EPITÁFIO EM BRANCO
Ora, nestas horas de solidão vem a reflexão pela vida que se tem, um pensamento na clausura de tristezas e amarguras por tudo que não convém.
Veja bem, posso ir além, talvez me sinta refém dos sentidos que me guiam a desdém, para sair desta prisão uivando como um cão numa nova direção.
Quem chorou comigo? Ninguém, pois bem. Quem me fez prudente? Tudo de conveniente. Tudo se sentia doente, nos membros a premente incapacitação.
As causas, os motivos de aflições converteram o meu coração ao caminho da razão onde encontrei a solução nestas horas de solidão, refletindo feito um cão sem dono enxotado por quaisquer no abandono.
Ousasse a vida assim sem sentido já teria partido, enchido a lápide de epitáfio em branco como se não houvesse existido, nem morto aos olhos, como se não houvesse nascido.
Porquê vem a sede, a fraqueza, e a fome, somos humanos de carne, certos sentimentos nos consome, se consome, a fraqueza tem sede e fome em nossos corpos e quebra os nossos ossos.
O TEU CHEIRO
O teu cheiro e o gosto da tua pele amor! Como são maravilhosos, a tua boca e os teus lábios adocicados, como me deixam esperançosos em provar novamente desse mar de delícias, ou o que seja que afine o tom da nossa mistura em um beijo bom, longo e seguido de carícias. Pelo som dos batimentos acelerados dos nossos corações, sonhamos acordados tantas emoções. Meus olhos na expressão do teu corpo, maravilhados por verem do amor o escopo, numa sessão de querer a amada por horas e não deixá-la por nada. Agrava-se ao que sofre, atenua-se em uma estrofe de versos que falam de entranháveis afetos em diversos universos do amor, que interagem sem dor e nem cor, onde a amada é uma flor, rosa que produz carinhos, e o amado o vapor ferido pelos seus espinhos.
Erimar Lopes.
PIEDADE DE MIM
Meu Senhor ouça o meu clamor! Por que meu Deus sofrer tanto assim? Ai de mim que já não tenho mais forças para lutar, o que será de mim se assim eu continuar.
Oh meu Deus! Eu vim aqui buscar, do Senhor as forças pra eu lutar, encarar o medo e vencer os males que andam a me oferecer somente laços para me prender.
Senhor acode esta minh’alma sofrida, acrescenta nela mais luz e mais vida, e a dê condições para não ser sucumbida, no vazio do espaço, escuridão enegrecida.
Mestre Tu sabes do meu coração, que eu não quero que seja assim, mas Senhor tenha piedade de mim, seja comigo, não permita que os males ditem o meu fim.
Se ouvires o meu clamor, e dispensar-me misericórdia, Senhor andarei no amor, me apartarei de toda discórdia, farei todo o possível que for para manter-me na luz, que guiará os meus passos, e ela me conduzirá até encontrar os Teus braços.
O OPOSTO DO PROPOSTO
Descobri que o seu desgosto é o oposto do proposto, duas faces em um rosto, sem disfarces e preposto. De janeiro a agosto vai buscando pressuposto antes de dezembro chegar, antes que finde o ano para a razão não encontrar. Se se opõe a si mesmo como pode ir a esmo nessa vida triunfar, levante essa cabeça jogue fora essa tristeza e comece a caminhar, se não der a cara a tapas não vencerá as etapas pelas quais tem que passar. Duas faces em um rosto, ser ou não ser, se não sabes o que queres, vai logo aprendendo o que é mister a escolher. Do proposto não seja oposto, vire o rosto, deixe as faces tomarem gosto porquê já não tem mais agosto e dezembro chegará e passará, assim será mais um ano que se foi e as oportunidades que se vão e tudo acabará como antes ante tanta indecisão.
MAR DE FOGO
Eu vejo um mar de fogo, seus navios, suas criaturas, marinheiros a remar, suas velas, sopram os ventos, águas de fogo a navegar. Eu vou nas praias deste mar, praias de fogo com muitas gentes a banhar, não há sol nem sombra, somente fogo a queimar, peles vermelhas como num lindo bronzear. Olhos azuis, cabelos loiros, nas ondas de fogo a surfar, apenas assisto tenho medo de mergulhar, neste mar de fogo que é majestoso e me afogar. Não tem salva-vidas pra te acudir, se porventura vier a sumir, nas águas de fogo, como se fosse partir. Ele é um mar diferente, mesmo de fogo não queima a gente, nem tanto calor nele se sente, olha que este mar é atraente! Nele nada a astuta serpente, e em suas praias ela é residente, ela vive agitando as suas águas ferventes e formando ondas de tamanhos gigantes. Este mar de fogo é o mundo das gentes, que pela vaidade veem nele coisas excelentes, estão boiando no fogo deste mar atraente, sendo levadas nas ondas gigantes. Vou te confessar, já nadei neste mar, só que um dia consegui me queimar, quando percebi já estava a me afogar, clamei por socorro, sem ninguém pra me salvar, com muito esforço consegui me libertar, das águas de fogo deste impetuoso mar, e falei pro meu Deus: Não me deixe tornar a surfar naquelas ondas de fogo, porquê quando se está a equilibrar tem-se o controle do jogo, mas se da prancha cair e a onda quebrar de tão gigante que é, dificilmente vai conseguir escapar sem se queimar, e se vier a se afogar talvez não tenha mais fôlego que te leve a terra tocar.
