DENTRO DO MEU EU
Quisera eu andar na linha dos meus sentimentos nobres, não desviar nem para a direita, nem para a esquerda, seguir em frente, olhar adiante, ver o horizonte, ver além. Estar seguro de que todas as coisas estarão no devido lugar, esperando-me quando ela voltar. Quem sou eu nesta guerra? Um soldado valente, cheio de cicatrizes causadas pelos inimigos nas batalhas, mas vivo persistente. Carregando os fardos, as dores e o medo na constância da morte, por sorte ainda sigo andando. Sou afligido todos os dias, vejo loucuras nos campos de batalhas, nas ruas, homens e mulheres clamando, seus filhos chorando, para que no plano do inimigo hajam falhas, para que não os consumam sem piedade, em verdade também presencio deliberada maldade. Andar na linha dos meus sentimentos virou tormentos, quem curará as minhas abertas feridas pelas ceifadas vidas, quem me dará conselhos, quem apagará da minha mente toda a angústia que assisti nos dias negros em que vivi? Me dirá: o tempo. Ah! Este já nos consome, ele é implacável, irreversível, intangível, ele sim apaga as nossas memórias, mas apagam-nas e apaga-nos por completo, o invisível. Enquanto vivemos carregamos resquícios de tudo que há em nós, passado ou recente e nisso tudo está pensativa a minha mente, enquanto escrevo a minha alma geme, os meus olhos puseram-se a chorar um chôro triste, o meu espirito pôs-se a clamar, o meu coração quase fibrila e os meus sentimentos fervem dentro de mim, volte para me acalmar, me fazer dormir com a sua voz da melodia do som da harpa, e me fazer sonhar com a melancolia dos seus carinhos do som do violino. Assim faze-me esquecer de tudo sobremaneira sem me apagar por completo e, auxilia-me na luta desta guerra que batalha dentro do meu eu.
PROVEMOS UM POUCO DE NÓS
Senta aqui, provemos um pouco de nós
Veja em mim esta expressão aceitável
Aproveitemos este momento a sós
Façamos exalar uma fragrância agradável.
Nela falo-te do amor que por ti eu sinto
Tão forte que não suporto em meu peito
Faz jorrar das fontes que adoçam absinto
Toda mansidão, paciência, e respeito.
Quanta graça há em ti, além do desejo
Tanta gratidão tenho pela tua existência
Quando estou contigo em teus olhos vejo
A força de amar-te com toda excelência.
Somos um para o outro infinitamente
Compartilhamos juntos nossas vidas
Amor eu te quero mais intensamente
Em nossas relações bem resolvidas.
O que mais pode almejar o meu coração
Se o curso que leva a tocar os teus lábios
Transborda uma eternidade de emoção
Ao alcançá-los em tua boca tão sábios?
É a longura do beijo que arde e queima
Que me prende no teu colo em encantos
No aperto em teus braços nesta freima
Descartando ofegantes nossos mantos.
Deixe que fale por nós as nossas atitudes
Expressando em nossos corpos a leveza
Nas carícias que nos elevam às altitudes
No apogeu do nosso amor e sua alteza.
OXALÁ UM CÃO SEM DONO
Nascemos feitos um pro outro sem utopia
Você é tão agradável, tem autoestima alta
A amo sem receio, o teu amor me recreia
Te quero sem rodeios, te amar me exalta
Somos compatíveis no amor que irradia
Dois desprezados corações separados
Nos mantendo em pensamentos unidos.
A sanção que pagamos por este amor
É solidão e privação por nos separarmos.
Feliz é um cão abandonado sem rumo
Que encontra um dono que o alimente,
Dê carinho, respeite, e lhe dê valor.
Porquê meu amor já não é assim comigo,
Quem dera eu fosse um cão sem dono,
E encontrasse por aí ao menos um amigo
Que cuidasse de mim e me desse abrigo.
