ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

n. 1971 BR BR

Mil Santas palavras constroem. Ainda há tempo.

n. 1971-05-10, Frei Inocêncio-MG

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O SÁBIO HOMEM E O GRANDE RIO

O grande rio corre tenso
Águas ligeiras em seu leito
O sábio homem segue manso
Com sabedoria em seu peito.

O sábio homem também ensina
Como andar bem equilibrado
O grande rio não mostra a sina
De quem é levado em seu reinado.

O grande rio é largo e espaçoso
Tenso, mas suas águas navegáveis
O sábio homem é cauteloso
Adverte quanto a convites favoráveis.

O sábio homem vive e viverá
Vigilante, sóbrio, e prudente 
O grande rio jamais admitirá 
Que as suas águas secarão de repente.

O sábio homem e o grande rio
As influências, descrenças, e incertezas
A mente sã e o desvario
O coração firme e a perdição nas correntezas.

Erimar Lopes.

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Biografia

1971

Poemas

703

HONROSO AMOR

São coisas do amor: o pedir e doar, o sofrer e chorar, o saber esperar, o não enraivecer, o não envaidecer, o acreditar e confiar, o não ensoberbecer, tudo suportar, e principalmente se entregar. É abrir uma ferida em si mesmo e cicatrizá-la com o tempo, e às vezes antes mesmo de curá-la, sofrer nova agressão em cima da mesma ferida. O amor dá a vida, devemos conhecê-lo bem das formas como a ele convém, para que entendamos no outro que realmente está amando de verdade e, não a si mesmo enganando e, o semelhante sofrendo o que não é amor e sim dor; dor pela falta de não compreender o que é compreensível, de não aceitar o que é aceitável, de privar o que é comum para apenas um; a dor da intolerância e ignorância. Amar é pesado, é um fardo, uma cruz, mata e crucifica e não se justifica sem doer, arrancar lágrimas, muitas vezes te moer por dentro, se diz de amor violento. Se queres amar pague um alto preço, vire-se ao avesso, aflija-se, exercite-o e aprenda, não se renda, humilhe-se. Vá na fonte do perdão que é o coração e o crave, grave e nunca mais se apague. Deixe ele te envolver, mesmo que vá morrer, morra, mas morra por amor, com ou sem dor, se esforce por favor em busca de um honroso amor.
226

O ANDARILHO

Cala-te se não sabes dizer, apenas ouça para aprender dos grandes, dos sábios, dos notórios, dos ilustres, mas cuidado com os embustes!

Aguce os sentidos, não fique aí perdido, paralisado, aturdido, ouça, anote e grave tudo o que te edifica, mas cuidado com os embustes, eles te complicam.

- Boa tarde seu moço! Donde vem dessa feita? Perguntou um senhor curioso que sempre observava muito ansioso um andarilho a passar em sua cidade sempre a perambular.

- Respondeu o andarilho: boa tarde! Vagando por este país onde não criei raiz em lugar nenhum, de caminho a caminho, cidades a cidades sou apenas mais um. Neste mundo me tornei um vagabundo sem valor algum.

- Mas por que essa vida? Se podes ter uma dignidade ao invés de vagar de cidades a cidades? Me desculpe as curiosidades, mas sou intrigado, sei que tem gente por todo lado, mas se continuar assim um dia estará acabado, veja o seu estado.

- Sim senhor, eu fui imprudente quase estou demente não tenho semente, tampouco me vejo junto as gentes. Meu mundo é vazio de dores e frio, meu olhar é sombrio que dá calafrios se fitam a minha face frente a frente.

- Sim, isso eu não consigo, pois mais parece um mendigo, tem semblantes caídos, traços perdidos em um corpo sofrido, pelo que tenho visto são pavores vividos. Em tantas andanças não tem esperanças?

