PIEDADE DE MIM
Meu Senhor ouça o meu clamor! Por que meu Deus sofrer tanto assim? Ai de mim que já não tenho mais forças para lutar, o que será de mim se assim eu continuar.
Oh meu Deus! Eu vim aqui buscar, do Senhor as forças pra eu lutar, encarar o medo e vencer os males que andam a me oferecer somente laços para me prender.
Senhor acode esta minh’alma sofrida, acrescenta nela mais luz e mais vida, e a dê condições para não ser sucumbida, no vazio do espaço, escuridão enegrecida.
Mestre Tu sabes do meu coração, que eu não quero que seja assim, mas Senhor tenha piedade de mim, seja comigo, não permita que os males ditem o meu fim.
Se ouvires o meu clamor, e dispensar-me misericórdia, Senhor andarei no amor, me apartarei de toda discórdia, farei todo o possível que for para manter-me na luz, que guiará os meus passos, e ela me conduzirá até encontrar os Teus braços.
TOLICE
Olha, o que eu te disse foi tudo tolice, perdoa-me por expressar-me assim, foi idiotice, não me abandones, não fujas, não te escondas, não te afaste, não oculte a tua face de mim.
Fui rude e insensato, agi como não devia, te magoei, te feri, deixei-me levar pela ousadia sem medo de te perder, agora vejo que fiz prevalecer meus erros até enquanto pude fazendo-a de mim esquecer.
Você é o tesouro que eu tinha guardado, a minha riqueza com valor nunca estimado. Estou te perdendo, é justo, mas está me moendo, como as coisas acontecem, capítulos da vida que vi e vivi e jamais me pertencem.
MISERICÓRDIA
O que fazer quando você se vê num beco sem saída? Certas coisas não te oferecem opções na vida, te cercam, te oprimem, cerceiam seus direitos universais e te impulsionam como uma bala perdida.
Mas o que realmente tentarmos quando nos encontrarmos nesta situação? Cedermos ao injusto ou lutarmos pela libertação? Estas duas opções dependem do coração, da condição da alma, da temperança e de supra calma.
Não se pode suportar um fardo pesado por longo período de tempo passado, tendemos a ceder-nos por causa da pressão que nos é imposta, entretanto encontramos uma força invisível que nos sustenta e nos conforta.
Uns dizem que é do acaso, outros nem sabem o que dizer, outros ficam maravilhados sem saberem o porquê. Em verdade há uma força e luz que está sempre com você, somos todos alcançados, também agraciados por Aquele que não se vê.
O QUE TENHO EU CONTIGO?
Por que faz isso comigo se ainda quero amar você, o que tenho eu contigo? Se não mais quis me querer, se me fechei por ti e não quis me esperar, se me traz à lembrança o que não quero mais lembrar.
O que tenho eu contigo, se está me fazendo sofrer, por que faz isso comigo? Se não quis nem mais saber da nossa história tão linda, vivida com prazer, em que nós nos entregamos amar por querer.
O que tenho eu contigo? Se ainda não é tempo de eu te dizer te amo num ditoso casamento, de se declarar o nosso amor em eternas alianças e entrelaçar nossas almas com total confiança.
O que tenho eu contigo e com o desejo que nos chama e a verdade que ainda clama? Na esperança de unir o meu coração ao teu, que declarou que me ama, mas somente se perdeu porquê não entendeu que está vivo e não morreu o lume que tem a flama.
EPITÁFIO EM BRANCO
Ora, nestas horas de solidão vem a reflexão pela vida que se tem, um pensamento na clausura de tristezas e amarguras por tudo que não convém.
Veja bem, posso ir além, talvez me sinta refém dos sentidos que me guiam a desdém, para sair desta prisão uivando como um cão numa nova direção.
Quem chorou comigo? Ninguém, pois bem. Quem me fez prudente? Tudo de conveniente. Tudo se sentia doente, nos membros a premente incapacitação.
As causas, os motivos de aflições converteram o meu coração ao caminho da razão onde encontrei a solução nestas horas de solidão, refletindo feito um cão sem dono enxotado por quaisquer no abandono.
Ousasse a vida assim sem sentido já teria partido, enchido a lápide de epitáfio em branco como se não houvesse existido, nem morto aos olhos, como se não houvesse nascido.
Porquê vem a sede, a fraqueza, e a fome, somos humanos de carne, certos sentimentos nos consome, se consome, a fraqueza tem sede e fome em nossos corpos e quebra os nossos ossos.