SEPARAÇÃO
Vivemos tempos de paz, que paz absurda! Na guerra lutei contra mim mesmo, com o inimigo dormindo comigo. Vencê-lo, matá-lo e pendurar a sua cabeça em um mastro e exibi-la para que muitos temessem durou longos anos. Ao teu lado foi como se eu estivesse no abandono. Como o vento forma as ondas no mar, assim formou o meu desgosto, sugar a minha alma, destilar o mosto que embriaga o meu espirito e acaricia a lamúria dentro do âmago exposto, controvérsia, desacordo, total desconforto, não vislumbrava saída, era a prisão em vida sem cadeias, algemas em pulsos de vidro, afloradas peleias, espinhos na carne, adagas no coração, calos duros nos pés, cravos pregados nas mãos, sangue nos olhos, no olho do furacão, pisando em ovos, fardos pesados no lombo, sentir-se culpado sem culpa, cair e levantar-se de um tombo. Assim passaram-se os tempos, se verdade ou mentiras tamanhos contratempos, a comprimir minha paz, a exalar meu alento, a secar minha boca, aquecer meus tormentos, expandir minhas dúvidas e dilacerar fragmentos ao que os meus olhos viam e meus ouvidos ouviam, a loucura desnuda, a indiscrição aguda, o desrespeito a soar, males, fingimentos, cheiro de morte no ar. Como fugir, como partir para bem longe estar, círculo de fogo fechado, medo de me queimar, meu matrimônio arruinado e agora provado, sendo obrigado a deixar, aquela que era paz, mas tornou-se em guerras, que de tudo foi capaz até levar-me assaz a fugir do terror daquilo que iniciou-se em luz e transformou-se em trevas.
TIMIDEZ
Tudo se enche de graça aonde ela passa,
Sua beleza rechaça a tristeza na praça
Em que os moços aguardam para vê-la
Com graça e o teu perfume sentir.
Veja que natureza bela, isso tudo é ela
Em uma passarela arrancando aplausos,
Causando delírios, sendo ovacionada
Pelo público a sorrir.
Essa beleza rara me prende, me ampara,
E me deixa de cara caída às claras
Quando se declara que não tem ninguém,
Porém fico de fora na noite a refletir.
Mas quando por mim ela passa,
Eu fico sem graça e não tenho coragem,
De olhar no teu rosto e me declarar,
Meus olhos veem-na passar,
Se põem a brilhar, mas eu a deixo partir.
DIVAGAÇÃO
Eu na minha simplicidade, na minha humilde forma de pensar, na divisão das águas que seguem o curso para o mar, no meu mínimo entendimento, por uma alma que no seu penar se convence ao arrependimento.
Eu com os meus olhos que pouco veem, com as minhas mãos que poucas forças têm, com os meus braços que não podem ir além, por uma vida que não está anelante por se redimir dos erros em evidência constante.
Eu com os meus passos curtos, com os meus pensamentos lentos, com os ventos de um tufão, com o coração na mão, por um amor em ilusão indo em outra direção em iminente colisão ao que lhe causa aflição nos sentidos em sua mente.
Eu nada sinto, não minto, admito que a razão de amar sem ser correspondido é rasgar o peito, sangrar o amor, furor em desconsolo na dor, é cegar-se com límpida visão, é tentar matar a sede com água salgada, é alimentar-se de ar, morrer a viver-se como alma penada.
TOLICE
Olha, o que eu te disse foi tudo tolice, perdoa-me por expressar-me assim, foi idiotice, não me abandones, não fujas, não te escondas, não te afaste, não oculte a tua face de mim.
Fui rude e insensato, agi como não devia, te magoei, te feri, deixei-me levar pela ousadia sem medo de te perder, agora vejo que fiz prevalecer meus erros até enquanto pude fazendo-a de mim esquecer.
Você é o tesouro que eu tinha guardado, a minha riqueza com valor nunca estimado. Estou te perdendo, é justo, mas está me moendo, como as coisas acontecem, capítulos da vida que vi e vivi e jamais me pertencem.
