Lista de Poemas

UMA CANÇÃO QUE FALE DE AMOR

Quero escrever uma canção que fale de amor, mas não de um amor fingido, que seja um amor sincero e verdadeiro e que perdure pra vida inteira. Aquele amor que realmente se entrega e doa a vida pela pessoa amada, que esteja pronto para morrer e viver por ela. Um amor sem limites, sem fronteiras, sem murmúrios, sem ser pesado, que seja suave e que more fielmente no coração e na alma. Um amor forte o bastante pra resistir às tempestades da vida, mas dócil quando estiver em plena calmaria. Um amor brando, intenso, imenso e que transforme qualquer momento de angústia e tristeza na mais plena certeza de que a vida sem amor seja tal qual uma flor quando as pétalas perdem a cor por secarem e cairem e pelo vento se deixam levar de qualquer maneira pra qualquer lugar, feito folha seca pelo ar sem direção ou orientação, feito passageiro perdido sem ponto de embarcação ou estação, com sentimentos sem razão.
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QUERO IR

Quero ir, quero partir para um lugar dantes ido por alguém, quero chegar lá e me abraçar e me sentir tão bem em meus próprios braços, em meus abraços ir além.

Quero ir distante, muito adiante do pensamento humano, quero chegar lá e diligenciar meu próprio plano de ser humano para me amar e me cuidar sem necessitar temer o engano.

Quero ir e jamais voltar de lá, ir sem levar ninguém, quero ficar para viver e morrer só como do pó viemos e voltaremos ao pó sem ter olhos que vejam e venham sentir dó de um homem que buscou para si o dom de ficar só.
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MEU CORAÇÃO SE ALEGROU

Meu coração se alegrou de forma tão sublime, que todo o meu corpo foi compatível, uma alegria fervorosa e insubstituível, daquelas que enche o peito e a boca de júbilo, que alarga o sorriso e mantém uma expressão na face de puro brilhantismo, que te faz levantar e bradar a todos para que ouçam o quão satisfeito está. Essa alegria é fugaz, sendo um relâmpago que a traz, não como um sentimento eficaz, mas se fores sagaz, ela durará a contento deixando em ti um ápice tal qual sopra-se o vento leve brisa a passar, com o perfume das flores, com o gosto dos amores das donzelas sem par.
367

COVA FUNDA

Não ignoro, respeito e considero a cova funda que acolhe o frio e teso corpo, aliada da morte. O caixão? Esse não, ele também é engolido por ela, não lhe restou tamanha sorte.

A maioria dos vivos a temem, ricos, pobres, famosos, milionários, modelos, etc..., sadios ou doentes, não tem como fugir do seu zelo, aqueles que sucumbiram sem irem a ela foram desprezados, não tiveram enterros descentes.

Ela nunca se cansa, nunca se satisfaz, todos os dias se banqueteia daqueles que a ela trazem, executa seu trabalho natural e eficaz, até aqueles que ela cavam não ficarão para trás.
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UM AMOR DE VERDADE

Eu somente quero um amor de verdade, que me faça feliz de verdade, para o resto da vida na intimidade, respeito e fidelidade, honradez na maior capacidade.

Nos olhos a luz que ilumine o meu ser, nas mãos a força para me suster, nos lábios o sorriso de uma mulher que me acolha por querer.

Exacerbado coração de blandícias, que aplaque em dias de torpes negruras as adagas que minam carícias.

Adjutora, meiga, dócil e compassiva, clarividente, meu ente, minha comitiva. Aonde quer que eu vá, lá esteja ela, altiva, firme e a mais bela, senhora do meu coração com sabedoria singela.

