OLHE O MAR
Olhe o mar como é lindo e parece infindo!
Águas bravias escumantes a calmas
Que banham a terra nos limites findo
Que tem toda a sorte de criaturas almas
E quando a gente vê pela primeira vez
Se encanta e se indaga: como isso se fez?
Olhe o mar com toda a sua majestade
Com todas as suas forças e belezas
Coitado! Está preso na porção seca
Restando por consolo suas profundezas
Cheia de criaturas almas, nisto não peca
Alimentando homens na árdua pesca.
Olhe o mar que recebe tudo às beças
Todos os organismos que o infesta
Ainda assim suas águas não são insossas
Tem o sal em abundância que presta
Este mar que o homem interpreta
E sabe um pouco dos mistérios acerca.
Da escuridão no centro da massa
Das profundezas e criaturas almas
Somente Deus sabe por onde passa.
SEI MINHA MÃE
Sei minha mãe que nenhum de nós fomos
Agraciados com as blandícias desta vida,
Pois todos tivemos que aceitar os açoites,
Desde a meninice a penúria dolorida.
Sei minha mãe que a humildade temos,
Que à simplicidade sempre recorremos.
Nos ensinaste e hoje a cremos,
Pois dela nos fizeste homens, mulheres,
E ataviada em nós confiantes vivemos.
Minha mãe sabemos, que tudo sofremos,
E não desanimamos, o tronco erguemos,
Com forças lutamos e vitórias alcançamos,
Derrotas tivemos, batalhas perdemos
Nas guerras que travamos, mas ninguém,
Nenhum de nós se foi, todos expectamos
O inviolável e insondável poder do bem.
A CONFISSÃO DE UMA DONZELA
Tenho um véu sobre a minha cabeça
Na castidade vivo sem desejos tolos,
Venho aqui antes que eu me entristeça
Me derramar confessando desaforos.
Dos que insultam a minha pureza
E me veem como objeto de desejos,
Que os dentes são afiada destreza
E os olhos luzes cegas, faróis negros.
Que a boca escancaram até às orelhas
Num sorriso falso, frio, e alardeador
Tal qual o lobo espreitando as ovelhas
Na fome escondendo-se do justo pastor.
Rogo-te não os condene por suas ações
São desfavorecidos de entendimento
Tudo que sentem em seus corações
São armadilhas de empobrecimento.
Não materialmente expressando,
Mas do espírito e da alma do ser
Que vive neste mundo vagando
Na miséria das dores sem crer.
Ipatinga, 23/09/2018
Erimar Lopes.
VIRGEM DEBUTANTE
Na janela assentado meu valor,
Na provisão um mantimento apetente,
O fogão um instrumento de calor,
Na panela ponho fogo água fervente.
Eu linda virgem almejando casamento
Das colinas debutando em minha vida
Prometida ao meu amor por juramento
Minha mãe me ensina ofícios da dura lida.
Mas meu pai se opõe em polvorosa
Tenra jovem filha minha a namorar
Arredia, maravilhosa cheia de prosa.
Saltitante quão gazela difícil de laçar
Desabrochando inocente botão de rosa
Receoso das minhas pétalas esmiuçar.
EVA MULHER
Quando Deus criou o homem e chamou-o de Adão, vendo-o entre todos os animais sem um par, houve uma questão. Sem companheira confiável, vendo então que não era admissível porque tudo que criara era bom, providenciaria uma adjutora, uma varoa para aquele varão no melhor tom.
Adormeceu Adão com um sono pesado retirando de si uma costela cerrando a carne no lugar, dela formou a Mulher uma companheira para lhe ajudar, diante dele no Éden onde foram habitar com a promessa Divina de lavrar a terra, crescer, e multiplicar.
Para contentamento de Adão no coração e na alma, uma auxiliadora de beleza incomparável mais que diamantes, Deus trouxe a ele realeza nunca vista antes, mãe de todos os viventes.Tendo Adão a chamado de varoa, osso dos seus ossos, carne da sua carne, mais que uma coisa boa, Eva mulher tornou-se sua patroa.
PRESO POR AMOR A TI
Estou preso por amor a ti, não consigo das cadeias libertar-me, como pode isso existir sem marcas deixar-me. Como posso lutar com essa força que não conheço, querendo renunciar-me de tudo que não mereço.
Não consigo entender o que aconteceu, nada mais disse, disso nada feito, ficando um profundo vazio dentro do meu peito, que falta me faz e não me faz falta, que me humilha e às vezes me exalta.
Que me prende em celas nas torres mais altas, e detenho as chaves das portas erradas, que a sentença é concreta e a pena abstrata, sem sacrifícios ninguém se mata sem sentimentos de forma exata.
