Lista de Poemas

Marcas do tempo



O tempo num momento decisivo filtrou a
Solidão mais latente, cismada e tão frequente
Bebericou cada luminescência colorida e latente

Absurdo e vil o tempo desmemoriza o reportório
De saudades tão clementes, absolutamente pungentes
Fenece brutalmente confinado a esta hora abrangente

A manhã agora engalanada de poesia sempre ardente
Dissolve-se em brandas maresias fluindo mais coniventes
Para ali converge todo um oceano de emoções tão atraentes

Frederico de Castro
300

Passadiço do tempo



No passadiço do tempo caminha a vida implacável
Ali se replica cada hora absolutamente insaciável
Sucumbe num espasmo de silêncio quase inexplicável

No passadiço da solidão esboroa-se um lamento
Hostil, volátil e dissimuladamente intocável
Desmaia esquecido numa imensa memória irreplicável

Frederico de Castro
278

Concílio dos silêncios



Dobrando a esquina do tempo o tempo
Reconcilia-se com a solidão tão arrogante
Extasia-se e acaricia a maresia vadia e flamejante

No concilio dos silêncio grassam orações tranquilizantes
Alicerça-se a fé congregada por emoções exorbitantes
Confinam-se tantos bramidos divagando tão dissonantes

A pairar no cadafalso do tempo enfurecido e errante
Resplandece uma luminescência quase feroz e inebriante
Toda ela aliada deste amblíope silêncio mais e mais litigante

Frederico de Castro
298

Marés flamejantes



Sussurra o mar desaguando numa onda que
Além flameja absurdamente estética e exuberante
Fenece síncrona ciclóide, apopléctica e petulante

O silêncio quase linfóide segrega uma imensa
Luminescência esbelta, deliciosa e chamejante
Cheio de ganas desfibrilha qual eco arquejante

O poente ferido de morte jaz inerte e rastejante
Algema a astuta escuridão que divaga a jusante
Dirime com um breu empírico que se refresca inebriante

Frederico de Castro
336

De mãos dadas



- para a Carla

De mãos dadas o tempo repercute um eco que
Só o imaginário detecta, decifra e intersecta
Ali clama um queixume sequioso e descontrolado
Apressa-se a incendiar o poente fecundo…mais consolado

De mãos dadas deixo a solidão pousar no algeroz
Da vida desaguando qual aguaceiro trepidando assolapado
Só ele descortina uma caricia que amarinha tão incontrolada
Só ele corporiza e algema uma prece proliferando quase imolada

Frederico de Castro
374

Rumores da tristeza



Geme além um rumor triste e indigno
Escapa pelas frestas de um eco quase maligno
Estatela-se na calçada do tempo que fenece fidedigno

Indomável possante e enraivecida a noite vagueia
A bordo de um pranto indecente, árido e enraivecido
Saboreia cada fétido lamento viciado e escarnecido

Ao longe ouço desintegra-se aquele silêncio entristecido
A escuridão exposta a esta imensa solidão quase esquecida
Adormece nos braços de um endurecido sonho tão enfurecido

Frederico de Castro
264

E depois do por do sol



E depois do por do sol chega a noite escrutinável
Indominável a escuridão ruge feliz e inimaginável
Onde cada brisa fatigada adormece inexpugnável

E depois do por do sol chega este silêncio incontornável
Expele no tempo infinito um eco ávido e improfanável
É a vitória da vida colorida com este esplendor tão insubordinável

E depois do por do sol…a solidão apascentada e inalienável
Os doces beijos da maresia elástica, romântica, impressionável
Onde o silêncio repercute uma onda vadiado além incontaminável

Frederico de Castro
332

Hipersensível



A manhã esculpiu um gomo de luz hipersensível
Mediu cada distância entre um eco e um lamento
Que além timidamente fluía tão imprevisível

Uma hora provisória entretanto desfaleceu condoída
Emaranhou-se com a esperança perspícua e sapiente
Manuseou cada emoção prescrita numa lágrima saliente

O tempo agora rejuvenesce entrincheirado no advir de
Tantas palavras dissecadas neste verso proficiente
Até se esvair num impaciente silêncio…quase presciente

Frederico de Castro
368

Vestígios do silêncio



Emaranhada nas teias do silêncio a solidão
Deixa escoar um gomo de luz tão afável
Mascara a manhã com um volúvel eco imutável

Paira no tempo um silêncio carente e versátil
Pesa quase uma tonelada esta solidão além asilada
Emoldura cada lágrima caprichosamente dissimulada

Derramada sobre um espesso silêncio a solidão
Jaz esmagada, inútil e definitivamente embriagada
Pudesse eu preencher todas a lacunas da tristeza fustigada

Frederico de Castro
281

Quarentena



Divergindo numa hora absurdamente crente
O silêncio afaga meu ego tão triste tão transparente
Sulca todas as maresias do tempo onde se enrudilham
Os mesmos sonhos, poéticos, translúcidos e irreverentes

A noite sucumbe ante um prelúdio de lamentos urgentes
Urge pois acalentar a alma presa nesta quarentena virulenta
Onde aos solavancos o silêncio ainda degusta qualquer
Solidão sustida por uma prece assustadoramente corpulenta

Frederico de Castro
332

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!