MULHER ACOLHEDORA
Mulher acolhedora que estou a namorar!
Expôs-se guerreira labutando na dureza
Falou-me com clareza, soube me cativar
Mostrou-se toda humilde em fortaleza.
Conquistou-me pelos teus fiéis encantos
Pela tua beleza e vivas qualidades tantas
Além de te amar e enxugar os teus prantos
Quero te honrar e te louvar feito santas.
Mulher que é de fibra, ficou toda chorosa!
Fazendo assim eu por ti me apaixonar!
Pelos teus talentos de fêmea graciosa.
Em meu coração aberto te vou guardar
Do teu amor e confiança minh'alma goza
Te prometo pressa para te levar ao altar.
GARIMPO
As mãos calejadas, o rosto sofrido, a pele queimada pelo sol
Um jugo pesado, trabalho forçado, batalhando pelo pão
O trajeto é difícil, há grandes perigos feito peixe ao anzol
A distância é longa, muito se anda, e não há condução.
Alegria não há, se o sorrir é chorar por consolação
Ai Deus meu! Nos mande um socorro e livra-nos do Seol
O que se colhe é pouco, o que sobra é sufoco na imaginação
No mínimo uma nuvem que aplaque o fogo deste quente sol.
Nossos lombos já estão trilhados, nossos pés trincados na carne
O que nos alivia é saber que a agonia vai-se ao fim do dia
Mina o sangue misturado com o nosso suor na ferida que arde.
Nesta terra de loucos onde o ouro é para poucos sem piedade
Os oprimidos e as máquinas, sem lei de verdade que te auxilia
A ganância do homem pelo metal precioso implica maldade.
DESPERTAR O AMOR
Escrever frases, fazer estrofes, rimar, com um conteúdo que leve aos outros refletirem a necessidade de amar.
Para acordarem os sentimentos bons que adormecem nos corações, esquecidos nos sentidos.
Despertar o amor, fazer esquecer a tristeza e a dor, eliminar certos rancores, fazê-los sumir com os seus dissabores.
Palavras doces, como se fossem a cura para um mal, não o insípido sal que não tempera o gosto, assim como não embriaga sem fermento o fraco mosto.
Dizendo que se faze o bem retorno terá do bem de alguém, todavia se faze o mal, salgar-se-á com o verdadeiro grosso sal.
Quisera entregar um coração incendiado de amor, como principal mentor em favor das vidas sem esperanças, que buscam nas lembranças forças para continuarem o seu labor, que nos olhos sem esplendor a expressão é de tristeza, que as migalhas sobre a mesa não alimentam nem dessedentam a paixão dos fracos em busca do pão, que mata a fome à realeza.
CERTEZA PELA DÚVIDA
Não troque a certeza de um amor verdadeiro e fiel pela dúvida de complexas aventuras, pois com o passar dos tempos poderá sofrer em sua vida pesadas amarguras, não somente cultue o hoje enquanto tem a força, a juventude, e a beleza, não dê lugar às estultícias, por que daria em sua vida oportunidades para a loucura e a tristeza? A prudência está nas praças bradando, e os caminhos que endireitarão os teus passos ensinando. Não diga no seu íntimo: ah! Hoje farei porquê ontem deixei o que agora queria, estou só este é o meu dia, não engane o seu coração com falsa alegria. Cuide de quem realmente se importa com você e te dá valor, não se deixe levar por quem lhe oferta um falso amor, não brinque com os sinceros sentimentos de alguém, poderá pagar um alto preço ficando a desdém. O tempo passa, muitas coisas mudam com o tempo, a beleza, a juventude, a saúde, talvez à frente lamentos, desprezou o que era bom porquê pensou que nunca acabariam as loucuras do hoje, mas existe o amanhã, e ele foi feito para que nos reflitamos sobre aquilo de que não se foge, a incerteza do bem ou a certeza do mal e vice-versa, para muitos talvez não haja conversa. Tenha sinceridade e libere para que vá à luta, não prenda alguém em uma injusta disputa, se alegrando por dentro em prazeres às ocultas. Esta vida é uma escola, aprenda o que é o bem e o que te edifica, senão envelhecerá pedindo esmola, que não será para compra de pão, mas por palavras sábias que orientam o coração e penetram no mais profundo do espírito e da alma, que trazem relevante calma causando persuasão.
FRACASSO
A força que conduz à vida na batalha pela vitória, o sangue quente que corre nas veias, o pensamento que não sai da memória, pela tentação da boca sedenta em provar o gosto do que serpenteia na língua de uma hipnotizante sereia, as pernas trôpegas que cambaleiam, ao sentir o toque envolvente de uma serpente, que com a sua escama quente e o veneno ardente, paralisam os órgãos letargicamente, rumando à morte o corpo que sente o calor da víbora incandescente. É na garganta que o sufoco é premente, morde a carne sangrando os dentes, o gosto é amargo de fel aparente, se morre se mata, foge e se esconde, a loucura vem trotando, cavalgaduras de onde? Dos céus descestes aos infernos, tão vermelhos fogos eternos, calorias nos teus invernos, mas teu corpo retroage, teus membros encolhidos, teus escudos hão partidos, são frechas agonizantes, nas aljavas e nos arcos tesos, são espadas reluzentes, rostos implacáveis de guerreiros miseráveis para te socorrer. Haja vista de que vá morrer pelo veneno ardente da serpente, no beijo da sereia, que a língua serpenteia, se o corpo ainda guerreia, há antídoto suficiente, mas a alma que rasteja e o espírito claudicante e a morte que festeja o teu fracasso e derrota almejados, trespasse o teu peito nos lados com frechas agonizantes, com arcos tesos esvaziem as aljavas, antes fosse morte com clavas, e as espadas reluzentes que fatiem e matem também a serpente que antes te tentava.
