Lista de Poemas

OLHOS VERDES II

Olhos verdes, quão surpreendentes!
Minha carência por teu amor é tanta
Congela-me os teus olhos reluzentes 
Na expressão do teu rosto que me abrilhanta. 

Porque é forte e cortante a lâmina
Que penetra e alcança o indivisível
E chora a alma a solidão que abomina
Almejando um amor real que a faça risível.

Se tu fosses olhos verdes o meu bem
Te daria a paz das leves e suaves brisas
Te aprovaria em meu coração com amém 
A tocaria com a leveza de calmas águas.

Mas injusto é este meu mundo de amar
Tanto para dar e nada para receber
Tudo na minha vida poderia mudar
Se tu olhos verdes pudesses me perceber.
296

CORAÇÃO NA IMENSIDÃO

À beira mar a saudade e a solidão
São fortes ondas que se debatem,
À solidão: onde está o meu coração?

Sem a atenção dela, indaguei a saudade:
Essa sim me trouxe uma resposta,
Disse-me: _o seu coração está na vontade.

Aí me confundi por um instante,
A vontade! Nunca será o bastante,
A retruquei por outra proposta.

Deixaram-me perdido e foram mar afora,
E agora? Não me deixe também a vida,
Ser levada nessas ondas que ela namora.

Apagada feito os rastros na areia,
Quando sobe a água maré cheia,
Esses que insistem dias sem ideia.

O seu coração nada na imensidão,
Imergindo em oceanos de paixão.
Respondeu antagônica a ilusão.

Preso a uma âncora de amor, à sorte,
Acorrentado, sentir-se-á a sua dor?
Debaixo de muitas águas a morte.

Ipatinga, 21/11/2018

Erimar Santos.
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OLHOS VERDES I

Olhos verdes, tu que não me conheces,
Miras-me vez ou outra aleatoriamente
Ao passo que me reveste de luz.
Somente eu sinto a paz quando me olhas.

Olhos verdes, quem és tu que vais adiante,
Que Deus criou com tanta formosura?
Que em meu coração ensaio preces,
Quem dera fosses meu milagre de bênçãos.

Olhos verdes, se tu soubesses!
Ao menos visses a minha sombra!
Contemplar-me-ia o oráculo dos deuses.
Que realidade díspar e sem nexo.

Há coisas, há bens, há sonhos, desejos.
Inalcançáveis! Será que tu és olhos verdes?
314

É NA CHAVE QUE POR DENTRO SE ABRE

Os teus lábios nos meus afoitos,
Tua boca na minha com gosto,
Nos apertos de encontro aos peitos,
Te forço, te arrocho, te pego disposto.

Tomo de ti as tuas forças, suave,
Te prendo, te contorço seivoso,
Corpos com corpos num entrave.
Te domino nos braços gostoso,

No espaço entre vãos acalorados,
O teu corpo é um mapa traçado,
Eram caminhos jamais trilhados,
Todas as partes que tenho tocado.

Tua beleza esplêndida juvenil,
Teus alegres olhos brilhantes,
Que me veem homem varonil,
Te levando ao êxtase em instantes.

É na chave que por dentro se abre,
Todo o regozijo preso em elegância,
Toda satisfação no coração reabre,
Horizontes de amor em abundância.
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INTUIÇÃO

Creio no amor, creio na vida,
No amor como a fonte maior,
Que traduz o perdão em valor.
Creio na vida assim enaltecida.

Creio na flor que desabrocha,
Num desejo flamante tocha,
Que escurece os olhos vivos
De um homem firme rocha.

Creio na profecia inda futura,
Que mostrará aquela amada
Na palavra forte esquadrinhada
Em detalhes de uma pura lisura.

Creio na face formosa do céu,
Em mulheres que o cabelo é o véu,
E que na boca o beijo é ardente,
Que encobrem o corpo envolvente.

Não creio na virgem indolente,
Em caminho de encruzilhada,
Na serpente que dorme inocente,
Não creio na aparência de nada.
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PRECIOSAS

É a terra que consome calada,
Em teu seio, sulcos, e ocos,
É o choro que aguça a risada
Do inimigo fugindo aos sufocos.

São as marcas numa face oculta
Que não mostra ressentimentos,
Em um corpo que tanto labuta
Pela preciosa coroa aos ventos.

Com a morte na forca ao relento
Sorve a vida preciosa porção,
Fortalece ao instinto sangrento
Aniquilando sem qualquer reação.

Ao oponente só resta a junção
Da preciosa gama de saberes
Para conservar o seu coração
Livre e isento de certos prazeres.

Se necessário o faz querer viver
Pela rica e preciosa sabedoria,
Se não convém debalde morrer
Pelas mãos do inimigo à revelia.
292

VOLTA PRA MIM

Amor, minha preciosa! Venha, volte
Eu ainda te quero tanto em meus braços 
Te preciso comigo, me tenha, se solte
Em meu coração estão nossos laços.

Abate-me solitário a noite infinda
Emudecido, fico sensato a pensar
Tu és brilho, és força, amor, e vida
Para minh'alma sofrida consolar.

