Lista de Poemas

TIMIDEZ

Tudo se enche de graça aonde ela passa,
Sua beleza rechaça a tristeza na praça
Em que os moços aguardam para vê-la
Com graça e o teu perfume sentir.

Veja que natureza bela, isso tudo é ela
Em uma passarela arrancando aplausos,
Causando delírios, sendo ovacionada
Pelo público a sorrir.

Essa beleza rara me prende, me ampara,
E me deixa de cara caída às claras
Quando se declara que não tem ninguém,
Porém fico de fora na noite a refletir.

Mas quando por mim ela passa,
Eu fico sem graça e não tenho coragem,
De olhar no teu rosto e me declarar,
Meus olhos veem-na passar,
Se põem a brilhar, mas eu a deixo partir.
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OXALÁ UM CÃO SEM DONO

Nascemos feitos um pro outro sem utopia
Você é tão agradável, tem autoestima alta
A amo sem receio, o teu amor me recreia

Te quero sem rodeios, te amar me exalta
Somos compatíveis no amor que irradia
Dois desprezados corações separados
Nos mantendo em pensamentos unidos.

A sanção que pagamos por este amor
É solidão e privação por nos separarmos.
Feliz é um cão abandonado sem rumo
Que encontra um dono que o alimente,
Dê carinho, respeite, e lhe dê valor.

Porquê meu amor já não é assim comigo,
Quem dera eu fosse um cão sem dono,
E encontrasse por aí ao menos um amigo
Que cuidasse de mim e me desse abrigo.
296

ESPERANDO AO QUE NÃO CRIA

Quando disse que me amava confesso que não acreditei, não era o que eu esperava. Hoje o meu coração se elevou e nele perpetrou fortes sentimentos por ti em que eu pensava, despertou em minh’alma o amor, oh! Quão excelso amor por ti que eu senti no momento, lágrimas de contentamento na solidão, na exaustão da minha existência que aguarda confiante e anelante o cumprimento da promessa em excelência. O amor se aportou em minh’alma, ele é imenso, despertou em meus olhos o desejo de ver-te tão intenso, me alegraria em te encontrar e novamente te abraçar, tocar o teu corpo e sentir o teu enigma difícil de descobrir. Moça confesso-te, grande falta me faz, não tenho forças para correr atrás do teu amor, estar sozinho isto não me satisfaz, neste frio sem nenhum calor. Moça diga logo o que queres de mim, não me deixes na solidão assim, esperando o que seja o meu fim. Pois em você muito já se cumpriu, o que não era visto muito do invisível se viu, ainda mais em luz se verá, fico feliz que muito mais se fará, em sua vida todo gozo provará e, em teus pés todo fundamento firmará daquelas coisas que pareciam impossíveis, aos olhos vagos, de naturezas intangíveis. Por amar-te, eu te espero, o alimento, a água, o ar que respiro se me tiram, ainda vivo e resisto porquê te quero. Se vai à angústia tanta em minha percepção, que lúgubre desvaira o meu coração, na incerteza de toda fomentação em não saber, que o que há de existir há de vir, que o que mata a sede na sequidão, não são águas torrentes, correntes em vão, que não alcançam a língua na boca em um deserto sertão, na provação de vidas, aguardando uma gota de salvação no calor excessivo do exílio em desunião. Ademais moça, tudo isto são sombras do porvir, eu existo por forças Daquele que fez tudo existir, que mudou o teu coração para a Ele servir, que cercou os teus caminhos e os teus olhos abriram, mudou o teu semblante em tua face e o teu riso e, encheu a tua alma de eterno regozijo. Agora moça como antigamente, quero você meu presente, por tudo que ainda se sente em nossos corações, que se indagam: por que nos privarmos de nós? Como se estivéssemos a sós escalando uma longínqua barreira, acreditando que as nossas forças por si só nos levaríamos a chegar ao final do percurso, onde nos encontraríamos ao final da carreira.
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DIVAGAÇÃO

Eu na minha simplicidade, na minha humilde forma de pensar, na divisão das águas que seguem o curso para o mar, no meu mínimo entendimento, por uma alma que no seu penar se convence ao arrependimento.

