Lista de Poemas

FRACASSO

A força que conduz à vida na batalha pela vitória, o sangue quente que corre nas veias, o pensamento que não sai da memória, pela tentação da boca sedenta em provar o gosto do que serpenteia na língua de uma hipnotizante sereia, as pernas trôpegas que cambaleiam, ao sentir o toque envolvente de uma serpente, que com a sua escama quente e o veneno ardente, paralisam os órgãos letargicamente, rumando à morte o corpo que sente o calor da víbora incandescente. É na garganta que o sufoco é premente, morde a carne sangrando os dentes, o gosto é amargo de fel aparente, se morre se mata, foge e se esconde, a loucura vem trotando, cavalgaduras de onde? Dos céus descestes aos infernos, tão vermelhos fogos eternos, calorias nos teus invernos, mas teu corpo retroage, teus membros encolhidos, teus escudos hão partidos, são frechas agonizantes, nas aljavas e nos arcos tesos, são espadas reluzentes, rostos implacáveis de guerreiros miseráveis para te socorrer. Haja vista de que vá morrer pelo veneno ardente da serpente, no beijo da sereia, que a língua serpenteia, se o corpo ainda guerreia, há antídoto suficiente, mas a alma que rasteja e o espírito claudicante e a morte que festeja o teu fracasso e derrota almejados, trespasse o teu peito nos lados com frechas agonizantes, com arcos tesos esvaziem as aljavas, antes fosse morte com clavas, e as espadas reluzentes que fatiem e matem também a serpente que antes te tentava.
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CERTEZA PELA DÚVIDA

Não troque a certeza de um amor verdadeiro e fiel pela dúvida de complexas aventuras, pois com o passar dos tempos poderá sofrer em sua vida pesadas amarguras, não somente cultue o hoje enquanto tem a força, a juventude, e a beleza, não dê lugar às estultícias, por que daria em sua vida oportunidades para a loucura e a tristeza? A prudência está nas praças bradando, e os caminhos que endireitarão os teus passos ensinando. Não diga no seu íntimo: ah! Hoje farei porquê ontem deixei o que agora queria, estou só este é o meu dia, não engane o seu coração com falsa alegria. Cuide de quem realmente se importa com você e te dá valor, não se deixe levar por quem lhe oferta um falso amor, não brinque com os sinceros sentimentos de alguém, poderá pagar um alto preço ficando a desdém. O tempo passa, muitas coisas mudam com o tempo, a beleza, a juventude, a saúde, talvez à frente lamentos, desprezou o que era bom porquê pensou que nunca acabariam as loucuras do hoje, mas existe o amanhã, e ele foi feito para que nos reflitamos sobre aquilo de que não se foge, a incerteza do bem ou a certeza do mal e vice-versa, para muitos talvez não haja conversa. Tenha sinceridade e libere para que vá à luta, não prenda alguém em uma injusta disputa, se alegrando por dentro em prazeres às ocultas. Esta vida é uma escola, aprenda o que é o bem e o que te edifica, senão envelhecerá pedindo esmola, que não será para compra de pão, mas por palavras sábias que orientam o coração e penetram no mais profundo do espírito e da alma, que trazem relevante calma causando persuasão.
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MULHER ACOLHEDORA

Mulher acolhedora que estou a namorar!
Expôs-se guerreira labutando na dureza
Falou-me com clareza, soube me cativar
Mostrou-se toda humilde em fortaleza.

Conquistou-me pelos teus fiéis encantos
Pela tua beleza e vivas qualidades tantas
Além de te amar e enxugar os teus prantos
Quero te honrar e te louvar feito santas.

Mulher que é de fibra, ficou toda chorosa!
Fazendo assim eu por ti me apaixonar!
Pelos teus talentos de fêmea graciosa.

Em meu coração aberto te vou guardar
Do teu amor e confiança minh'alma goza
Te prometo pressa para te levar ao altar.
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MENINA MATREIRA, MOÇA SAPECA

Menina matreira é o teu argumento
Tua boca rosada, cabelos esvoaçantes 
No teu corpo sarado teu documento
Além dos teus lábios carnudos inebriantes.

