ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

n. 1971 BR BR

Mil Santas palavras constroem. Ainda há tempo.

n. 1971-05-10, Frei Inocêncio-MG

Perfil
417 678 Visualizações

O SÁBIO HOMEM E O GRANDE RIO

O grande rio corre tenso
Águas ligeiras em seu leito
O sábio homem segue manso
Com sabedoria em seu peito.

O sábio homem também ensina
Como andar bem equilibrado
O grande rio não mostra a sina
De quem é levado em seu reinado.

O grande rio é largo e espaçoso
Tenso, mas suas águas navegáveis
O sábio homem é cauteloso
Adverte quanto a convites favoráveis.

O sábio homem vive e viverá
Vigilante, sóbrio, e prudente 
O grande rio jamais admitirá 
Que as suas águas secarão de repente.

O sábio homem e o grande rio
As influências, descrenças, e incertezas
A mente sã e o desvario
O coração firme e a perdição nas correntezas.

Erimar Lopes.

Ler poema completo
Biografia

1971

Poemas

703

OLHOS VERDES IV

Olhos verdes, imaginariamente a amo
O meu coração é um imenso mar
Triste entender tu não ouvires quando a chamo
Todavia é gostoso te ver e poder sonhar.

Passas por mim, sempre a contemplo
Alimentas-me a ilusão das paixões vendadas
Quanta esperança em te habitar em meu templo
Benditos olhos verdes folhas sagradas.

Ó moça tão abrilhantada! Sol da manhã, bela canção 
Tu por mim és aclamada beleza natural
Uma obra perfeita que no meu ser causa emoção 
Olhos verdes não me sabes, és a cura do meu mal.

Quem sabe tu te despertes e o impossível aconteça
E descubra este pobre e amável sonhador
Que tropeces em mim mesmo que eu não te mereça
Mas dedico-te em a amar-te e a matar-te de amor.
281

AMANDA

Oh Divina gratidão por encher este coração de puro amor por ti!

Oh ingrata divisão que arrancou e que levou a minha AMANDA para si!

Oh devota vocação para amar em solidão e buscar a solução para trazê-la de volta!

Oh perfeita sensação que traz a emoção de alcançar a razão para deixá-la solta!

Oh vida em aflição que alimenta essa relação de atitudes complexas!

Oh desejo e confusão que aumenta a pressão em nossas mentes perplexas!

Oh verdade que me abranda e a virtude que demanda, que a guarde aonde anda!

Oh caminhos que a levaram, que sinais deixaram para encontrá-la AMANDA!

Ipatinga, 03/12/2018
Erimar Lopes.

3 013

OLHOS VERDES II

Olhos verdes, quão surpreendentes!
Minha carência por teu amor é tanta
Congela-me os teus olhos reluzentes 
Na expressão do teu rosto que me abrilhanta. 

Porque é forte e cortante a lâmina
Que penetra e alcança o indivisível
E chora a alma a solidão que abomina
Almejando um amor real que a faça risível.

Se tu fosses olhos verdes o meu bem
Te daria a paz das leves e suaves brisas
Te aprovaria em meu coração com amém 
A tocaria com a leveza de calmas águas.

Mas injusto é este meu mundo de amar
Tanto para dar e nada para receber
Tudo na minha vida poderia mudar
Se tu olhos verdes pudesses me perceber.
303

OLHOS VERDES I

Olhos verdes, tu que não me conheces,
Miras-me vez ou outra aleatoriamente
Ao passo que me reveste de luz.
Somente eu sinto a paz quando me olhas.

Olhos verdes, quem és tu que vais adiante,
Que Deus criou com tanta formosura?
Que em meu coração ensaio preces,
Quem dera fosses meu milagre de bênçãos.

Olhos verdes, se tu soubesses!
Ao menos visses a minha sombra!
Contemplar-me-ia o oráculo dos deuses.
Que realidade díspar e sem nexo.

Há coisas, há bens, há sonhos, desejos.
Inalcançáveis! Será que tu és olhos verdes?
321

CORAÇÃO NA IMENSIDÃO

À beira mar a saudade e a solidão
São fortes ondas que se debatem,
À solidão: onde está o meu coração?