Nos portos e aportos em seus braços, cativos beijos selam nossos laços com fraternos abraços. O que posso eu te dar por tanto bem que me fará? Dar-te-ei a minha vida, vida minha será.
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REINO HIPÓCRITA

Os teus escritos e manifestos têm  a essência do cheiro da ruína ó rei, a essência imaculada da miséria instaurada. Tu és um rei dum reino vazio e opaco, teus súditos são os cristais sujos, teus asseclas os recipientes cheios de bebidas fortes. Quando discursas o teu povo te faz aclamado: - Oh, portentoso rei, como governas bem e nos tens feito fecundos e prósperos! Vida abundante ao rei! Não obstante tua rainha são sete concubinas, teus herdeiros os plebeus sectários, a tua herança uma lâmina num pêndulo, a tua sentença é tua crença nas mãos da horda de Nobres salafrários.
1 682

JANELA DA VIDA

Olhei pela janela da vida e vi algo obscuro, mas antes que ficasse nítido o que seria fechei-a depressa, tive medo de que fossem revelados os teus segredos aos meus límpidos olhos. Eles me tiram a paz, fazem doer a minha alma e corroem os meus sentidos, são como os bramidos do leão e dos seus filhotes quando têm fome e a leoa se põe a caçar depois de longos dias de abstinência. Agora olhe por ela você, o que vês? Porventura dias abreviados por causa dos clamores justos ou dissipação dos tempos em virtude das loucuras? Quer vivas ou morras separada estás sem herança, tal qual a serpente que vive sorvendo o pó, mas mesmo rastejante ainda foi reputada como prudente. Se tem olhos turvos não verás detalhes, escancarem-se, abram-se largamente os caixilhos e deixem que vislumbrem os incautos.







1 640

TALVEZ UM DIA FALEMOS DE AMOR

Talvez um dia falemos de amor, um dia numa dor, dor suave e tensa, imensa dor, onde? Na carne consciência com fervor, sol que queima feito fogo abrasador, ah! Meu amor sofrer assim tem seu sabor, na tenaz sou brasa viva, aquém-calor, tua nudez hipnótica faz laborar beijo sôfrego avassalador, sou vencedor atado em teu umbigo acolhedor, percorro curto espaço, desabrocha virgem flor, ali morro, morro no cume, enterrado vivo adorador, sem culpa, astuto desbravador, haja vida, mas mate-me com sorte favorecida, contudo não me julgue por favor. Dê-me aos céus, não aos léus, embriagado de torpor. Morreria mil vezes nela pela vida que a dou na intensa dor, sem a morte pois o véu da sorte em seu esplendor mata todo forte. 

Erimar Lopes.
1 624

NA TÁBUA DO MEU CORAÇÃO

Filho meu, lança mão dum cinzel e entalhe na tábua do meu coração sem dor o poder do amor. Quero viver para amar sem fingimentos, sem tormentos, sem mentiras a perscrutar.

Na luz dos olhos meus minha querida haja vida, puro desejar de vida doando vida, na essência do cheiro suave que embriaga dois corações, duas almas enobrecidas pela razão de amar.

Afague a paz que há em mim em abundância, deleite, sou teu manto, não haverá pranto e nem se apagará o encanto que feliz te faz, quero amar-te, doar-te, e sustentar-te em tudo que for capaz.

Imperfeito do meu jeito, mas fiel e verdadeiro, estará cheio o meu celeiro de Divina gratidão por ti. Quero honrar-te e ser honrado e que esteja ao meu lado, que vivas por mim e eu por ti.
1 705

UM SONO PROFUNDO

Quisera eu dormir um sono profundo, mas não o sono da morte, este aínda é muito forte, entretanto um sono profundo paralelo a este universo do mundo.

Um sono fora dos vivos, mas não junto aos mortos, fora das bocas cheias de dentes com os sorrisos falsos, das mãos que acariciam e armam laços.

Longe dos olhares e discursos altivos coisas típicas dos vivos, pois aos mortos não resta altivez, tampouco nas coisas concernentes aos vivos acurada lucidez.

Um sono profundo fora da aluvião das gentes que estão crentes na bondade dos povos, que cessarão com a fome e surgirão na terra como renovos.

Melhor dormir profundamente e não acordar, se o Sol te molestaria teve muita sorte, de não haver nascido e aberto os olhos para não contemplar o sono da morte.









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Comentários (3)

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parabéns
parabéns

amei parabéns

Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

lagazaz

Belo poema

1971