Moça sapeca que anda cascavelando
Distribuindo doces com desenvoltura
Onde se apresenta deixa todos sonhando
Tu és doce em teu corpo toda estatura.
 
Está ornada de armadilhas de amores
Clamando nas ruas aos moços dizendo
Eu vos encho de aprazíveis favores
Comprem-me doces que estou vendendo.

Moços tomem bastantes cuidados!
Andem de largo senão serão enredados
Os que provaram ficaram atordoados
Pareciam ter sido esbofeteados 
Pois não distinguiam os leões dos veados.

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ESPOSA ALMEJADA

Quero uma esposa verdadeira amiga e companheira, respeitosa e aguerrida, que me queira com ternura em sua vida.

Que me tenha e me veja como um homem de valor e que me queira
dedicar todo o seu amor.

Seja dada ao trabalho, de convivência simples, não tenha embaralho, e sejamos um do outro o suficiente agasalho.

Esta esposa modesta que seja a luz do meu ser e lar, em conceber os nossos filhos e os ensinar o que é amar.

Nos amemos com todo o dolo na cama ou no solo, e se aconchegue em dias e noites quando quiser o meu colo. 

Estando sempre ao meu lado com os mesmos propósitos, esposa com toda a dignidade nos coroando de êxitos.

Que seja com graça, não importa a formosura, que a expressão do seu rosto demonstre materna candura.

Pois a beleza não é tudo, mas um pouco interessa, seja mansa e humilde, compassiva e que a paz expressa.

Que tenha lá os seus defeitos, somos humanos imperfeitos, mas com tranquilidade amenizemos os seus efeitos.

Que haja um sorriso nos lábios, podendo eu beijá-la se triste ficar fazendo-a alegre como a cantoria dos pássaros concertados livres para voar.

Dos frutos um do outro poderemos prosperar com toda diligência, sem nos precipitar podemos granjear com paciência.

Com todo o amor guardado que eu tenho para doá-la, com toda fidelidade e respeito farei o possível para honrá-la com a vida que pulsa dentro do meu peito.
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INFINITO SEIO

Enquanto houver sol haverá vida e calor
Porquanto na vida haverá esperança
Havendo esperança expectará o amor
Enquanto houver amor provar-se-á confiança 
Entretanto na confiança resistir-se-á a dor.

Há quem insista a se fortalecer na dor
Resistir a dor por amor a uma vida
Na fraqueza, talvez eu já não tenha valor
A minha memória passará despercebida 
Após cessadas minhas alegrias e labor.

Será que muitos me coroarão com flores
Ou me trarão um laurel como galardão?
Afligidos por quem expirou por amores
Naquele dia mágoas e dores chorarão
Mas minha alma esperará no infinito seio redenção.
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DENTRO DO MEU EU

Quisera eu andar na linha dos meus sentimentos nobres, não desviar nem para a direita, nem para a esquerda, seguir em frente, olhar adiante, ver o horizonte, ver além. Estar seguro de que todas as coisas estarão no devido lugar, esperando-me quando ela voltar. Quem sou eu nesta guerra? Um soldado valente, cheio de cicatrizes causadas pelos inimigos nas batalhas, mas vivo persistente. Carregando os fardos, as dores e o medo na constância da morte, por sorte ainda sigo andando. Sou afligido todos os dias, vejo loucuras nos campos de batalhas, nas ruas, homens e mulheres clamando, seus filhos chorando, para que no plano do inimigo hajam falhas, para que não os consumam sem piedade, em verdade também presencio deliberada maldade. Andar na linha dos meus sentimentos virou tormentos, quem curará as minhas abertas feridas pelas ceifadas vidas, quem me dará conselhos, quem apagará da minha mente toda a angústia que assisti nos dias negros em que vivi? Me dirá: o tempo. Ah! Este já nos consome, ele é implacável, irreversível, intangível, ele sim apaga as nossas memórias, mas apagam-nas e apaga-nos por completo, o invisível. Enquanto vivemos carregamos resquícios de tudo que há em nós, passado ou recente e nisso tudo está pensativa a minha mente, enquanto escrevo a minha alma geme, os meus olhos puseram-se a chorar um chôro triste, o meu espirito pôs-se a clamar, o meu coração quase fibrila e os meus sentimentos fervem dentro de mim, volte para me acalmar, me fazer dormir com a sua voz da melodia do som da harpa, e me fazer sonhar com a melancolia dos seus carinhos do som do violino. Assim faze-me esquecer de tudo sobremaneira sem me apagar por completo e, auxilia-me na luta desta guerra que batalha dentro do meu eu.
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LOBO NO HOMEM

