Lista de Poemas

JOGO DA VIDA

Saia lá fora e veja o mundo, a vida, como numa despedida, lance as cartas, se não tem trunfos descarta todas as possibilidades inexatas de vencer ou perder a cabeça, os sentidos em etapas. Feche os olhos um instante, respire o bastante, não se avexe, franqueie as apostas, não dê as costas às portas, defenda-se, não renda-se aos desejos tolos, medite e não dê palpites, fuja de enrolos, não sofra nem faça sofrer, melhor estático se não podes correr, esconda-se, mova-se aos olhos do inimigo e fuja do perigo iminente, esteja ciente de que as fraquezas surgem de repente, não experimente a sensação da ausência sem clemência. Volte fique onde está porque no jogo da vida é difícil de ganhar sem ter alto pra apostar, se perder ganho eu ou ganhe você as migalhas da soberba que alimentam-nos as falhas de podermos enriquecer os desejos sem virtudes que nos cercam amiúde com a ganância de crescer. Em todos os sentidos seja comedido, não jogue com a vida nessa ânsia enlouquecida, vai ter com os prudentes, estude suas mentes e dispa dessa jactância, total alternância das correntes bem e mal, e entre na frequência sem apostar a valência da sua alma colossal.
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SE QUERES QUE EU MORRA

Se me vires chorando e perguntares por quê? Responderei francamente: é porque não quis me querer. E se insistires em saber se esse é realmente o motivo, te direi: não me querer já é duro demais, ademais ter-me como amigo. E se fores mais persistente ainda e não se deres por satisfeita, julgando o motivo estupefata, bradarei a plenos pulmões: se queres que eu morra deste jeito, me mata, faça assim fique longe de mim não me dê seu amor e será o meu fim.
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CHORO SEM LÁGRIMAS

Queria chorar, mas não me restou nem mais uma lágrima, pois todo choro já secou, quem amou, amou! Será que me amaste? Ficaste em cima do muro, não desceste, esperei tempos vazios, não creste. Queria de novo um choro por tanto riso canoro, pássaros canoros me consolando em orquestra em dia de festa. Contesta o que ainda te resta que é chorar, choro seco sem lágrimas, quem as colheu? Amor meu recebeste medida recalcada transbordante, guardaste e ensoberbeceste, por isso choro porque não doaste-me porção, retém-no. Doá-lo-ia para alguém se não ao meu coração?
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A CONFISSÃO DE UMA DONZELA

Tenho um véu sobre a minha cabeça
Na castidade vivo sem desejos tolos,
Venho aqui antes que eu me entristeça
Me derramar confessando desaforos.

Dos que insultam a minha pureza
E me veem como objeto de desejos,
Que os dentes são afiada destreza
E os olhos luzes cegas, faróis negros.

Que a boca escancaram até às orelhas
Num sorriso falso, frio, e alardeador
Tal qual o lobo espreitando as ovelhas
Na fome escondendo-se do justo pastor.

Rogo-te não os condene por suas ações
São desfavorecidos de entendimento
Tudo que sentem em seus corações
São armadilhas de empobrecimento.

Não materialmente expressando,
Mas do espírito e da alma do ser
Que vive neste mundo vagando
Na miséria das dores sem crer.

Ipatinga, 23/09/2018
Erimar Lopes.
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NÃO CONSIGO ESQUECER-TE

Podes não mais querer-me, mas confesso
Não consigo esquecer-te, são memórias
Que de mim não saem, os bons tempos
Nossos juntos que os ventos não esvaem.

Você cuidando de mim quando solícita a
Encontrei, senti tanto carinho e a você me
Entreguei, com sentimentos sinceros me
Inclinei, desejando te amar mais que sei,
Por tudo que fruiria do seu zelo, pensei.

Sabemos que o coração nem sempre
Expressa a razão dos nossos propósitos
Desta feita surgiram fatos que nos
Levaram à ação por rumores insólitos.

Travamos lutas em paz, no que satisfez
Ao desgaste e a mercê, das idas e vindas
Entre mim e você, e o tempo curará tudo,
E que seja absorto o amor como escudo.

Para que sejamos agora fiéis, e sigamos
Unidos em outros anéis, neste caminho
Elevado e firme, esperançosos naquilo
Que não vemos, todavia todo dia cremos.
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MALES LONGE DE MIM

Estou jogando fora tudo que não presta
Tudo que me cerca e oprime calado
Mantendo o que de bom ainda me resta
Lançando longe de mim, indignado!

