1971
Lista de Poemas
ELA É O FOGO
Diz que sim, diga que me ama, leva-me pra sua cama e de prazeres envolva-me com as suas chamas que aquecem as lareiras do meu peito e aumenta o calor que há em mim.
Vem depressa já estou passando sufoco, estou ficando quase louco com este frio que me congela. Estou batendo à porta, se não abrir arrombo a janela, mas por favor não me deixe sem resposta.
Eu sei que é assim que você gosta, deixar-me batendo à porta, fingindo que não está ouvindo, na esperança que eu vá embora, depois da porta pra fora, escondido eu te vejo saindo sorrindo.
Desse jeito que você faz, vai acabar ficando pra trás, porque já não aguento mais ser tratado assim. Me ignora mandando-me embora, sem saber que este homem por te amar tanto chora.
Ela é o fogo que aquece eternamente,
Sentindo frio eu desejo o seu calor,
Entre seus braços me abrigar aconchegante,
E em seu corpo degelar o meu amor.
Vem depressa já estou passando sufoco, estou ficando quase louco com este frio que me congela. Estou batendo à porta, se não abrir arrombo a janela, mas por favor não me deixe sem resposta.
Eu sei que é assim que você gosta, deixar-me batendo à porta, fingindo que não está ouvindo, na esperança que eu vá embora, depois da porta pra fora, escondido eu te vejo saindo sorrindo.
Desse jeito que você faz, vai acabar ficando pra trás, porque já não aguento mais ser tratado assim. Me ignora mandando-me embora, sem saber que este homem por te amar tanto chora.
Ela é o fogo que aquece eternamente,
Sentindo frio eu desejo o seu calor,
Entre seus braços me abrigar aconchegante,
E em seu corpo degelar o meu amor.
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O OPOSTO DO PROPOSTO
Descobri que o seu desgosto é o oposto do proposto, duas faces em um rosto, sem disfarces e preposto. De janeiro a agosto vai buscando pressuposto antes de dezembro chegar, antes que finde o ano para a razão não encontrar. Se se opõe a si mesmo como pode ir a esmo nessa vida triunfar, levante essa cabeça jogue fora essa tristeza e comece a caminhar, se não der a cara a tapas não vencerá as etapas pelas quais tem que passar. Duas faces em um rosto, ser ou não ser, se não sabes o que queres, vai logo aprendendo o que é mister a escolher. Do proposto não seja oposto, vire o rosto, deixe as faces tomarem gosto porquê já não tem mais agosto e dezembro chegará e passará, assim será mais um ano que se foi e as oportunidades que se vão e tudo acabará como antes ante tanta indecisão.
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MANIA DE QUERER E NÃO QUERER
Não quero as riquezas, essas ditas materiais que acendem os castiçais das profícuas empresas. Quero sabedoria que me traga euforia pra de noite ou dia poder sem asas voar. Não a sabedoria da letra, que incha a carne e a inclina, e a faz rastejar. Quero a liberdade dos bichos, não quero caprichos para me perturbar. Quero andar sem medo na luz ou no escuro e o que me conduza seja a verdade e o amor puro. Quero uma moça modesta que tanto me preste solícita ternura, e em teus seios me acomode e sempre me acuda dispensando brandura. Quero ser feliz simples, felicitar simplesmente, nada que tire o sossego da gente. Não quero imaginar perfeição, mas a que tenha afeição dentro do coração e que saiba perdoar, porquê assim perdoando vai se aperfeiçoando e o perdão encontrar, também quero perdoar. Esta mania de querer e não querer, de imaginar e sonhar alimentando a esperança de viver e amar, de receber e doar, como se fosse fácil realizar as vontades, se apenas dependesse de meras capacidades para alcançar os objetivos que foram humanamente traçados.
