OS SEGREDOS DAS PAREDES
Eu vi a vida que sofrida foi, as mãos ásperas que onde tocam dói. Dói na ferida da alma que chora horas de desconsolo, suspirando em angústias sem apelo. Eu li os olhos que fechados foram, foram abertos em prantos desaforos tantos, que as lágrimas levaram com tristeza os seus tesouros, feito ovelhas com destino aos matadouros. Eu vi a virgem com calor que queima, queima quente na carne que sente, o desejo que lança tanta gente, na fornalha com calor ardente. Eu vi a casa que habitada foi, que as paredes ocultam os segredos dela, que alí aos olhos de uma sentinela viveu oprimida uma doce donzela. Eu vejo o amor perdido nos caminhos, em encruzilhadas a clamar, eu sei que as rosas têm espinhos, espinhos que nos impedem de amar. Eu não desisto de ouvi-lo um dia, eu sei que um dia me chamará, pela vida que sofrida foi e as mãos ásperas que onde tocam dói, pelos olhos que abertos foram, em prantos desaforos tantos, pela virgem com calor que queima, queima quente na carne que sente, que habitarão a casa da doce donzela, que oprimida foi aos olhos de uma sentinela, e desvendarão os segredos das paredes dela.
QUANDO A VI TÃO BELA
Assim quando a vi tão bela, a sensação no coração de querê-la tão singela em minha vida, sem despedida aos meus olhos que fitavam as maravilhas tuas como paisagens nuas de altas montanhas nas densas florestas, que em suas entranhas abrigam seres que amam folhagens espessas. Com todas as sortes sonhar nas alturas por teus sentimentos, que fortes me levam a cair nas branduras dos teus afagos, que fazem toar os batimentos da fonte que pulsa em meu peito, uma ponte lingando aos desejos teus, no leito, ávidos desejos meus. Assim quando a toquei tão suave, correspondeste-me em silêncio em delícias, que de provadas carícias sentidas deste-me, em excelso fulgor por provar do teu sabor nos arrochos sem dor aos céus elevaste-me. Assim quando de mim não soltaste, quanto mais jubilaste de alegrias sem risos, lágrimas de regozijos a brindar com o tempo para que durasse a contento, pelos corpos ardentes e exaustos por tanto amor portento, que de doce a fugaz nos levando ao êxtase, lânguido, imenso, e intenso gozo traz.
FICTO, CONCRETO E ABSTRATO
Seja fogo ou um agente que o consome
Não a ferrugem que desgasta o aço
Seja um homem sincero sem codinome
Não um falso caráter com estardalhaço
Seja um longo tempo de amor na fome.
Seja o óleo aromático que unge o corpo
Que lubrifica a ferrugem dos abraços
Não seja negligente e ame com escopo
Como o fogo que ferve íntimos laços
No desejo bebido forte em um copo.
Seja a luz que dissipa todas as trevas
Seja o mar, o ar, a vida, a ferida que dói
Seja o remédio para a ferida, as ervas
Uma lágrima que cai, a mão que constrói
Seja a vida mais que vivida sem reservas.
Seja as mãos afáveis aos que choram
Os lenços que secam as lágrimas
Os apertados abraços dos que namoram
As raras confissões de amor legítimas
Os acalentados beijos dos que se adoram.
Seja a generosa e graciosa esposa
Os alvos e límpidos lençóis do leito,
O louvável e honroso esposo em prosa
Seja o matrimônio quase perfeito.
Seja os olhos coloridos, anegrados
Acastanhados, não sejam acanhados
Seja a visão, esverdeados ou azulados
Não sejam ou se tornem consternados.
Seja a razão, a lei, a temperança
Não seja cego, nem a causa do conflito
Seja a inocência de uma criança
Seja o conselho, o socorro do aflito.
Seja as algemas nos pulsos, a liberdade
A falha, a palha que queima, a cinza
Seja os esteios, a coluna, a saudade
Todos os fins, não seja a fraqueza
Seja todos os meios que tire a maldade.
Seja a vitória, a coragem, e o medo
A pergunta e também uma resposta
Seja todo lugar, a verdade e o segredo
Seja lugar nenhum por nenhuma aposta.
Seja o tudo ou o nada de forma decisória
Não alma enfadada por ficto-abstrato ser
Não viva artificialmente outra vida ilusória
Seja o concreto e objetivo modo de viver.
Ipatinga, 05 de outubro de 2018.
Erimar Lopes.
IGUAL A UM RIACHO SECANDO
Eu tenho que admitir que te amo,
Estou privado do seu amor e desejos.
Na solidão é o seu nome que clamo,
Com saudade do sabor dos seus beijos.
Se não sabes, posso dizer-lhe agora,
Aceite por favor as minhas desculpas,
Não se assuste sou um homem que chora
Arrependido implorando em súplicas.
Se não mais me quiseres fadado estarei,
A perambular pelas madrugadas vazias,
Sem destino e desorientado andarei,
No sofrimento pelo amargo dos dias.
Sem a sua companhia ao meu lado,
Me sinto igual a um riacho secando,
A cada ano em seu leito assoreado,
Sem as perenes chuvas chegando.
Assim acabarei na sequidão perecendo,
Restando apenas o meu curso vazio,
Carregado de organismos morrendo,
Por causa dos longos períodos de estio.
FORA CORRUPÇÃO!