Na profundeza do que é íntimo, marcando as horas para o incerto, na ansiedade de um deserto, o corpo homem vexe abjeto, a luz dos olhos se apagando, lobo homem agonizando.

É tarde, é noite e é negro, alma em desapego, tudo é desassossego, alimárias sinistras que dão medo, que impõem ao lobo homem desespero.

No enredo da morte nem um forte subsiste, mas o espírito ainda insiste na matéria decadente deste ser inerte, que o sangue ainda verte em suas veias vida quente.

Na batalha incessante por sobrevida, uiva o lobo sem a alcateia ferida, em instinto numa ilha de solidão, incapaz de uma valente reação, que o levante feito um cão, leão faminto.

O que era presa foi prisão, na alma e espírito expiação, não expiração do fôlego e coração, mas nas narinas aflição, quase sem ar e pulsação que expresse vida neste cão, lobo homem em efusão.

Toda vida sem inspiração, caindo em precipícios em vão, ora água, ora pão, disto o lobo se alimenta, a carne que ele ostenta e de tudo espaventa é o que o dá vida e o sustenta, enquanto o íntimo ainda aguenta, antes da escuridão sedenta que o cerca e o atormenta.
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PROVEMOS UM POUCO DE NÓS

Senta aqui, provemos um pouco de nós
Veja em mim esta expressão aceitável 
Aproveitemos este momento a sós
Façamos exalar uma fragrância agradável.

Nela falo-te do amor que por ti eu sinto
Tão forte que não suporto em meu peito
Faz jorrar das fontes que adoçam absinto
Toda mansidão, paciência, e respeito.

Quanta graça há em ti, além do desejo
Tanta gratidão tenho pela tua existência
Quando estou contigo em teus olhos vejo
A força de amar-te com toda excelência.

Somos um para o outro infinitamente
Compartilhamos juntos nossas vidas 
Amor eu te quero mais intensamente
Em nossas relações bem resolvidas.

O que mais pode almejar o meu coração
Se o curso que leva a tocar os teus lábios
Transborda uma eternidade de emoção
Ao alcançá-los em tua boca tão sábios?

É a longura do beijo que arde e queima
Que me prende no teu colo em encantos
No aperto em teus braços nesta freima
Descartando ofegantes nossos mantos.

Deixe que fale por nós as nossas atitudes 
Expressando em nossos corpos a leveza
Nas carícias que nos elevam às altitudes
No apogeu do nosso amor e sua alteza.
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PRAZERES MÁGICOS

Nesta dimensão uma inspiração pura
Que me leve a desenhar as tuas rosas
Projetar teu corpo numa tela escura
Nas expressões das tuas faces amorosas.

Há segredos obscuros que tu guardas
Que matam os mortos pela fome curiosa
Quantos já caíram nas tuas delicadas
Insinuações de pureza e virgem graciosa.

Tuas dádivas se deveras foram tocadas
Não existem testemunhas vivas a dizer
Sorvidas foram entranhas embrenhadas
Sucumbiram-se pela magia do prazer.

Eu que um dia fui um desses famélicos
Sucumbi-me em ti em prazeres mágicos.
Como descrever os teus traços trágicos?
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Comentários (3)

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parabéns
parabéns

amei parabéns

Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

lagazaz

Belo poema

1971