DENTRO DO MEU EU
Quisera eu andar na linha dos meus sentimentos nobres, não desviar nem para a direita, nem para a esquerda, seguir em frente, olhar adiante, ver o horizonte, ver além. Estar seguro de que todas as coisas estarão no devido lugar, esperando-me quando ela voltar. Quem sou eu nesta guerra? Um soldado valente, cheio de cicatrizes causadas pelos inimigos nas batalhas, mas vivo persistente. Carregando os fardos, as dores e o medo na constância da morte, por sorte ainda sigo andando. Sou afligido todos os dias, vejo loucuras nos campos de batalhas, nas ruas, homens e mulheres clamando, seus filhos chorando, para que no plano do inimigo hajam falhas, para que não os consumam sem piedade, em verdade também presencio deliberada maldade. Andar na linha dos meus sentimentos virou tormentos, quem curará as minhas abertas feridas pelas ceifadas vidas, quem me dará conselhos, quem apagará da minha mente toda a angústia que assisti nos dias negros em que vivi? Me dirá: o tempo. Ah! Este já nos consome, ele é implacável, irreversível, intangível, ele sim apaga as nossas memórias, mas apagam-nas e apaga-nos por completo, o invisível. Enquanto vivemos carregamos resquícios de tudo que há em nós, passado ou recente e nisso tudo está pensativa a minha mente, enquanto escrevo a minha alma geme, os meus olhos puseram-se a chorar um chôro triste, o meu espirito pôs-se a clamar, o meu coração quase fibrila e os meus sentimentos fervem dentro de mim, volte para me acalmar, me fazer dormir com a sua voz da melodia do som da harpa, e me fazer sonhar com a melancolia dos seus carinhos do som do violino. Assim faze-me esquecer de tudo sobremaneira sem me apagar por completo e, auxilia-me na luta desta guerra que batalha dentro do meu eu.
LOBO NO HOMEM
Na profundeza do que é íntimo, marcando as horas para o incerto, na ansiedade de um deserto, o corpo homem vexe abjeto, a luz dos olhos se apagando, lobo homem agonizando.
É tarde, é noite e é negro, alma em desapego, tudo é desassossego, alimárias sinistras que dão medo, que impõem ao lobo homem desespero.
No enredo da morte nem um forte subsiste, mas o espírito ainda insiste na matéria decadente deste ser inerte, que o sangue ainda verte em suas veias vida quente.
Na batalha incessante por sobrevida, uiva o lobo sem a alcateia ferida, em instinto numa ilha de solidão, incapaz de uma valente reação, que o levante feito um cão, leão faminto.
O que era presa foi prisão, na alma e espírito expiação, não expiração do fôlego e coração, mas nas narinas aflição, quase sem ar e pulsação que expresse vida neste cão, lobo homem em efusão.
Toda vida sem inspiração, caindo em precipícios em vão, ora água, ora pão, disto o lobo se alimenta, a carne que ele ostenta e de tudo espaventa é o que o dá vida e o sustenta, enquanto o íntimo ainda aguenta, antes da escuridão sedenta que o cerca e o atormenta.
OXALÁ UM CÃO SEM DONO
Nascemos feitos um pro outro sem utopia
Você é tão agradável, tem autoestima alta
A amo sem receio, o teu amor me recreia
Te quero sem rodeios, te amar me exalta
Somos compatíveis no amor que irradia
Dois desprezados corações separados
Nos mantendo em pensamentos unidos.
A sanção que pagamos por este amor
É solidão e privação por nos separarmos.
Feliz é um cão abandonado sem rumo
Que encontra um dono que o alimente,
Dê carinho, respeite, e lhe dê valor.
Porquê meu amor já não é assim comigo,
Quem dera eu fosse um cão sem dono,
E encontrasse por aí ao menos um amigo
Que cuidasse de mim e me desse abrigo.
TIMIDEZ
Tudo se enche de graça aonde ela passa,
Sua beleza rechaça a tristeza na praça
Em que os moços aguardam para vê-la
Com graça e o teu perfume sentir.
Veja que natureza bela, isso tudo é ela
Em uma passarela arrancando aplausos,
Causando delírios, sendo ovacionada
Pelo público a sorrir.