Precisamos deter as corrupções , manietá-las abruptas e conduzi-las às prisões, sequestrar os bens delas destituindo suas ações, pois não têm misericórdia da plebe, disseminam a discórdia. São rapinas de olhos apurados, com visões aguçadas, veem por todos os lados as oportunidades pelas presas abatidas. Abrem largas feridas, conduzem às violências, são sugadoras de vidas. Fazem gemer as massas que por tantas cargas são circunvaladas nas desgraças e nos infortúnios sem causas. Deseducam, enfermam, desprotegem, despejam e abandonam à própria sorte, minam as forças de um bravo sedento que pelo trabalho de suas mãos labuta pelo pão que provém o seu sustento. O poder é puro e bom, é branco e transparente, é dado ao homem e o eleva de forma excelente, mas a ganância, a cobiça, e o amor aos numerários são camisas de forças que levam às forcas e lesam os erários. Eles não têm piedade de ninguém, miram seus próprios umbigos, são ambíguos. Serão culpados pelos sangues derramados, pelas vidas ceifadas antes do nascimento, pelos recursos ora desviados, pelas almas deixadas ao relento, porquê é do povo para o povo, não para que peça socorro pelo sangue que clama por ter sido apagada a chama da esperança de viver um dia novo.
OLHOS VERMELHOS, CARAPAÇAS DE JOELHOS
Entendam as razões porque tudo é ruina e desconsolo, se deveras andam tortos menos vivos e mais mortos que os que sobem e descem as escadarias da perdição, veja a intuição daqueles que fogem da lâmina afiada e dão risadas dos néscios que são traspassados porque não têm a visão. Quem é louco dispensa loucura, quem é doce dispensa doçura, os afoitos se queimam em fervura, aliás quem dorme cedo descansa a armadura. Mas os que perambulam tem olhos vermelhos, lutam com a noite por não ouvirem conselhos, olhos de coelhos, sangues vermelhos, carapaças de joelhos. Ai daqueles que discorrem pelos becos largos, vielas espaçosas, julgando milagrosas suas armas de brinquedo, que em todos metem medo pelo zunido ratátátá, descubram um segredo não haverá mais nem um dedo que puxe o gatilho pra produzir este sonido que o instrumento pode dá.
LÁGRIMA DE UM GUERREIRO
Tornou-se um homem frio em decorrência da profissão, são muitos anos na luta perdoem seu coração, que não é de todo endurecido por tudo que tem vivido, fraqueza, euforia, tristeza, e desilusão, mesmo forte lutando contra a morte às vezes uma lágrima tímida cai pelo chão.
São muitos os casos que viu e ainda vê nesta missão, mães chorando os filhos, irmãos lamentando irmãos, esposas maldizendo maridos como se tivessem total razão, mães abandonando crianças por causa da diversão.
Menores indo e voltando imediatamente da prisão, a moça que ficou sem o telefone na mão, chorando de tristeza porque pagou somente a primeira prestação. Ligações dando conta de corpos em vão, outro enforcado sem remissão, que aos seus olhos são abominação.
Mas no seu canto de solidão, chora por dentro em oração, renova o espirito e não desiste não, mesmo sabendo que não há solução, que enquanto houver mundo, haverá maldição e que pra muitos o crime tem compensação.
RECORDO QUE TE AMEI
Dos verdes mares olhos verdes cabelos longos, dos grandes rios grandes lábios macios e grossos, das catadupas seios firmes ventre ereto, do riacho doce, doce boca dentes de leite, dos mananciais jorram suas curvas num tronco reto.
Nasce o nosso amor das nascentes olhos d'água que corre para os riachos nos leitos onde deságua, que afluem os grandes rios sorriso branco como a alva, onde minam poços de emoção no curso livre do meu coração.
Nas suas catadupas as minhas quedas sem ressalva, se caio nos grandes rios, dos verdes mares bravios me salva, se morena, ruiva, loira, negra, não sei, esqueci-me em razão das muitas águas em que me afoguei, sonhava com sereias, mas só recordo que te amei.
PÁSSARO MISTERIOSO
Canta um pássaro misterioso um canto triste em minha janela, fazendo-me lembrar do dia em que ela partiu com a parentela, fui aos seus pés lhe implorar para que comigo ficasse, mas só fez me ignorar e deu-me as costas num impasse. Assim seguiu a tua parentela para onde eu não sei, os motivos não me disse, confesso que esperei uma satisfação da parte dela por tanto amor que lhe doei. Doeu meu coração dias e noites sem parar, imaginando o por quê que meu amor foi me deixar, seguindo a sua parentela sem nada me explicar, transformando meu riso em prantos num duro golpear, que ruiu as minhas bases me fazendo rastejar. Agora que eu estou em pé vem este pássaro aqui cantar, este canto de tristeza para mistérios me revelar que o que foi em beleza, em realeza há de voltar, para que eu a receba com festas sem nada argumentar. Canta pássaro canoro um misterioso canto alegre à minha alma e não deixe eu chorar por meu amor que foi embora, só me faça alegrar na esperança dela voltar e novamente me amar como fizeste outrora.
VIVA E DOE AMOR
Se queres viver a vida vivas com fé,
Se queres amar ames com esperança,
Se almejas cuidado busques com saber,
Faças bem, seja empático sem acepção.
Porque não somos verdadeiramente
A essência do que pensamos que somos.
Em muito nos tornamos mera vaidade
Daquilo que imaginamos ser realmente.
Não seja a pedra no sapato de ninguém,
Seja a solução na vida do seu bem,
Daquele ou daquela seja lá quem for,
O importante e gratificante é só o amor.
Eu amei de verdade, hoje só saudade.
Dê amor ao seu amor, o resto é vaidade.