Liberdades, o que fazer com ou sem elas? Estou preso a ti como num juramento no tempo, sem ampulheta, incerto e num deserto de incertezas que pelas fraquezas abrir-se-ão as celas.
Penso em ti todos os dias não penso em ti, como se fosse um ébrio diria já me esqueci do brilho da tua face, do teu riso, não bastasse se eu não me alimentasse dos prazeres que contigo vivi.
Haja justiça do Todo Poderoso, haja lágrimas, haja verdade e gozo, haja júbilo nos corações, emoções, paciência sem argumentações, esperança e tudo quanto seja louvável e afável, e que eu tenha sabedoria dia após dia para não tornar-me um miserável.
LÁGRIMAS QUE CAEM
Lágrimas que caem de olhos alheios dizem pra mim e para você o mais duro sofrer sem acudidos anseios. Lágrimas que caem dos olhos duma criança com fome e sem alimento, tampouco esperança.
Lágrimas que caem dos olhos dum velho capitão na seca terra chão, duns olhos petrificados que ouviu os seus soldados num choro desesperados pela perda dum irmão fardado.
Lágrimas que caem dos olhos duma donzela, a mais linda e mais bela por ver por entre os homens quando se faz a guerra seu querido e amado de todo alistado com o espírito preparado.
Lágrimas que caem dos olhos duma mãe, por um choro que não vai, pela tristeza que não sai pelo filho que se foi, com remorsos e dor intangível nas entranhas, no âmago uma batalha pela falha nos esforços.
Lágrimas que caem densas e turvas dos meus olhos, quando olho nos teus olhos e vejo lágrimas a cair, sentindo você partir dos amargos dessa vida como doce e sucumbida dos teus choros exaurir.
UM POEMA SEM RAZÃO
Procurei escrever um poema sem razão, guiado pela emoção pra tocar quem fosse ler. Assim abri meu coração e encontrei inspiração pensando em você. Oh, meu amor! Minha pujança, minha aliança.
Eu tenho eterno amor por você, tenho muito, amor que fortalece a alma, você é incapaz de compreendê-lo ou ainda não está pronta, me dou a você todo o tempo. Não sei de mim, mas sei te querer, me entregar, te buscar.
Posso estar sozinho, mas está em mim, gravada em meu coração, nos sentimentos perfeitos, numa lágrima que rola quando me aperta o peito, por imaginar estar em teus carinhos e estender os braços e não mais poder te alcançar e, lembrar que se foi deixando no ar uma sensação fictícia de voltar.
Quisera eu estar plenamente em teus braços, entre abraços, nos seus beijos absorvendo a excelente dádiva do amor. Absoluta minha, rainha do meu reino de esplendor. Andaria dias, mas a veria, como de mim não saíste a louvo de fato, amar-te é um cálculo além de exato.
Te confesso, não sei até quando poderei suportar sentir você vitrificada em meus olhos, gravada em minha mente, fixada em meu tato, exalada em meu olfato, guiada em meus passos, como se estivesse em todo lugar.
De dia busco-te com excelência, à noite batalho em minha consciência tentando esquecer-te. Oh vida! Por que escolheu-me para ser teu desta maneira, minha altaneira razão, cotejada não há igual, tão especial, faz-me sentir tão bem quando estás comigo. Diz que vem, sempre pronto te abrigo em meu coração.
AMIGA SOLIDÃO
Como és meiga e dócil oh, solidão! Faz-me prudente, me disciplina, me ensina a ser mais gente, temente, abre os meus olhares, sigo em frente.
Sua fala me cala calmamente, seus conselhos absorvo mansamente, seus juízos executo atentamente, quando me abraça tudo passa rapidamente.
Solidão não te apartes de mim, as nossas conversas são assuntos afins, estou bem acompanhado contigo, em ti me abrigo, me suporte até o fim.
Ipatinga, 07/09/2018
Erimar Lopes.
A ESSÊNCIA DOS EUS
O Eu cômico rindo de si mesmo, o trágico venerando a morte, o rico exaltando a sorte, o Eu pobre chorando a miséria, o Eu político enganando as massas, o palhaço sorrindo nas praças, o Eu pastor ensinando o caminho, o doutor tratando com carinho, o Eu policial guardando as leis, o Eu marginal de encontro às leis, o Eu justiça julgando as leis, o Eu pai educando, o professor agregando conhecimento, o Eu poeta pensando, o compositor compondo, o Eu artista representando, o Eu vida doando, o Eu amor-espírito-alma, exprimindo amor, o Eu ciência descobrindo, o Eu tecnologia inventando e alienando. Quantos Eus, nenhuns são iguais, tantos tanto faz, nem todos do mundo se aprazem no que fazem, poderiam ser Eus diferentes, máquinas ou gentes, agentes do bem ou do mal. E o seu Eu que tal?
Ipatinga, 06/09/2018
Erimar Lopes.