- As minhas esperanças ficaram perdidas há muito tempo, estou vivo, mas não sei se morro por tantos espantos que me apavoram, pois toda a sorte a minha alma e o meu espírito ignoram, meus olhos choram lagrimas de dor, não sei o que é o amor.

- Sei que não cabe mais me responder, mas queria saber o por que dessa vida perdida? Por tantas andanças sem encontrar nenhuma guarida, porquê te vejo sempre por aqui passar e nunca parar, somente continuar o seu caminho trilhar.

- Deixei-me levar pelo mal, era um ser humano normal, fui fraco provei o que não devia. Foi droga, foi álcool, eu fumava e bebia, então num dito dia me pus no mundo a perambular sem rumo, perdi o prumo, pois fui sugado pelos vícios danados que me levaram acorrentado.

- Hoje isto tudo me corrói, pois nada de bom em mim se constrói, me esforço, luto, combato, como se fosse ao vento, vivendo ao relento eu tento, mas o que planto logo que nasce se destrói, isto muito me dói, mas a frieza drenou os meus sentimentos, todos eles foram levados aos ventos.

- Queria parar com estas andanças, ter de volta a minha dignidade, minha família não tem mais esperanças, por eu viver assim de cidades a cidades, eu sei que tudo isto é castigo, não duvido, pois pratiquei muitas maldades.

- Há muitos anos vivo desta maneira, eu mesmo sou testemunha por tanta loucura, se ainda não morri já encerraram a sepultura, que aberta me esperava com a boca em sua largura.

- Já estive em prisões por estes mundões, testemunhei confusões, vi a morte a milhões, minha alma nas mãos de miseráveis vilões. Que assim como eu, quem matou não morreu, todavia sofreu e pagou as duras penas na angústia fria.

- O que me diz me assombra, já estou sem palavras, de um ser humano nunca se zomba sem saber os motivos que os levaram às sarjetas, imaginava que fosse apenas mais um escorado em muletas, por ter escolhido essa vida sem responsabilidades afetas.

- Não meu senhor, eu não quis isto pra mim, há muito imaginava ser o meu fim, que não havia mais esperanças no ar em que eu pudesse me agarrar e nunca mais soltar, mas pensei, que por tudo o que já passei, o morto-vivo que andei, e ainda respiro, nem que seja no último suspiro por redenção eu clamarei.

- Agora não mais partirei, por aqui ficarei e esperarei o meu fim, tenha certeza nunca mais me verá nesta cidade passar como antes me via, sentado nessa cadeira à beira da estrada como se fosse um vigia, pelo jeito o que eu vejo, o senhor é aposentado e está regalado pelo que foi trabalhado ano a ano contado.

- Eu estou malfadado, não tenho recursos, sou de meia idade, beirando a velhice, mas vendo meu estado mais pareço um ancião em plena caduquice, tudo isto por causa de tantos anos vagando, caminhando, e mal alimentando.

- Pois então companheiro, se ficará por aqui te desejo boa sorte, que o Deus dos Céus te aparte da morte, te dê um norte, te arranque a fraqueza e te faça forte, e redima seus pecados. Ficarei satisfeito se eu vê-lo com todo respeito despido e lavado desses trajes esfarrapados, e bem alimentado.

- Pode deixar meu senhor, estarei me esforçando com todo labor, pra endireitar meus caminhos, mesmo vivendo sozinho, sem recursos e no dissabor das minhas tristezas, vejo luzes acesas que me dão a esperança de ainda encontrar neste lugar aceitável bonança.

Em toda esta conversa não se apresentaram, seus nomes não se revelaram, aquele senhor ficou maravilhado por saber do estado daquele andarilho malfadado, que para ele era apenas mais um que escolheu a vida vadia, sem responsabilidades, pois nada de bons frutos recolheu dia após dia andado de cidades a cidades. Enquanto que o andarilho ficou tão satisfeito, por ter tido o respeito daquele senhor, que com coragem o indagou sobre a sua vida vazia e por que aquilo fazia vagando à própria sorte se entregando à morte que ainda não o queria.
281

TOLICE

Olha, o que eu te disse foi tudo tolice, perdoa-me por expressar-me assim, foi idiotice, não me abandones, não fujas, não te escondas, não te afaste, não oculte a tua face de mim.