Essa beleza rara me prende, me ampara,
E me deixa de cara caída às claras
Quando se declara que não tem ninguém,
Porém fico de fora na noite a refletir.
Mas quando por mim ela passa,
Eu fico sem graça e não tenho coragem,
De olhar no teu rosto e me declarar,
Meus olhos veem-na passar,
Se põem a brilhar, mas eu a deixo partir.
CARREIRAS DA VIDA
Mas se você correr, corra longas carreiras, não sem eiras nem beiras, corra as carreiras da vida, mesmo que não sejam favorecidas, não hesite, tudo existe para ser testado, provado, mas cuidado, olhe bem para os lados, atrás e adiante, colha a contento, esteja atento, busque ser uma estrela brilhante. Seja prudente, procure ser decente, não vá desenfreado, prove aos bocados, cresça ordenado neste mundo desvairado. Corra desabaladas carreiras, longos caminhos, com flores ou espinhos, não pise nos ninhos, onde nascem esperanças e nas suas andanças não se junte aos insensatos, não se apaixone pelos seus atos. Faça retratos, crie histórias, guarde-as nas memórias dos outros, e que não sejam poucos. Saia um pouco do chão, voe, mas não de avião, crie asas, voe veloz, se assimile ao albatroz nos seus bons costumes, das moças do seu tempo não se enjoe dos perfumes, alegre-se em seu coração e com o amor das virgens cubra-se de paixão. E quando já houver experimentado e tudo de necessário conquistado, aterrise e continue correndo, mas já pode ir mais devagar, caminhar, pois correu longas carreiras e voou longe, usufrua agora da paz, da liberdade, do amor e das preciosas dádivas que a vida ainda tem para lhe oferecer e lhe dar.
SEPARAÇÃO
Vivemos tempos de paz, que paz absurda! Na guerra lutei contra mim mesmo, com o inimigo dormindo comigo. Vencê-lo, matá-lo e pendurar a sua cabeça em um mastro e exibi-la para que muitos temessem durou longos anos. Ao teu lado foi como se eu estivesse no abandono. Como o vento forma as ondas no mar, assim formou o meu desgosto, sugar a minha alma, destilar o mosto que embriaga o meu espirito e acaricia a lamúria dentro do âmago exposto, controvérsia, desacordo, total desconforto, não vislumbrava saída, era a prisão em vida sem cadeias, algemas em pulsos de vidro, afloradas peleias, espinhos na carne, adagas no coração, calos duros nos pés, cravos pregados nas mãos, sangue nos olhos, no olho do furacão, pisando em ovos, fardos pesados no lombo, sentir-se culpado sem culpa, cair e levantar-se de um tombo. Assim passaram-se os tempos, se verdade ou mentiras tamanhos contratempos, a comprimir minha paz, a exalar meu alento, a secar minha boca, aquecer meus tormentos, expandir minhas dúvidas e dilacerar fragmentos ao que os meus olhos viam e meus ouvidos ouviam, a loucura desnuda, a indiscrição aguda, o desrespeito a soar, males, fingimentos, cheiro de morte no ar. Como fugir, como partir para bem longe estar, círculo de fogo fechado, medo de me queimar, meu matrimônio arruinado e agora provado, sendo obrigado a deixar, aquela que era paz, mas tornou-se em guerras, que de tudo foi capaz até levar-me assaz a fugir do terror daquilo que iniciou-se em luz e transformou-se em trevas.
O TEU CHEIRO
O teu cheiro e o gosto da tua pele amor! Como são maravilhosos, a tua boca e os teus lábios adocicados, como me deixam esperançosos em provar novamente desse mar de delícias, ou o que seja que afine o tom da nossa mistura em um beijo bom, longo e seguido de carícias. Pelo som dos batimentos acelerados dos nossos corações, sonhamos acordados tantas emoções. Meus olhos na expressão do teu corpo, maravilhados por verem do amor o escopo, numa sessão de querer a amada por horas e não deixá-la por nada. Agrava-se ao que sofre, atenua-se em uma estrofe de versos que falam de entranháveis afetos em diversos universos do amor, que interagem sem dor e nem cor, onde a amada é uma flor, rosa que produz carinhos, e o amado o vapor ferido pelos seus espinhos.
Erimar Lopes.