Nem que me paguem um preço danado
Quero de volta estes males zangados
Que me afligem e me deixam passado
Tiram o sono dos meus olhos cansados. 

Estou arrancando todos eles pela raiz
Nem que seja a mais longa e profunda
Apartando-me do que me faz infeliz 
Eliminando tudo que me suga e afunda.

Que auxiliem-me prisões nos profundos
Trancá-los-eis nos inalcançáveis abismos
Para que não voltem aqui imundos
E me atormentem com seus anarquismos.
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EMBRIAGADO

Quando o vinho cai na taça e a enche de graça,
Os olhos ávidos, a boca seca, o espirito sedento,

A viagem corpo adentro, em instantes euforia,
Repetidas doses, esforçando-te na sobriedade a cabeça cambaleia,

Calor, torpor, tudo em descompasso, letargia,
Embriagado, não somente vinho, mas todo álcool tragado,

Carregado, vomitado, depressivo, enojado, e enjoado,
Devaneios são realidades, às vezes choros ou alegria,

Na noite deste dia tudo ficou perdido, aturdido,
Seria muito proveitoso suportar o desejo e não ter bebido.

A vontade de esquecer o que não pode ser esquecido,
Se a mente momentaneamente perde os sentidos.
Amnésia alcoólica caso tão sabido, das desculpas pelos escândalos cometidos.
341

OLHE O MAR

Olhe o mar como é lindo e parece infindo!
Águas bravias escumantes a calmas
Que banham a terra nos limites findo
Que tem toda a sorte de criaturas almas
E quando a gente vê pela primeira vez
Se encanta e se indaga: como isso se fez?

Olhe o mar com toda a sua majestade 
Com todas as suas forças e belezas
Coitado! Está preso na porção seca
Restando por consolo suas profundezas
Cheia de criaturas almas, nisto não peca
Alimentando homens na árdua pesca.

Olhe o mar que recebe tudo às beças
Todos os organismos que o infesta
Ainda assim suas águas não são insossas
Tem o sal em abundância que presta
Este mar que o homem interpreta 
E sabe um pouco dos mistérios acerca.

Da escuridão no centro da massa
Das profundezas e criaturas almas
Somente Deus sabe por onde passa.
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HOJE QUERO TE DECLARAR

Eu hoje acordei com uma vontade
Daquelas de te abraçar e confessar
Que te amo com toda sinceridade
Com toda presteza estar ao teu lado
Te dar o máximo de mim sem vaidade
Em meus gestos te mostrar agraciado
Percorrer mil estádios por caridade
Não cansar pelo esforço aplicado.

Celebrar a certeza real de poder gozar
A vitória pelos louros alcançados
Por este amor vivido e eternizar
Os momentos de encontro entrelaçados
Pela felicidade, vida, paz, e existência
Da harmonia pelos corações apaixonados
Amados, exultados, na vivaz evidência
Entre duas almas e fiéis enamorados.

Quando eu te declarar todo o meu amor
Serás a mais privilegiada das moças
Terás a minha fascinação e esplendor
Absorverei teu brilho, minhas forças
Contemplar-te-ei com todo louvor
Acolhendo-me no céu que tu adoças
Assim alegrar-me-ei contigo a rigor
Por tempos que tu jamais esqueças.

Meus sentimentos não são devaneios
São verdadeiros e em tudo pode confiar
Morreria instantaneamente sem receios
Se nesta vida não os pudesse anunciar.
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VIRGEM DEBUTANTE

Na janela assentado meu valor,
Na provisão um mantimento apetente,
O fogão um instrumento de calor,
Na panela ponho fogo água fervente.

Eu linda virgem almejando casamento
Das colinas debutando em minha vida
Prometida ao meu amor por juramento
Minha mãe me ensina ofícios da dura lida.

Mas meu pai se opõe em polvorosa
Tenra jovem filha minha a namorar
Arredia, maravilhosa cheia de prosa.

Saltitante quão gazela difícil de laçar
Desabrochando inocente botão de rosa
Receoso das minhas pétalas esmiuçar.
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Comentários (3)

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parabéns
parabéns

amei parabéns

Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

lagazaz

Belo poema

1971