QUERO IR ALÉM
Quero ir além dos meus pensamentos tolos, daquilo que não entendo na vida de nós viventes, do que andam carregadas as nossas mentes, ir além da dor que assola os nossos corpos, da tristeza que desfigura os nossos rostos, quero sim, afastar tudo isto de mim, e jamais desejar ao meu próximo a dor, a tristeza, e o asco das amarguras que não parecem ter fim. Ir além do imaginável que torna inimaginável pensar o que somos, para aonde vamos, que destino tomamos, se é aqui que ficamos ou apenas vagamos esperando partir. Queria ir além do amor, mas na dúvida pensei: e se eu for? Já estive lá antes e amei as amantes que não foram bastantes e nem suficientes para dar-me valor. Queria ir além do sabor das bocas que beijei, dos sonhos que sonhei, que em outros braços desejei estar, ir de volta ao meu lar onde um dia foi o meu lugar que eu pude repousar e as ânsias assim deixar da porta para fora ao entrar, e com a amada encontrar toda razão para a saciar em nossa cama ao deitar, e em silêncio ofegar as palavras de conforto a meditar. Quero ir além da vida, que eu não sei quando e nem onde termina, que de Deus a morte é quem domina e quem descansa e dá guarida a um corpo em sobrevida exaurindo-se a penar.
AMOR QUE TANTO SONHEI
Decidi te esperar, estou a meses sem ninguém, esta força que age em mim é amor que não tem fim, seguindo no tempo dando tempo, para que quando for o verdadeiro tempo eu possa te dizer tudo o que eu sinto por você em meu coração, que durante esta peregrinação deixei-me ser levado pela razão para que se possível for, viver contigo a emoção que me faz tanto te querer. Talvez você não entenda, mas me privei de ti, me tranquei, me isolei para não te ferir, e ocultei meus implícitos sentimentos por longos momentos, até que seja chegada a hora que a espera findará e, sem cerimônias me inclinar diante dos teus pés, e declarar todo o meu amor a ti sem nenhum revés. Quem será você eu estou ainda sem saber, mas mesmo antes de conhecê-la já te digo que ao te ver farei todo o possível para te conquistar, e que eu possa te merecer. Eu sei que existe mais ainda ando triste porquê não a encontrei, de você tenho saudades dos beijos que não beijei. Saio a te procurar, mas não sei onde está, quem sabe em um olhar eu possa vislumbrar o meu amor que tanto sonhei.
Ipatinga, 12/10/2018
Erimar Lopes.
MANIA DE QUERER E NÃO QUERER
Não quero as riquezas, essas ditas materiais que acendem os castiçais das profícuas empresas. Quero sabedoria que me traga euforia pra de noite ou dia poder sem asas voar. Não a sabedoria da letra, que incha a carne e a inclina, e a faz rastejar. Quero a liberdade dos bichos, não quero caprichos para me perturbar. Quero andar sem medo na luz ou no escuro e o que me conduza seja a verdade e o amor puro. Quero uma moça modesta que tanto me preste solícita ternura, e em teus seios me acomode e sempre me acuda dispensando brandura. Quero ser feliz simples, felicitar simplesmente, nada que tire o sossego da gente. Não quero imaginar perfeição, mas a que tenha afeição dentro do coração e que saiba perdoar, porquê assim perdoando vai se aperfeiçoando e o perdão encontrar, também quero perdoar. Esta mania de querer e não querer, de imaginar e sonhar alimentando a esperança de viver e amar, de receber e doar, como se fosse fácil realizar as vontades, se apenas dependesse de meras capacidades para alcançar os objetivos que foram humanamente traçados.
QUANDO A VI TÃO BELA
Assim quando a vi tão bela, a sensação no coração de querê-la tão singela em minha vida, sem despedida aos meus olhos que fitavam as maravilhas tuas como paisagens nuas de altas montanhas nas densas florestas, que em suas entranhas abrigam seres que amam folhagens espessas. Com todas as sortes sonhar nas alturas por teus sentimentos, que fortes me levam a cair nas branduras dos teus afagos, que fazem toar os batimentos da fonte que pulsa em meu peito, uma ponte lingando aos desejos teus, no leito, ávidos desejos meus. Assim quando a toquei tão suave, correspondeste-me em silêncio em delícias, que de provadas carícias sentidas deste-me, em excelso fulgor por provar do teu sabor nos arrochos sem dor aos céus elevaste-me. Assim quando de mim não soltaste, quanto mais jubilaste de alegrias sem risos, lágrimas de regozijos a brindar com o tempo para que durasse a contento, pelos corpos ardentes e exaustos por tanto amor portento, que de doce a fugaz nos levando ao êxtase, lânguido, imenso, e intenso gozo traz.
FORA CORRUPÇÃO!
Precisamos deter as corrupções , manietá-las abruptas e conduzi-las às prisões, sequestrar os bens delas destituindo suas ações, pois não têm misericórdia da plebe, disseminam a discórdia. São rapinas de olhos apurados, com visões aguçadas, veem por todos os lados as oportunidades pelas presas abatidas. Abrem largas feridas, conduzem às violências, são sugadoras de vidas. Fazem gemer as massas que por tantas cargas são circunvaladas nas desgraças e nos infortúnios sem causas. Deseducam, enfermam, desprotegem, despejam e abandonam à própria sorte, minam as forças de um bravo sedento que pelo trabalho de suas mãos labuta pelo pão que provém o seu sustento. O poder é puro e bom, é branco e transparente, é dado ao homem e o eleva de forma excelente, mas a ganância, a cobiça, e o amor aos numerários são camisas de forças que levam às forcas e lesam os erários. Eles não têm piedade de ninguém, miram seus próprios umbigos, são ambíguos. Serão culpados pelos sangues derramados, pelas vidas ceifadas antes do nascimento, pelos recursos ora desviados, pelas almas deixadas ao relento, porquê é do povo para o povo, não para que peça socorro pelo sangue que clama por ter sido apagada a chama da esperança de viver um dia novo.