Fui rude e insensato, agi como não devia, te magoei, te feri, deixei-me levar pela ousadia sem medo de te perder, agora vejo que fiz prevalecer meus erros até enquanto pude fazendo-a de mim esquecer.

Você é o tesouro que eu tinha guardado, a minha riqueza com valor nunca estimado. Estou te perdendo, é justo, mas está me moendo, como as coisas acontecem, capítulos da vida que vi e vivi e jamais me pertencem.
218

A CASA DE CERA

A casa era de cera em formato de pera, que grande era ela não tinha janela, mas morávamos nela. Eu, meu irmão, e minha mãe, lá na favela, quando o nosso pai nos deixou bagatela.

Mas que loucura era aquela! Não havia energia lá na favela, na casa à noite não se acendia vela, pois ela era de cera, fogo nem ver, já dizia minha mãe: cuidado para esta casa não se derreter.

O mais engraçado é que não ficávamos no escuro, haviam sempre pirilampos nos iluminando, piscando suas luzes eu juro, parecia magia e enxergávamos tudo como se fosse de dia.

As paredes eram macias e pegajosas, eu e meu irmão escondíamos nelas, brincando de polícia e ladrão, enquanto nossa mãe no trabalho permanecia a buscar com o seu suor o nosso pão, na labuta de cada dia.

Quanta alegria eu sentia naquela casa, mas num dia de sol escaldante, a nossa moradia de cera em forma de pera não suportou o calor sufocante e começou a se derreter incessantemente.

Saímos correndo, deixamos tudo para trás, vendo a nossa casa de cera derretendo. Senti os meus sonhos num instante morrendo, vendo chorando minha mãe e meu irmão, imaginando que pesadelo horrendo, agora não temos mais casa, apenas o chão.

Ipatinga, 14/10/2018
Erimar Lopes.
255

ELA É O FOGO

Diz que sim, diga que me ama, leva-me pra sua cama e de prazeres envolva-me com as suas chamas que aquecem as lareiras do meu peito e aumenta o calor que há em mim.

Vem depressa já estou passando sufoco, estou ficando quase louco com este frio que me congela. Estou batendo à porta, se não abrir arrombo a janela, mas por favor não me deixe sem resposta.

Eu sei que é assim que você gosta, deixar-me batendo à porta, fingindo que não está ouvindo, na esperança que eu vá embora, depois da porta pra fora, escondido eu te vejo saindo sorrindo.

Desse jeito que você faz, vai acabar ficando pra trás, porque já não aguento mais ser tratado assim. Me ignora mandando-me embora, sem saber que este homem por te amar tanto chora.

Ela é o fogo que aquece eternamente,
Sentindo frio eu desejo o seu calor,
Entre seus braços me abrigar aconchegante,
E em seu corpo degelar o meu amor.
266

DEUSA NEGRA

Ela é assim, estátua de marfim, esguia, da pele macia, cabelos soltos ao vento, olhar portento, gemas negras, teu andar ouriçado jogando os quadris de lado, da cor do pecado, com sorriso malvado enfim, dos paços sagrados em seu reinado, que surgiu pra mim.

Tua boca é a coisa mais louca, teus lábios nus me dão calafrios que dormem doces macios, me dariam desvarios se provados fossem. Teus seios guardam a força que me desnorteia se me tocam, pousar na tua boca teus sôfregos beijos me sufocam.

A amaria, devocionaria, me renderia por completo, à deusa negra com o cetro da paixão que quer meu coração repleto de ilusão. Como fugir das tuas mãos pois se acima de tudo quero aventura e emoção?
291

EPITÁFIO EM BRANCO

Ora, nestas horas de solidão vem a reflexão pela vida que se tem, um pensamento na clausura de tristezas e amarguras por tudo que não convém.