Eu com os meus olhos que pouco veem, com as minhas mãos que poucas forças têm, com os meus braços que não podem ir além, por uma vida que não está anelante por se redimir dos erros em evidência constante.

Eu com os meus passos curtos, com os meus pensamentos lentos, com os ventos de um tufão, com o coração na mão, por um amor em ilusão indo em outra direção em iminente colisão ao que lhe causa aflição nos sentidos em sua mente.

Eu nada sinto, não minto, admito que a razão de amar sem ser correspondido é rasgar o peito, sangrar o amor, furor em desconsolo na dor, é cegar-se com límpida visão, é tentar matar a sede com água salgada, é alimentar-se de ar, morrer a viver-se como alma penada.
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SEPARAÇÃO

Vivemos tempos de paz, que paz absurda! Na guerra lutei contra mim mesmo, com o inimigo dormindo comigo. Vencê-lo, matá-lo e pendurar a sua cabeça em um mastro e exibi-la para que muitos temessem durou longos anos. Ao teu lado foi como se eu estivesse no abandono. Como o vento forma as ondas no mar, assim formou o meu desgosto, sugar a minha alma, destilar o mosto que embriaga o meu espirito e acaricia a lamúria dentro do âmago exposto, controvérsia, desacordo, total desconforto, não vislumbrava saída, era a prisão em vida sem cadeias, algemas em pulsos de vidro, afloradas peleias, espinhos na carne, adagas no coração, calos duros nos pés, cravos pregados nas mãos, sangue nos olhos, no olho do furacão, pisando em ovos, fardos pesados no lombo, sentir-se culpado sem culpa, cair e levantar-se de um tombo. Assim passaram-se os tempos, se verdade ou mentiras tamanhos contratempos, a comprimir minha paz, a exalar meu alento, a secar minha boca, aquecer meus tormentos, expandir minhas dúvidas e dilacerar fragmentos ao que os meus olhos viam e meus ouvidos ouviam, a loucura desnuda, a indiscrição aguda, o desrespeito a soar, males, fingimentos, cheiro de morte no ar. Como fugir, como partir para bem longe estar, círculo de fogo fechado, medo de me queimar, meu matrimônio arruinado e agora provado, sendo obrigado a deixar, aquela que era paz, mas tornou-se em guerras, que de tudo foi capaz até levar-me assaz a fugir do terror daquilo que iniciou-se em luz e transformou-se em trevas.
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O QUE TENHO EU CONTIGO?

Por que faz isso comigo se ainda quero amar você, o que tenho eu contigo? Se não mais quis me querer, se me fechei por ti e não quis me esperar, se me traz à lembrança o que não quero mais lembrar.

O que tenho eu contigo, se está me fazendo sofrer, por que faz isso comigo? Se não quis nem mais saber da nossa história tão linda, vivida com prazer, em que nós nos entregamos amar por querer.

O que tenho eu contigo? Se ainda não é tempo de eu te dizer te amo num ditoso casamento, de se declarar o nosso amor em eternas alianças e entrelaçar nossas almas com total confiança.

O que tenho eu contigo e com o desejo que nos chama e a verdade que ainda clama? Na esperança de unir o meu coração ao teu, que declarou que me ama, mas somente se perdeu porquê não entendeu que está vivo e não morreu o lume que tem a flama.
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CARREIRAS DA VIDA

