezas remotas, pois minhas apostas não são grandes derrotas, deixando-me vencer noutros frutos, valores ocultos de sábios astutos, meus sentimentos fortuitos.
Ipatinga, 01/08/2018
Erimar Lopes.
Ó LUA!
Ó Lua! Por que me desprezaste? Mesmo sabendo de todo o meu AMOR por ti! Me acostumei com as tuas fases, com as tuas mudanças ora bruscas, ora mansas causando nuanças em todo o meu ser. Da semente plantada, mesmo pouco irrigada, com força brotava vontade de nascer. Mas você virou teu rosto, quando cheia clareou a minha face, tampouco não bastasse quase deixar-me morrer. Ó Lua! Quanta ingratidão da tua parte, mesmo minguante recusaste ter-me com você. Agora estou murchando, meus galhos secando, meu caule sangrando, todo tempo esperando você resplandecer. Ó Lua volte! Apareça e resplandeça sobre mim, fortaleça-me com a tua luz e não deixe que o meu tronco seja feito de cruz, um madeiro de cerne que traduz a vida e a morte assaz de quem tanto doou amor e não teve conforto e paz e agora jaz na solidão, antes tivesse sido então plantado junto aos ribeiros pois assim reverdeceria anos inteiros, nunca murcharia, meus galhos não secariam e meu caule não sangraria e além de tudo frutificaria. Ó Lua! Em quê te transformaste? Ficaste irreconhecível sem brilho acessível, do Céu Tu te afastaste. Agora te procuro em um escuro Céu, na esperança que se rasgue o véu da vergonha por deixar-me ao léu sem forças e quase sem vida na sequidão, quem dera o meu coração encontrasse uma razão para bater de emoção ao vê-la nascer novamente meiga e resplandecente tal qual éramos nós quando ficávamos a sós contemplando um ao outro, você sempre demonstrando doçura por detrás de uma amargura salgado desgosto, por isso ocultou o seu rosto da verdade, pressuposto para leviandade, na escuridão se escondeu para matar um amor que por tempos não morreu, com raízes arraigadas neste solo pouco fertilizado e sem nutrientes implorando por socorro pois seus renovos estavam doentes. Ó Lua onde estás agora? Torna-te feito outrora na fase da robustez, para que tudo que há em mim floresça outra vez sem extinguir sequer do teu olhar a nudez de um coração perene onde todo o amor verdadeiro se fez, por querê-la e amá-la tanto decidi guardá-la dentro do peito no canto onde move-se a paixão, onde encontrei a razão para suportar tanta emoção nesta vida de ilusão.