220
AMOR QUE TANTO SONHEI
Decidi te esperar, estou a meses sem ninguém, esta força que age em mim é amor que não tem fim, seguindo no tempo dando tempo, para que quando for o verdadeiro tempo eu possa te dizer tudo o que eu sinto por você em meu coração, que durante esta peregrinação deixei-me ser levado pela razão para que se possível for, viver contigo a emoção que me faz tanto te querer. Talvez você não entenda, mas me privei de ti, me tranquei, me isolei para não te ferir, e ocultei meus implícitos sentimentos por longos momentos, até que seja chegada a hora que a espera findará e, sem cerimônias me inclinar diante dos teus pés, e declarar todo o meu amor a ti sem nenhum revés. Quem será você eu estou ainda sem saber, mas mesmo antes de conhecê-la já te digo que ao te ver farei todo o possível para te conquistar, e que eu possa te merecer. Eu sei que existe mais ainda ando triste porquê não a encontrei, de você tenho saudades dos beijos que não beijei. Saio a te procurar, mas não sei onde está, quem sabe em um olhar eu possa vislumbrar o meu amor que tanto sonhei.
Ipatinga, 12/10/2018
Erimar Lopes.
Ipatinga, 12/10/2018
Erimar Lopes.
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MAR DE FOGO
Eu vejo um mar de fogo, seus navios, suas criaturas, marinheiros a remar, suas velas, sopram os ventos, águas de fogo a navegar. Eu vou nas praias deste mar, praias de fogo com muitas gentes a banhar, não há sol nem sombra, somente fogo a queimar, peles vermelhas como num lindo bronzear. Olhos azuis, cabelos loiros, nas ondas de fogo a surfar, apenas assisto tenho medo de mergulhar, neste mar de fogo que é majestoso e me afogar. Não tem salva-vidas pra te acudir, se porventura vier a sumir, nas águas de fogo, como se fosse partir. Ele é um mar diferente, mesmo de fogo não queima a gente, nem tanto calor nele se sente, olha que este mar é atraente! Nele nada a astuta serpente, e em suas praias ela é residente, ela vive agitando as suas águas ferventes e formando ondas de tamanhos gigantes. Este mar de fogo é o mundo das gentes, que pela vaidade veem nele coisas excelentes, estão boiando no fogo deste mar atraente, sendo levadas nas ondas gigantes. Vou te confessar, já nadei neste mar, só que um dia consegui me queimar, quando percebi já estava a me afogar, clamei por socorro, sem ninguém pra me salvar, com muito esforço consegui me libertar, das águas de fogo deste impetuoso mar, e falei pro meu Deus: Não me deixe tornar a surfar naquelas ondas de fogo, porquê quando se está a equilibrar tem-se o controle do jogo, mas se da prancha cair e a onda quebrar de tão gigante que é, dificilmente vai conseguir escapar sem se queimar, e se vier a se afogar talvez não tenha mais fôlego que te leve a terra tocar.
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QUERO IR ALÉM
Quero ir além dos meus pensamentos tolos, daquilo que não entendo na vida de nós viventes, do que andam carregadas as nossas mentes, ir além da dor que assola os nossos corpos, da tristeza que desfigura os nossos rostos, quero sim, afastar tudo isto de mim, e jamais desejar ao meu próximo a dor, a tristeza, e o asco das amarguras que não parecem ter fim. Ir além do imaginável que torna inimaginável pensar o que somos, para aonde vamos, que destino tomamos, se é aqui que ficamos ou apenas vagamos esperando partir. Queria ir além do amor, mas na dúvida pensei: e se eu for? Já estive lá antes e amei as amantes que não foram bastantes e nem suficientes para dar-me valor. Queria ir além do sabor das bocas que beijei, dos sonhos que sonhei, que em outros braços desejei estar, ir de volta ao meu lar onde um dia foi o meu lugar que eu pude repousar e as ânsias assim deixar da porta para fora ao entrar, e com a amada encontrar toda razão para a saciar em nossa cama ao deitar, e em silêncio ofegar as palavras de conforto a meditar. Quero ir além da vida, que eu não sei quando e nem onde termina, que de Deus a morte é quem domina e quem descansa e dá guarida a um corpo em sobrevida exaurindo-se a penar.