Sem a atenção dela, indaguei a saudade:
Essa sim me trouxe uma resposta,
Disse-me: _o seu coração está na vontade.

Aí me confundi por um instante,
A vontade! Nunca será o bastante,
A retruquei por outra proposta.

Deixaram-me perdido e foram mar afora,
E agora? Não me deixe também a vida,
Ser levada nessas ondas que ela namora.

Apagada feito os rastros na areia,
Quando sobe a água maré cheia,
Esses que insistem dias sem ideia.

O seu coração nada na imensidão,
Imergindo em oceanos de paixão.
Respondeu antagônica a ilusão.

Preso a uma âncora de amor, à sorte,
Acorrentado, sentir-se-á a sua dor?
Debaixo de muitas águas a morte.

Ipatinga, 21/11/2018

Erimar Santos.
380

ELIANE

Você que foi o amor por uma década,
Deste que se acovardou em dizê-la
Em virtude da timidez neste aplacada,
E por medo de não poder merecê-la.

Você que meu coração tanto almejava,
Que te contemplavam os olhos meus,
Que nos meus sonhos te imaginava,
Um dia poder estar nos braços teus.

Tenro adolescente e apaixonado,
Burburinhos no horário do recreio,
Eu sempre com o coração gelado,
Você sempre radiante em todo meio.

A menina se fez moça formosa,
Matava-me aos poucos a timidez,
Naturalmente ela era amistosa,
Mas não pude vencê-la uma vez.

Amigos desde anos no colegial,
Crescemos juntos, sempre te via,
Eu era puro e muito sentimental,
Disfarçava, mas no fundo você sabia.

Você cada vez mais linda e confiante,
Sofria te vendo em outros braços,
Eu não fui corajoso o bastante,
Noutros beijos, carinhos, e abraços.

Quando ficávamos a sós uns instantes, 
Meu coração pulsava mais forte,
Mas sempre imperava o medo de antes,
Todavia nada fluía, oh timidez da morte!

E muito se passou, outras épocas,
Eu te amei calado há tempos,
Você se embrenhou noutras bocas,
Eu em alguns passatempos.

Já não me importava contigo, juro,
Mas você estava só e sabia de mim,
Encontrou-me num dia muito inseguro,
E reacendeu todo o passado enfim.

O amor em meu coração despertou,
Fazendo-me sentir muitíssimo especial,
Durante um ano nosso namoro durou,
Muito forte e firmado como essencial.

Acovardei-me durante aqueles anos,
Não te declarando os meus sentimentos,
Se os tivesse revelado antes sem enganos,
Talvez me correspondesse sem julgamentos.

Pois sabia deles em mim, não havia perigo,
Por muito tempo me senti tão esnobado,
Fui covarde, me contentei ser vero amigo.
Mas me dei por insatisfeito como um coitado.

Hoje me peguei lembrando da gente,
De como se acabou a nossa história,
Tanto tempo eu consegui ser indiferente,
Mas bem depois tivemos um ano de glória.

Enquanto pôde me esnobou incontigente,
Depois sozinha apostou todo o seu amor,
Eu vulnerável não te resisti por conseguinte,
Mas brinquei contigo te deixando sem vigor.

Erimar Lopes. 






 
319

INTUIÇÃO

Creio no amor, creio na vida,
No amor como a fonte maior,
Que traduz o perdão em valor.
Creio na vida assim enaltecida.

Creio na flor que desabrocha,
Num desejo flamante tocha,
Que escurece os olhos vivos
De um homem firme rocha.

Creio na profecia inda futura,
Que mostrará aquela amada
Na palavra forte esquadrinhada
Em detalhes de uma pura lisura.

Creio na face formosa do céu,
Em mulheres que o cabelo é o véu,
E que na boca o beijo é ardente,
Que encobrem o corpo envolvente.

Não creio na virgem indolente,
Em caminho de encruzilhada,
Na serpente que dorme inocente,
Não creio na aparência de nada.
272

É NA CHAVE QUE POR DENTRO SE ABRE

Os teus lábios nos meus afoitos,
Tua boca na minha com gosto,
Nos apertos de encontro aos peitos,
Te forço, te arrocho, te pego disposto.