ESPERANDO AO QUE NÃO CRIA
Quando disse que me amava confesso que não acreditei, não era o que eu esperava. Hoje o meu coração se elevou e nele perpetrou fortes sentimentos por ti em que eu pensava, despertou em minh’alma o amor, oh! Quão excelso amor por ti que eu senti no momento, lágrimas de contentamento na solidão, na exaustão da minha existência que aguarda confiante e anelante o cumprimento da promessa em excelência. O amor se aportou em minh’alma, ele é imenso, despertou em meus olhos o desejo de ver-te tão intenso, me alegraria em te encontrar e novamente te abraçar, tocar o teu corpo e sentir o teu enigma difícil de descobrir. Moça confesso-te, grande falta me faz, não tenho forças para correr atrás do teu amor, estar sozinho isto não me satisfaz, neste frio sem nenhum calor. Moça diga logo o que queres de mim, não me deixes na solidão assim, esperando o que seja o meu fim. Pois em você muito já se cumpriu, o que não era visto muito do invisível se viu, ainda mais em luz se verá, fico feliz que muito mais se fará, em sua vida todo gozo provará e, em teus pés todo fundamento firmará daquelas coisas que pareciam impossíveis, aos olhos vagos, de naturezas intangíveis. Por amar-te, eu te espero, o alimento, a água, o ar que respiro se me tiram, ainda vivo e resisto porquê te quero. Se vai à angústia tanta em minha percepção, que lúgubre desvaira o meu coração, na incerteza de toda fomentação em não saber, que o que há de existir há de vir, que o que mata a sede na sequidão, não são águas torrentes, correntes em vão, que não alcançam a língua na boca em um deserto sertão, na provação de vidas, aguardando uma gota de salvação no calor excessivo do exílio em desunião. Ademais moça, tudo isto são sombras do porvir, eu existo por forças Daquele que fez tudo existir, que mudou o teu coração para a Ele servir, que cercou os teus caminhos e os teus olhos abriram, mudou o teu semblante em tua face e o teu riso e, encheu a tua alma de eterno regozijo. Agora moça como antigamente, quero você meu presente, por tudo que ainda se sente em nossos corações, que se indagam: por que nos privarmos de nós? Como se estivéssemos a sós escalando uma longínqua barreira, acreditando que as nossas forças por si só nos levaríamos a chegar ao final do percurso, onde nos encontraríamos ao final da carreira.
DEUSA NEGRA
Ela é assim, estátua de marfim, esguia, da pele macia, cabelos soltos ao vento, olhar portento, gemas negras, teu andar ouriçado jogando os quadris de lado, da cor do pecado, com sorriso malvado enfim, dos paços sagrados em seu reinado, que surgiu pra mim.
Tua boca é a coisa mais louca, teus lábios nus me dão calafrios que dormem doces macios, me dariam desvarios se provados fossem. Teus seios guardam a força que me desnorteia se me tocam, pousar na tua boca teus sôfregos beijos me sufocam.
A amaria, devocionaria, me renderia por completo, à deusa negra com o cetro da paixão que quer meu coração repleto de ilusão. Como fugir das tuas mãos pois se acima de tudo quero aventura e emoção?
O QUE TENHO EU CONTIGO?
Por que faz isso comigo se ainda quero amar você, o que tenho eu contigo? Se não mais quis me querer, se me fechei por ti e não quis me esperar, se me traz à lembrança o que não quero mais lembrar.
O que tenho eu contigo, se está me fazendo sofrer, por que faz isso comigo? Se não quis nem mais saber da nossa história tão linda, vivida com prazer, em que nós nos entregamos amar por querer.
O que tenho eu contigo? Se ainda não é tempo de eu te dizer te amo num ditoso casamento, de se declarar o nosso amor em eternas alianças e entrelaçar nossas almas com total confiança.
O que tenho eu contigo e com o desejo que nos chama e a verdade que ainda clama? Na esperança de unir o meu coração ao teu, que declarou que me ama, mas somente se perdeu porquê não entendeu que está vivo e não morreu o lume que tem a flama.