AMOR QUE TANTO SONHEI
Decidi te esperar, estou a meses sem ninguém, esta força que age em mim é amor que não tem fim, seguindo no tempo dando tempo, para que quando for o verdadeiro tempo eu possa te dizer tudo o que eu sinto por você em meu coração, que durante esta peregrinação deixei-me ser levado pela razão para que se possível for, viver contigo a emoção que me faz tanto te querer. Talvez você não entenda, mas me privei de ti, me tranquei, me isolei para não te ferir, e ocultei meus implícitos sentimentos por longos momentos, até que seja chegada a hora que a espera findará e, sem cerimônias me inclinar diante dos teus pés, e declarar todo o meu amor a ti sem nenhum revés. Quem será você eu estou ainda sem saber, mas mesmo antes de conhecê-la já te digo que ao te ver farei todo o possível para te conquistar, e que eu possa te merecer. Eu sei que existe mais ainda ando triste porquê não a encontrei, de você tenho saudades dos beijos que não beijei. Saio a te procurar, mas não sei onde está, quem sabe em um olhar eu possa vislumbrar o meu amor que tanto sonhei.
Ipatinga, 12/10/2018
Erimar Lopes.
CRIANÇA, LUZ E CALOR DO SOL
Vem ver o sol, como é linda a sua luz, como fonte maior que provém vida, como aquece a alma agradecida e às claras nos conduz. Que com a chuva faz germinar a terra, suar e arder a pele dos ceifeiros e carpideiros e de dia ser o clarão dos caminheiros.
Olhe nas faces e dentro dos olhos e veja esta luz na almas felizes, sinta o calor do espírito com forças para lutar na alegria sem ter lágrimas para chorar, um confiante olhar vendo que em tudo que existe ainda no íntimo subsiste o desejo de amar.
Veja no céu a liberdade das aves pelo calor que as aquece por esta luz que força as fornece. Que voam a dezenas, que migram a centenas porquê o tempo vai mudar, que viajam continentes, buscando estações em que possam se alimentar. Sinta um coração faminto buscando o alimento que o possa saciar.
Dê abraços e acalente em seus braços como a luz do sol em seus fachos cantando antigas saudades dos prazeres daqueles amores, que de provados sabores alimentaram os desejos das suas bocas em seus beijos.
Observe uma criança com suas atitudes inocentes, ela é a luz pura que ilumina os olhos das gentes, a luz do sol fulgente, que clareia a senda dos viventes. A criança é o futuro em crescimento que leva a luz, o brilho que nos dá entendimento que devemos ser tais a elas em nossos relacionamentos.
RAIOS E TROVÕES
Quando o tempo precipita-se, e observa-se no céu, nuvens escuras feito breu, densas feito metal, raios despertam corações, ressurgindo emoções, o meu amor se rende ao seu num evento fenomenal aos estrondos dos trovões.
Quando torrencial a chuva cai, formando grandes enxurradas, com suas águas avolumadas, levando tudo pela frente, leva também a minha mente ao meu amor que está ausente um desejo bem presente.
Quando vem a estiagem, cessam os relâmpagos e os trovões, abrandando os corações meu e da minha amada, que nas grandes enxurradas se misturaram em paixão, um é relâmpago e o outro é trovão, que para o céu se elevaram.
O ANDARILHO
Cala-te se não sabes dizer, apenas ouça para aprender dos grandes, dos sábios, dos notórios, dos ilustres, mas cuidado com os embustes!
Aguce os sentidos, não fique aí perdido, paralisado, aturdido, ouça, anote e grave tudo o que te edifica, mas cuidado com os embustes, eles te complicam.
- Boa tarde seu moço! Donde vem dessa feita? Perguntou um senhor curioso que sempre observava muito ansioso um andarilho a passar em sua cidade sempre a perambular.
- Respondeu o andarilho: boa tarde! Vagando por este país onde não criei raiz em lugar nenhum, de caminho a caminho, cidades a cidades sou apenas mais um. Neste mundo me tornei um vagabundo sem valor algum.
- Mas por que essa vida? Se podes ter uma dignidade ao invés de vagar de cidades a cidades? Me desculpe as curiosidades, mas sou intrigado, sei que tem gente por todo lado, mas se continuar assim um dia estará acabado, veja o seu estado.
- Sim senhor, eu fui imprudente quase estou demente não tenho semente, tampouco me vejo junto as gentes. Meu mundo é vazio de dores e frio, meu olhar é sombrio que dá calafrios se fitam a minha face frente a frente.
- Sim, isso eu não consigo, pois mais parece um mendigo, tem semblantes caídos, traços perdidos em um corpo sofrido, pelo que tenho visto são pavores vividos. Em tantas andanças não tem esperanças?
- As minhas esperanças ficaram perdidas há muito tempo, estou vivo, mas não sei se morro por tantos espantos que me apavoram, pois toda a sorte a minha alma e o meu espírito ignoram, meus olhos choram lagrimas de dor, não sei o que é o amor.