Tomo de ti as tuas forças, suave,
Te prendo, te contorço seivoso,
Corpos com corpos num entrave.
Te domino nos braços gostoso,

No espaço entre vãos acalorados,
O teu corpo é um mapa traçado,
Eram caminhos jamais trilhados,
Todas as partes que tenho tocado.

Tua beleza esplêndida juvenil,
Teus alegres olhos brilhantes,
Que me veem homem varonil,
Te levando ao êxtase em instantes.

É na chave que por dentro se abre,
Todo o regozijo preso em elegância,
Toda satisfação no coração reabre,
Horizontes de amor em abundância.
286

NO OLHO DA ESCURIDÃO

No arcabouço que sustenta os órgãos, em perfeita simetria os membros, tantos e tantas por aí, não há iguais, semelhanças sim. Memórias e pensamentos, rudimentos desde a fundação dos tempos, homens, mulheres e animais, todos providos de alma e espírito. Capacidades intelectuais humanas, instintos animais originam de homens e mulheres. Belezas, grandezas, e riquezas, elevadas criaturas, suas faces em suas molduras. Disparate à realidade do outro mundo, desprezadas belezas, pobrezas. Criaturas inumanas. Quem as abandona no olho da escuridão? Talvez as suas próprias sortes ou um destino fatídico. De que vale um rico sem o pão da alma e um miserável sem o perdão da fome? Quem governa o sentimento da maldade? Não o homem e sim o lobo que nele habita. As classes do desequilíbrio, malabarismos para ver um dia aceitável no olho da escuridão. Teus membros, teus órgãos, tua afeição; tuas vestes, teus calçados, tua imaginação; tua alma, teu espírito, tua aura longe da tua habitação, aonde se chega andando vai-se de avião, para quê adianta dois olhos no olho da escuridão, se se é humano e não um irracional com noturna visão, porque a fome, a sede, e a doença não pedem licença e não há quem convença um ventre vazio sem um pedaço de pão.
325

ÀQUELA QUE FERIU MEU CORAÇÃO

Não diga que valeu a pena ser como não poderia se expressar, como não deveria se comportar, se maculando em coisas difíceis, ágeis, tornando tão frágeis os elos duros de se romperem, esmagando a corrente, ferindo as sementes, mesmo após serem plantadas, antes de germinarem e nascerem. Você fundiu meu coração, matou minha ilusão, expôs minhas feridas, foram muitas evidências, mais dúvidas e poucas crenças que cercaram as nossas vidas, você meu ponto de partida, em minha fé desguarnecida, com carência exacerbada não pensei muito em nada, você surgiu toda encantada prometendo-me amor, tão doce em sabor, dócil e muito agradável, naquele tempo sentia-me um sozinho miserável. Foi amor que eu senti, foi lindo, obedeci meu coração esquecendo-me da razão, coloquei-o em tuas mãos e disse: faças de mim o que quiseres, pois se é assim que tu queres, eu me rendo e já me prendo. Provei as tuas maravilhas, deixou-me um vício, faço vigílias, não me surpreendo quando me flagro pensando nos momentos em que estávamos nos amando, meu corpo no teu, gemidos no breu, suor em abundância, nas bocas duas línguas que dançam, a saudade e a lembrança são as maldades que me alcançam. Mas com todo gosto, sentimento exposto, não pude mais suportar você comigo brincar, eu que quis além de tudo te declarar amor altíssimo a te dar. O que pensavas? O que fazias? É lícito transformar os nossos sonhos em realidades vazias? E por que fundiu meu coração com marca fria? Já chorei por ti, já quis te procurar, te amo! Te amo! Mas fui obrigado a deixar enterrar este desejo, matá-lo é o que vejo, antes que eu morra por te querer, não que eu quisera te perder, mas a causa foi você. Te quero de novo, me fez te amar, é estranho assim pensar, por que não sei o que tu sentes, mas imagino que ainda há algo vivo em nossas mentes, que nos una novamente ou que rompam de vez os elos da corrente deste tempo e, que as sementes que foram plantadas nestas covas de carne aprofundadas, mesmo feridas, se algumas ainda brotarem, sejam de vez desarraigadas.

Ipatinga, 19/11/2018
Erimar Lopes.
1 127

Comentários (2)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

Lagaz

Belo poema