INFINITO SEIO
Enquanto houver sol haverá vida e calor
Porquanto na vida haverá esperança
Havendo esperança expectará o amor
Enquanto houver amor provar-se-á confiança
Entretanto na confiança resistir-se-á a dor.
Há quem insista a se fortalecer na dor
Resistir a dor por amor a uma vida
Na fraqueza, talvez eu já não tenha valor
A minha memória passará despercebida
Após cessadas minhas alegrias e labor.
Será que muitos me coroarão com flores
Ou me trarão um laurel como galardão?
Afligidos por quem expirou por amores
Naquele dia mágoas e dores chorarão
Mas minha alma esperará no infinito seio redenção.
ESPOSA ALMEJADA
Quero uma esposa verdadeira amiga e companheira, respeitosa e aguerrida, que me queira com ternura em sua vida.
Que me tenha e me veja como um homem de valor e que me queira
dedicar todo o seu amor.
Seja dada ao trabalho, de convivência simples, não tenha embaralho, e sejamos um do outro o suficiente agasalho.
Esta esposa modesta que seja a luz do meu ser e lar, em conceber os nossos filhos e os ensinar o que é amar.
Nos amemos com todo o dolo na cama ou no solo, e se aconchegue em dias e noites quando quiser o meu colo.
Estando sempre ao meu lado com os mesmos propósitos, esposa com toda a dignidade nos coroando de êxitos.
Que seja com graça, não importa a formosura, que a expressão do seu rosto demonstre materna candura.
Pois a beleza não é tudo, mas um pouco interessa, seja mansa e humilde, compassiva e que a paz expressa.
Que tenha lá os seus defeitos, somos humanos imperfeitos, mas com tranquilidade amenizemos os seus efeitos.
Que haja um sorriso nos lábios, podendo eu beijá-la se triste ficar fazendo-a alegre como a cantoria dos pássaros concertados livres para voar.
Dos frutos um do outro poderemos prosperar com toda diligência, sem nos precipitar podemos granjear com paciência.
Com todo o amor guardado que eu tenho para doá-la, com toda fidelidade e respeito farei o possível para honrá-la com a vida que pulsa dentro do meu peito.
PRAZERES MÁGICOS
Nesta dimensão uma inspiração pura
Que me leve a desenhar as tuas rosas
Projetar teu corpo numa tela escura
Nas expressões das tuas faces amorosas.
Há segredos obscuros que tu guardas
Que matam os mortos pela fome curiosa
Quantos já caíram nas tuas delicadas
Insinuações de pureza e virgem graciosa.
Tuas dádivas se deveras foram tocadas
Não existem testemunhas vivas a dizer
Sorvidas foram entranhas embrenhadas
Sucumbiram-se pela magia do prazer.
Eu que um dia fui um desses famélicos
Sucumbi-me em ti em prazeres mágicos.
Como descrever os teus traços trágicos?
LOBO NO HOMEM
Na profundeza do que é íntimo, marcando as horas para o incerto, na ansiedade de um deserto, o corpo homem vexe abjeto, a luz dos olhos se apagando, lobo homem agonizando.
É tarde, é noite e é negro, alma em desapego, tudo é desassossego, alimárias sinistras que dão medo, que impõem ao lobo homem desespero.
No enredo da morte nem um forte subsiste, mas o espírito ainda insiste na matéria decadente deste ser inerte, que o sangue ainda verte em suas veias vida quente.
Na batalha incessante por sobrevida, uiva o lobo sem a alcateia ferida, em instinto numa ilha de solidão, incapaz de uma valente reação, que o levante feito um cão, leão faminto.
O que era presa foi prisão, na alma e espírito expiação, não expiração do fôlego e coração, mas nas narinas aflição, quase sem ar e pulsação que expresse vida neste cão, lobo homem em efusão.
Toda vida sem inspiração, caindo em precipícios em vão, ora água, ora pão, disto o lobo se alimenta, a carne que ele ostenta e de tudo espaventa é o que o dá vida e o sustenta, enquanto o íntimo ainda aguenta, antes da escuridão sedenta que o cerca e o atormenta.
MENINA MATREIRA, MOÇA SAPECA
Menina matreira é o teu argumento
Tua boca rosada, cabelos esvoaçantes
No teu corpo sarado teu documento
Além dos teus lábios carnudos inebriantes.
Moça sapeca que anda cascavelando
Distribuindo doces com desenvoltura
Onde se apresenta deixa todos sonhando
Tu és doce em teu corpo toda estatura.
Está ornada de armadilhas de amores
Clamando nas ruas aos moços dizendo
Eu vos encho de aprazíveis favores
Comprem-me doces que estou vendendo.
Moços tomem bastantes cuidados!
Andem de largo senão serão enredados
Os que provaram ficaram atordoados
Pareciam ter sido esbofeteados
Pois não distinguiam os leões dos veados.