À noite o silêncio surta-me aturdido
Ouço os teus sussurros e os teus passos
O gotejar da lamúria por ter te perdido
O medo de não ter mais teus abraços.

Nesta vida digo, sou teu fiel devedor
Pelo valor que eu não soube te dar
Amor se voltas, te pagarei com amor
Te farei a plena felicidade encontrar.
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AO TRONCO DE UMA ÁRVORE

Ao tronco de uma árvore frondosa
Deitei e adormeci entre as folhagens,
Sonhei com enverdecidas paisagens
Banhadas ao sol de uma virgem fogosa.

Via por entre os ramos e galhos
Teus braços iluminando a alcançar,
Com a tua luz brilhante a tocar
Meu rosto empalidecido a acordar
Por teu calor meus agasalhos.

Era a criação mais linda afeiçoada
Toda resplandecente e dourada,
Do teu corpo emanava a aurora,
Era o início afora, hora apaixonada.

Envolveu-me nos lábios aquecidos,
Por tão quentes já havia despido
Das tristezas levadas nos sentidos,
Pois queimou-as o fogo concebido.

Cachos de fachos os teus cabelos,
Em teus olhos uma energia vivaz,
Uma entranha flamejante e veraz,
Entreguei-me à paixão sem apelos.

Saciou-me o coração com devoção,
Cuidando aos pássaros orquestrarem,
Ninando-me com uma linda canção.
Raios de sol após me acariciarem,
Foi-se luz do arrebol minha emoção.

Ipatinga, 14/11/2018
Erimar Lopes.
1 492

ÀQUELA QUE FERIU MEU CORAÇÃO

Não diga que valeu a pena ser como não poderia se expressar, como não deveria se comportar, se maculando em coisas difíceis, ágeis, tornando tão frágeis os elos duros de se romperem, esmagando a corrente, ferindo as sementes, mesmo após serem plantadas, antes de germinarem e nascerem. Você fundiu meu coração, matou minha ilusão, expôs minhas feridas, foram muitas evidências, mais dúvidas e poucas crenças que cercaram as nossas vidas, você meu ponto de partida, em minha fé desguarnecida, com carência exacerbada não pensei muito em nada, você surgiu toda encantada prometendo-me amor, tão doce em sabor, dócil e muito agradável, naquele tempo sentia-me um sozinho miserável. Foi amor que eu senti, foi lindo, obedeci meu coração esquecendo-me da razão, coloquei-o em tuas mãos e disse: faças de mim o que quiseres, pois se é assim que tu queres, eu me rendo e já me prendo. Provei as tuas maravilhas, deixou-me um vício, faço vigílias, não me surpreendo quando me flagro pensando nos momentos em que estávamos nos amando, meu corpo no teu, gemidos no breu, suor em abundância, nas bocas duas línguas que dançam, a saudade e a lembrança são as maldades que me alcançam. Mas com todo gosto, sentimento exposto, não pude mais suportar você comigo brincar, eu que quis além de tudo te declarar amor altíssimo a te dar. O que pensavas? O que fazias? É lícito transformar os nossos sonhos em realidades vazias? E por que fundiu meu coração com marca fria? Já chorei por ti, já quis te procurar, te amo! Te amo! Mas fui obrigado a deixar enterrar este desejo, matá-lo é o que vejo, antes que eu morra por te querer, não que eu quisera te perder, mas a causa foi você. Te quero de novo, me fez te amar, é estranho assim pensar, por que não sei o que tu sentes, mas imagino que ainda há algo vivo em nossas mentes, que nos una novamente ou que rompam de vez os elos da corrente deste tempo e, que as sementes que foram plantadas nestas covas de carne aprofundadas, mesmo feridas, se algumas ainda brotarem, sejam de vez desarraigadas.

Ipatinga, 19/11/2018
Erimar Lopes.
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NO OLHO DA ESCURIDÃO

No arcabouço que sustenta os órgãos, em perfeita simetria os membros, tantos e tantas por aí, não há iguais, semelhanças sim. Memórias e pensamentos, rudimentos desde a fundação dos tempos, homens, mulheres e animais, todos providos de alma e espírito. Capacidades intelectuais humanas, instintos animais originam de homens e mulheres. Belezas, grandezas, e riquezas, elevadas criaturas, suas faces em suas molduras. Disparate à realidade do outro mundo, desprezadas belezas, pobrezas. Criaturas inumanas. Quem as abandona no olho da escuridão? Talvez as suas próprias sortes ou um destino fatídico. De que vale um rico sem o pão da alma e um miserável sem o perdão da fome? Quem governa o sentimento da maldade? Não o homem e sim o lobo que nele habita. As classes do desequilíbrio, malabarismos para ver um dia aceitável no olho da escuridão. Teus membros, teus órgãos, tua afeição; tuas vestes, teus calçados, tua imaginação; tua alma, teu espírito, tua aura longe da tua habitação, aonde se chega andando vai-se de avião, para quê adianta dois olhos no olho da escuridão, se se é humano e não um irracional com noturna visão, porque a fome, a sede, e a doença não pedem licença e não há quem convença um ventre vazio sem um pedaço de pão.
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Comentários (3)

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parabéns
parabéns

amei parabéns

Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

lagazaz

Belo poema

1971