Mas se você correr, corra longas carreiras, não sem eiras nem beiras, corra as carreiras da vida, mesmo que não sejam favorecidas, não hesite, tudo existe para ser testado, provado, mas cuidado, olhe bem para os lados, atrás e adiante, colha a contento, esteja atento, busque ser uma estrela brilhante. Seja prudente, procure ser decente, não vá desenfreado, prove aos bocados, cresça ordenado neste mundo desvairado. Corra desabaladas carreiras, longos caminhos, com flores ou espinhos, não pise nos ninhos, onde nascem esperanças e nas suas andanças não se junte aos insensatos, não se apaixone pelos seus atos. Faça retratos, crie histórias, guarde-as nas memórias dos outros, e que não sejam poucos. Saia um pouco do chão, voe, mas não de avião, crie asas, voe veloz, se assimile ao albatroz nos seus bons costumes, das moças do seu tempo não se enjoe dos perfumes, alegre-se em seu coração e com o amor das virgens cubra-se de paixão. E quando já houver experimentado e tudo de necessário conquistado, aterrise e continue correndo, mas já pode ir mais devagar, caminhar, pois correu longas carreiras e voou longe, usufrua agora da paz, da liberdade, do amor e das preciosas dádivas que a vida ainda tem para lhe oferecer e lhe dar.
690

A CASA DE CERA

A casa era de cera em formato de pera, que grande era ela não tinha janela, mas morávamos nela. Eu, meu irmão, e minha mãe, lá na favela, quando o nosso pai nos deixou bagatela.

Mas que loucura era aquela! Não havia energia lá na favela, na casa à noite não se acendia vela, pois ela era de cera, fogo nem ver, já dizia minha mãe: cuidado para esta casa não se derreter.

O mais engraçado é que não ficávamos no escuro, haviam sempre pirilampos nos iluminando, piscando suas luzes eu juro, parecia magia e enxergávamos tudo como se fosse de dia.

As paredes eram macias e pegajosas, eu e meu irmão escondíamos nelas, brincando de polícia e ladrão, enquanto nossa mãe no trabalho permanecia a buscar com o seu suor o nosso pão, na labuta de cada dia.

Quanta alegria eu sentia naquela casa, mas num dia de sol escaldante, a nossa moradia de cera em forma de pera não suportou o calor sufocante e começou a se derreter incessantemente.

Saímos correndo, deixamos tudo para trás, vendo a nossa casa de cera derretendo. Senti os meus sonhos num instante morrendo, vendo chorando minha mãe e meu irmão, imaginando que pesadelo horrendo, agora não temos mais casa, apenas o chão.

Ipatinga, 14/10/2018
Erimar Lopes.
249

O TEU CHEIRO

O teu cheiro e o gosto da tua pele amor! Como são maravilhosos, a tua boca e os teus lábios adocicados, como me deixam esperançosos em provar novamente desse mar de delícias, ou o que seja que afine o tom da nossa mistura em um beijo bom, longo e seguido de carícias. Pelo som dos batimentos acelerados dos nossos corações, sonhamos acordados tantas emoções. Meus olhos na expressão do teu corpo, maravilhados por verem do amor o escopo, numa sessão de querer a amada por horas e não deixá-la por nada. Agrava-se ao que sofre, atenua-se em uma estrofe de versos que falam de entranháveis afetos em diversos universos do amor, que interagem sem dor e nem cor, onde a amada é uma flor, rosa que produz carinhos, e o amado o vapor ferido pelos seus espinhos.

Erimar Lopes.
292

PIEDADE DE MIM

Meu Senhor ouça o meu clamor! Por que meu Deus sofrer tanto assim? Ai de mim que já não tenho mais forças para lutar, o que será de mim se assim eu continuar.

Oh meu Deus! Eu vim aqui buscar, do Senhor as forças pra eu lutar, encarar o medo e vencer os males que andam a me oferecer somente laços para me prender.

Senhor acode esta minh’alma sofrida, acrescenta nela mais luz e mais vida, e a dê condições para não ser sucumbida, no vazio do espaço, escuridão enegrecida.

Mestre Tu sabes do meu coração, que eu não quero que seja assim, mas Senhor tenha piedade de mim, seja comigo, não permita que os males ditem o meu fim.

Se ouvires o meu clamor, e dispensar-me misericórdia, Senhor andarei no amor, me apartarei de toda discórdia, farei todo o possível que for para manter-me na luz, que guiará os meus passos, e ela me conduzirá até encontrar os Teus braços.
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Comentários (3)

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parabéns
parabéns

amei parabéns

Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

lagazaz

Belo poema

1971