Veja bem, posso ir além, talvez me sinta refém dos sentidos que me guiam a desdém, para sair desta prisão uivando como um cão numa nova direção.

Quem chorou comigo? Ninguém, pois bem. Quem me fez prudente? Tudo de conveniente. Tudo se sentia doente, nos membros a premente incapacitação.

As causas, os motivos de aflições converteram o meu coração ao caminho da razão onde encontrei a solução nestas horas de solidão, refletindo feito um cão sem dono enxotado por quaisquer no abandono.

Ousasse a vida assim sem sentido já teria partido, enchido a lápide de epitáfio em branco como se não houvesse existido, nem morto aos olhos, como se não houvesse nascido.

Porquê vem a sede, a fraqueza, e a fome, somos humanos de carne, certos sentimentos nos consome, se consome, a fraqueza tem sede e fome em nossos corpos e quebra os nossos ossos.
280

SERÁ ELA NOVAMENTE?

Tudo me leva a crer que será ela a dona do meu coração que veio para ficar eternizada em mim, porquê quanto mais o tempo passa, mais a imagino cheia de graça com o perfume das flores, envolta comigo, me enchendo de amores nos lençóis de seda vermelho-carmesim.

Estou muito otimista, tendo em vista a grandeza dos meus sentimentos, que a espero na lógica dos reais fundamentos da paz, da luz e da alegria de viver, num verdadeiro ato de se enternecer, em um lar acolhedor e afetivo onde a transformação seja todo o motivo para se apegar e amar.

Quando a vejo, a sinto em meu coração, e busco uma razão para o sentimento maior, que será ela a senhora da minha vida, que me dará valor e a dona do meu querer com sabedoria, e singela, tão pura, santa e mais bela, que reinará sobre mim nesta vida, numa só comunhão a minha esposa mais querida.
225

PIEDADE DE MIM

Meu Senhor ouça o meu clamor! Por que meu Deus sofrer tanto assim? Ai de mim que já não tenho mais forças para lutar, o que será de mim se assim eu continuar.

Oh meu Deus! Eu vim aqui buscar, do Senhor as forças pra eu lutar, encarar o medo e vencer os males que andam a me oferecer somente laços para me prender.

Senhor acode esta minh’alma sofrida, acrescenta nela mais luz e mais vida, e a dê condições para não ser sucumbida, no vazio do espaço, escuridão enegrecida.

Mestre Tu sabes do meu coração, que eu não quero que seja assim, mas Senhor tenha piedade de mim, seja comigo, não permita que os males ditem o meu fim.

Se ouvires o meu clamor, e dispensar-me misericórdia, Senhor andarei no amor, me apartarei de toda discórdia, farei todo o possível que for para manter-me na luz, que guiará os meus passos, e ela me conduzirá até encontrar os Teus braços.
296

MISERICÓRDIA

O que fazer quando você se vê num beco sem saída? Certas coisas não te oferecem opções na vida, te cercam, te oprimem, cerceiam seus direitos universais e te impulsionam como uma bala perdida.

Mas o que realmente tentarmos quando nos encontrarmos nesta situação? Cedermos ao injusto ou lutarmos pela libertação? Estas duas opções dependem do coração, da condição da alma, da temperança e de supra calma.

Não se pode suportar um fardo pesado por longo período de tempo passado, tendemos a ceder-nos por causa da pressão que nos é imposta, entretanto encontramos uma força invisível que nos sustenta e nos conforta.

Uns dizem que é do acaso, outros nem sabem o que dizer, outros ficam maravilhados sem saberem o porquê. Em verdade há uma força e luz que está sempre com você, somos todos alcançados, também agraciados por Aquele que não se vê.
273

Comentários (2)

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Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

Lagaz

Belo poema