- Sei que não cabe mais me responder, mas queria saber o por que dessa vida perdida? Por tantas andanças sem encontrar nenhuma guarida, porquê te vejo sempre por aqui passar e nunca parar, somente continuar o seu caminho trilhar.
- Deixei-me levar pelo mal, era um ser humano normal, fui fraco provei o que não devia. Foi droga, foi álcool, eu fumava e bebia, então num dito dia me pus no mundo a perambular sem rumo, perdi o prumo, pois fui sugado pelos vícios danados que me levaram acorrentado.
- Hoje isto tudo me corrói, pois nada de bom em mim se constrói, me esforço, luto, combato, como se fosse ao vento, vivendo ao relento eu tento, mas o que planto logo que nasce se destrói, isto muito me dói, mas a frieza drenou os meus sentimentos, todos eles foram levados aos ventos.
- Queria parar com estas andanças, ter de volta a minha dignidade, minha família não tem mais esperanças, por eu viver assim de cidades a cidades, eu sei que tudo isto é castigo, não duvido, pois pratiquei muitas maldades.
- Há muitos anos vivo desta maneira, eu mesmo sou testemunha por tanta loucura, se ainda não morri já encerraram a sepultura, que aberta me esperava com a boca em sua largura.
- Já estive em prisões por estes mundões, testemunhei confusões, vi a morte a milhões, minha alma nas mãos de miseráveis vilões. Que assim como eu, quem matou não morreu, todavia sofreu e pagou as duras penas na angústia fria.
- O que me diz me assombra, já estou sem palavras, de um ser humano nunca se zomba sem saber os motivos que os levaram às sarjetas, imaginava que fosse apenas mais um escorado em muletas, por ter escolhido essa vida sem responsabilidades afetas.
- Não meu senhor, eu não quis isto pra mim, há muito imaginava ser o meu fim, que não havia mais esperanças no ar em que eu pudesse me agarrar e nunca mais soltar, mas pensei, que por tudo o que já passei, o morto-vivo que andei, e ainda respiro, nem que seja no último suspiro por redenção eu clamarei.
- Agora não mais partirei, por aqui ficarei e esperarei o meu fim, tenha certeza nunca mais me verá nesta cidade passar como antes me via, sentado nessa cadeira à beira da estrada como se fosse um vigia, pelo jeito o que eu vejo, o senhor é aposentado e está regalado pelo que foi trabalhado ano a ano contado.
- Eu estou malfadado, não tenho recursos, sou de meia idade, beirando a velhice, mas vendo meu estado mais pareço um ancião em plena caduquice, tudo isto por causa de tantos anos vagando, caminhando, e mal alimentando.
- Pois então companheiro, se ficará por aqui te desejo boa sorte, que o Deus dos Céus te aparte da morte, te dê um norte, te arranque a fraqueza e te faça forte, e redima seus pecados. Ficarei satisfeito se eu vê-lo com todo respeito despido e lavado desses trajes esfarrapados, e bem alimentado.
- Pode deixar meu senhor, estarei me esforçando com todo labor, pra endireitar meus caminhos, mesmo vivendo sozinho, sem recursos e no dissabor das minhas tristezas, vejo luzes acesas que me dão a esperança de ainda encontrar neste lugar aceitável bonança.
Em toda esta conversa não se apresentaram, seus nomes não se revelaram, aquele senhor ficou maravilhado por saber do estado daquele andarilho malfadado, que para ele era apenas mais um que escolheu a vida vadia, sem responsabilidades, pois nada de bons frutos recolheu dia após dia andado de cidades a cidades. Enquanto que o andarilho ficou tão satisfeito, por ter tido o respeito daquele senhor, que com coragem o indagou sobre a sua vida vazia e por que aquilo fazia vagando à própria sorte se entregando à morte que ainda não o queria.
O OPOSTO DO PROPOSTO
Descobri que o seu desgosto é o oposto do proposto, duas faces em um rosto, sem disfarces e preposto. De janeiro a agosto vai buscando pressuposto antes de dezembro chegar, antes que finde o ano para a razão não encontrar. Se se opõe a si mesmo como pode ir a esmo nessa vida triunfar, levante essa cabeça jogue fora essa tristeza e comece a caminhar, se não der a cara a tapas não vencerá as etapas pelas quais tem que passar. Duas faces em um rosto, ser ou não ser, se não sabes o que queres, vai logo aprendendo o que é mister a escolher. Do proposto não seja oposto, vire o rosto, deixe as faces tomarem gosto porquê já não tem mais agosto e dezembro chegará e passará, assim será mais um ano que se foi e as oportunidades que se vão e tudo acabará como antes ante tanta indecisão.