276
OS SEGREDOS DAS PAREDES
Eu vi a vida que sofrida foi, as mãos ásperas que onde tocam dói. Dói na ferida da alma que chora horas de desconsolo, suspirando em angústias sem apelo. Eu li os olhos que fechados foram, foram abertos em prantos desaforos tantos, que as lágrimas levaram com tristeza os seus tesouros, feito ovelhas com destino aos matadouros. Eu vi a virgem com calor que queima, queima quente na carne que sente, o desejo que lança tanta gente, na fornalha com calor ardente. Eu vi a casa que habitada foi, que as paredes ocultam os segredos dela, que alí aos olhos de uma sentinela viveu oprimida uma doce donzela. Eu vejo o amor perdido nos caminhos, em encruzilhadas a clamar, eu sei que as rosas têm espinhos, espinhos que nos impedem de amar. Eu não desisto de ouvi-lo um dia, eu sei que um dia me chamará, pela vida que sofrida foi e as mãos ásperas que onde tocam dói, pelos olhos que abertos foram, em prantos desaforos tantos, pela virgem com calor que queima, queima quente na carne que sente, que habitarão a casa da doce donzela, que oprimida foi aos olhos de uma sentinela, e desvendarão os segredos das paredes dela.
307
QUANDO A VI TÃO BELA
Assim quando a vi tão bela, a sensação no coração de querê-la tão singela em minha vida, sem despedida aos meus olhos que fitavam as maravilhas tuas como paisagens nuas de altas montanhas nas densas florestas, que em suas entranhas abrigam seres que amam folhagens espessas. Com todas as sortes sonhar nas alturas por teus sentimentos, que fortes me levam a cair nas branduras dos teus afagos, que fazem toar os batimentos da fonte que pulsa em meu peito, uma ponte lingando aos desejos teus, no leito, ávidos desejos meus. Assim quando a toquei tão suave, correspondeste-me em silêncio em delícias, que de provadas carícias sentidas deste-me, em excelso fulgor por provar do teu sabor nos arrochos sem dor aos céus elevaste-me. Assim quando de mim não soltaste, quanto mais jubilaste de alegrias sem risos, lágrimas de regozijos a brindar com o tempo para que durasse a contento, pelos corpos ardentes e exaustos por tanto amor portento, que de doce a fugaz nos levando ao êxtase, lânguido, imenso, e intenso gozo traz.
308
UM QUALQUER NA MULTIDÃO
Eu sou um homem qualquer na multidão, com todos os sentidos perfeitos, sou normal, sou apenas mais um, vivo em sociedade, tenho emprego, família com esposa e filhos. Saio cedo para trabalhar e retorno à tarde. Sempre tem alguém me esperando, dificilmente não tem. Tenho problemas que todos os normais tem, como dívidas, alguns pequenos ou grandes desentendimentos com a esposa ou filhos, algumas divergências, mas tudo dentro do padrão da normalidade. Tiro férias, viajo com a família, tenho folgas nos finais de semana e feriados, tenho amigos que visitam minha casa, companheiros de trabalho que não são amigos, tenho parentes que muitas vezes enchem o saco, outras vezes são agradáveis, tenho carro e gosto de dirigir, tenho motocicleta, contudo piloto mas sou meio cismado. Pagava aluguel, todavia com muita luta comprei um apartamento, o sonho da família. Tenho uma esposa que diz sempre que me ama, e tenho filhos que me consideram e respeitam. Mas quem realmente eu sou, além de ser apenas mais um na multidão? Aí tem inúmeras possibilidades: posso ser o amante, posso ser um informante, posso ser o algoz sobre muita gente, posso fraudar, posso enganar, posso me transformar, também posso ser realmente quem eu sou, posso ser o outro, posso estar preso ou domesticamente solto. Quem eu sou? Não me conheces? Pensas mesmo que sou apenas mais um na multidão? Se pensas está correto em pensar, não passo de um mero e coitado a sonhar, no que algumas pessoas podem se tornar, além do que são como pessoas normais na multidão.
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O QUE QUERES QUE EU TE FAÇA?
O que queres que eu te faça? se o meu amor te dei de graça e o jogou fora como uma taça que vai ao chão e estilhaça. Por que fez isso comigo? Agora junto todos os cacos, só enxergou o seu umbigo, como me sinto tão fraco e ainda me diz que sou amigo, se estou correndo perigo de cair em um buraco. Nos seus laços me amarrei, nas suas teias me enredei, meu amor te entreguei, só numa coisa não pensei, que um dia choraria e a ti imploraria para saber o que eu não sei, o que te levou à soberba depois de tanto tempo que eu te amei. O que queres que eu te faça? Diga pra mim não disfarça, não seja esse o meu fim, mesmo só os cacos fugindo do buraco, meu amor você é o meu frasco com perfume de jasmim.
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Comentários (3)
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parabéns
amei parabéns
Bárbara Pinardi
Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio
Belo poema