DIVAGAÇÃO
Eu na minha simplicidade, na minha humilde forma de pensar, na divisão das águas que seguem o curso para o mar, no meu mínimo entendimento, por uma alma que no seu penar se convence ao arrependimento.
Eu com os meus olhos que pouco veem, com as minhas mãos que poucas forças têm, com os meus braços que não podem ir além, por uma vida que não está anelante por se redimir dos erros em evidência constante.
Eu com os meus passos curtos, com os meus pensamentos lentos, com os ventos de um tufão, com o coração na mão, por um amor em ilusão indo em outra direção em iminente colisão ao que lhe causa aflição nos sentidos em sua mente.
Eu nada sinto, não minto, admito que a razão de amar sem ser correspondido é rasgar o peito, sangrar o amor, furor em desconsolo na dor, é cegar-se com límpida visão, é tentar matar a sede com água salgada, é alimentar-se de ar, morrer a viver-se como alma penada.
O QUE TENHO EU CONTIGO?
Por que faz isso comigo se ainda quero amar você, o que tenho eu contigo? Se não mais quis me querer, se me fechei por ti e não quis me esperar, se me traz à lembrança o que não quero mais lembrar.
O que tenho eu contigo, se está me fazendo sofrer, por que faz isso comigo? Se não quis nem mais saber da nossa história tão linda, vivida com prazer, em que nós nos entregamos amar por querer.
O que tenho eu contigo? Se ainda não é tempo de eu te dizer te amo num ditoso casamento, de se declarar o nosso amor em eternas alianças e entrelaçar nossas almas com total confiança.
O que tenho eu contigo e com o desejo que nos chama e a verdade que ainda clama? Na esperança de unir o meu coração ao teu, que declarou que me ama, mas somente se perdeu porquê não entendeu que está vivo e não morreu o lume que tem a flama.
ESPERANDO AO QUE NÃO CRIA
Quando disse que me amava confesso que não acreditei, não era o que eu esperava. Hoje o meu coração se elevou e nele perpetrou fortes sentimentos por ti em que eu pensava, despertou em minh’alma o amor, oh! Quão excelso amor por ti que eu senti no momento, lágrimas de contentamento na solidão, na exaustão da minha existência que aguarda confiante e anelante o cumprimento da promessa em excelência. O amor se aportou em minh’alma, ele é imenso, despertou em meus olhos o desejo de ver-te tão intenso, me alegraria em te encontrar e novamente te abraçar, tocar o teu corpo e sentir o teu enigma difícil de descobrir. Moça confesso-te, grande falta me faz, não tenho forças para correr atrás do teu amor, estar sozinho isto não me satisfaz, neste frio sem nenhum calor. Moça diga logo o que queres de mim, não me deixes na solidão assim, esperando o que seja o meu fim. Pois em você muito já se cumpriu, o que não era visto muito do invisível se viu, ainda mais em luz se verá, fico feliz que muito mais se fará, em sua vida todo gozo provará e, em teus pés todo fundamento firmará daquelas coisas que pareciam impossíveis, aos olhos vagos, de naturezas intangíveis. Por amar-te, eu te espero, o alimento, a água, o ar que respiro se me tiram, ainda vivo e resisto porquê te quero. Se vai à angústia tanta em minha percepção, que lúgubre desvaira o meu coração, na incerteza de toda fomentação em não saber, que o que há de existir há de vir, que o que mata a sede na sequidão, não são águas torrentes, correntes em vão, que não alcançam a língua na boca em um deserto sertão, na provação de vidas, aguardando uma gota de salvação no calor excessivo do exílio em desunião. Ademais moça, tudo isto são sombras do porvir, eu existo por forças Daquele que fez tudo existir, que mudou o teu coração para a Ele servir, que cercou os teus caminhos e os teus olhos abriram, mudou o teu semblante em tua face e o teu riso e, encheu a tua alma de eterno regozijo. Agora moça como antigamente, quero você meu presente, por tudo que ainda se sente em nossos corações, que se indagam: por que nos privarmos de nós? Como se estivéssemos a sós escalando uma longínqua barreira, acreditando que as nossas forças por si só nos levaríamos a chegar ao final do percurso, onde nos encontraríamos ao final da carreira.